quinta-feira, 27 de junho de 2019

Grupo de estudos sobre sexualidade e identidade de gênero


“Na luta de classes todas as armas são boas: pedras, noites e poemas” (P. Leminsky)

Seguindo a lógica de Leminsky também consideramos fundamental tomar como arma, na luta de classes contra a lgbtofobia e a exploração, a teoria marxista.

Muitos desafios estão postos para compreender e buscar a liberdade para que os seres humanos, em especial as mulheres, possam exercer sua sexualidade e diversidade. Só uma luta coletiva pode nos garantir o pleno direito de viver nossa individualidade.

Desde as alternativas liberais ou reformistas que apontam os guetos ou representações dentro da democracia burguesa, passando pela pós-modernidade que nos desintegra até a última partícula, não nos possibilitando sequer uma identidade com os nossos pares, somos bombardeados de informações e conceitos que andam em círculo e não apontam o fim da opressão.

Não achamos possível construir esse caminho sem a unidade com a classe trabalhadora para por fim ao sistema capitalista, mas não secundarizamos as questões e demandas que existem hoje, não fechamos os olhos para as centenas de LGBTs assassinadas todos os anos e a total falta de direitos. E é no intuito de compreender todas as esferas da luta a ser travada que nos lançamos a mais um desafio.

Para aliar a pratica revolucionária a teoria revolucionária O Movimento Mulheres em Luta vai organizar um grupo de estudos sobre a opressão e exploração das mulheres por conta  da orientação sexual e identidade de gênero na perspectiva marxista, além de temas como educação sexual e legalização do aborto, visando a realização de um seminário nacional no ano de 2020(sem data definida ainda).

Esse grupo servirá para acumular os temas teóricos e preparar companheiras que facilitarão os espaços do seminário. Nesse sentido, para participar não basta apenas ter interesse pelo tema ou ser LGBT, é necessária disponibilidade para seguir o cronograma de estudos e compromisso com o compartilhamento do acúmulo em atividade futura.

Número de vagas: 15. Considerando o objetivo do grupo e o fato de que as reuniões serão via internet , trabalharemos com um número reduzido de pessoas.

Forma de funcionamento: envio de leitura no início de mês e reunião por conferência no final do mês, a cada mês uma pessoa será responsável por apresentar uma síntese do texto para debate. E ao final uma pessoa será responsável pelo relatório de cada encontro.   

Participantes: poderão participar companheiras que componham um grupo organizador local do MML e tenham disponibilidade para cumprir os compromissos de estudo

Critérios de participação: a seleção levará em consideração a representação das diversas regiões; a diversidade de categoria de trabalho; a disponibilidade para reunir via internet.

Critérios de desempate: serão considerados os seguintes critérios: 1) ser mulher LGBT, 2) intervir no movimento com a temática LGBT, 3) ser do setor operário, 4) ter disponibilidade para compartilhar o conhecimento em atividade posterior.

Critérios de desligamento do grupo: falta ou não ter feito a leitura dos textos indicados por dois encontros consecutivos ou três encontros alternados.


Como fazer a inscrição:
As interessadas devem enviar e-mail para mulheresemlutanacional@gmail.com, no período entre 01 a 10 de Julho, com as seguintes informações:

1.  Nome/ nome social
      2.  Idade
      3. É LGBT   (  )Sim   (  )Não
      4. Setor de trabalho/estudo
      5. Grupo organizador do qual faz parte
      6.     E-mail/ telefone
  
PARTICIPE!


segunda-feira, 29 de abril de 2019

Bolsonaro, tire as garras dos nossos corpos: o que não pode nesse país é incentivar a LGBTfobia e a prostituição!


Por Marina Cintra, MML São Paulo

No último dia 26, Bolsonaro deu mais uma de suas declarações que atacam diretamente os setores oprimidos da classe trabalhadora, disse que “Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade. Agora, não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay aqui dentro”.

Isso é um mais um absurdo, pois faz apologia ao turismo sexual de mulheres, e já sabemos que  exploração sexual  é uma realidade, com índices alarmantes de exploração sexual de crianças e adolescentes. As mulheres e crianças que estão na prostituição são vitimas cotidianamente de estupros e violência, que é totalmente naturalizado pela sociedade, tendo em vista que essas mulheres são vistas meramente como uma mercadoria.

As vítimas de exploração sexual são principalmente mulheres negras e pobres. A declaração de Bolsonaro aprofunda o machismo e o racismo, já que reproduz o olhar estruturado a partir da herança escravista brasileira que coloca a mulher negra como como um pedaço de carne, mero objeto sexual.  A declaração de Bolsonaro foi também LGBTfóbica, muitos LGBTs são jogados na prostituição por causa do preconceito, da dificuldade de arrumar empregos formais e da marginalidade, essa é uma dura realidade das mulheres trans, em que muitas estão na prostituição, onde ficam  vulneráveis a diversos tipos de violência cotidianamente. Além disso, o Brasil lidera o ranking dos países onde mais se assassinam pessoas LGBTs e a postura do presidente só reforça essa situação.   

Enquanto o desemprego e a violência contra as mulheres aumenta Bolsonaro mostra a que veio e confirma que esse governo é inimigo das mulheres trabalhadoras negras e não negras e de toda a população LGBT. 

Devemos lutar contra a violência as mulheres, pelo fim do turismo sexual, por uma política de geração de mais empregos,  em defesa das mulheres em situação de prostituição, contra a prostituição, para que todas as mulheres que estejam nessa situação possam ter acesso pleno ao emprego, sem precisar transformar-se me mercadoria para sobreviver.

Para isso, é necessário revogar a Lei da Terceirização e a reforma trabalhista, barrar de vez a reforma da previdência.  Precisamos de mais investimentos em políticas de combate a violência machista e a LGBTfobia, em educação, saúde, emprego. A necessidade dos setores oprimidos da classe trabalhadora é exatamente o contrário do que defende Bolsonaro: precisamos de um país que não seja rota do turismo sexual e onde as pessoas sejam livres para exercer sua sexualidade.  


 

sexta-feira, 19 de abril de 2019

A submissão da mulher dentro de casa é a base para a subserviência aos patrões e governos. Damares quer frear a disposição de luta das mulheres trabalhadoras!


Texto de Ângela Nóbrega e Marcela Azevedo


Em audiência na Câmara dos Deputados, no dia 16/04/2019, a ministra do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, novamente deixou claro que não representa os anseios das mulheres trabalhadoras do país. Mesmo com os números alarmantes de casos de violência doméstica, ela se aproveita do cargo para impor sua "visão cristã" que defende a submissão da mulher ao homem, no casamento e dentro de casa.

Em primeiro lugar é importante dizer que a ministra ocupa um cargo público que, por sua natureza, deve servir ao bem estar de todas as mulheres, independente da religião que pratica ou mesmo se pratica ou não. O estado laico é a garantia de que as politicas públicas não farão distinções desse tipo.

Por isso, é bastante grave que em um espaço de debate sobre os direitos da mulher e de politicas para garantir esses direitos, a ministra faça a defesa de posições baseadas em dogmas religiosos.

Sabemos que grande parte das mulheres trabalhadoras tem religião, respeitamos a particularidade de cada uma, porém somos totalmente contra qualquer apologia ou naturalização da opressão da mulher e, consequentemente, da violência que sofre em decorrência disso.

Patrões e governos se beneficiam com a submissão das mulheres

A submissão ensinada às mulheres dentro de casa vai ter reflexo no local de trabalho e na participação feminina em questões sociais e políticas. A tendência a obediência e o hábito de não expor suas posições é o que permite as mulheres receberem salários menores em quase todas as funções, com diferenças que chegam a média de 30% do salário dos homens; é também o que permite com que as mulheres sejam o principal alvo do assédio moral feito pelos patrões para impor um ritmo de trabalho mais intenso e aumento da produtividade.
  
Também é colocado para as mulheres que assuntos da esfera pública não são de seu interesse, é muito comum o homem escolher um candidato nas eleições, por exemplo, e a mulher e filhos seguirem seus passos sem qualquer debate, nas organizações sindicais as mulheres pouco se organizam e poderiam ser dados muitos exemplos.

O fato é que toda essa construção do papel da mulher visa impedir que ela perceba o conjunto de desigualdades que enfrenta na sociedade e o quanto isso gera lucro para os patrões e governos. Em outras palavras, tenta esconder o papel assumido pela mulher trabalhadora na sociedade. Papel esse conquistado com muita luta e sangue de homens e mulheres  trabalhadores.

Reforma da previdência é mais uma violência contra as mulheres. Não aceitaremos caladas!

Damares, assim como todos os representantes do governo Bolsonaro, se apoia em discursos e defesas religiosas para impor grandes ataques a classe trabalhadora. Se aproveitam da fé das pessoas para ganhar confiança e, dessa forma, defenderem os lucros de quem já tem muito em detrimento das condições de vida de quem já não tem quase nada.

A reforma da previdência aumenta a idade mínima e o tempo de contribuição para que as mulheres possam se aposentar, sem considerar sua dupla jornada com o cuidado com a casa e os filhos e todas as desigualdades que enfrenta no mercado de trabalho; quer impor um sistema de capitalização que responsabiliza individualmente o trabalhador pela arrecadação de sua aposentadoria, sem considerar as várias interrupções que a mulher enfrenta em sua vida laboral; e ainda impõe mudanças no acesso a benefícios como PIS e pensão por morte, dos quais as mulheres são maioria entre os beneficiados.

Essas e as demais mudanças propostas no projeto de reforma da previdência do governo Bolsonaro são a prova mais cruel do quanto a vida e a garantia dos direitos das mulheres não são preocupações desse governo. Pelo contrário, aprofundam a violência e as desigualdades enfrentadas pela parcela feminina da população.    

As mulheres são parte da luta contra a reforma da previdência, a opressão e a exploração capitalista!

As mulheres vêm demonstrando grande disposição de luta na defesa de seus direitos e contra os ataques de todos os governos, é esse curso que o discurso de Damares tenta frear. Porém, não daremos nenhum passo atrás na luta por nossa libertação.

Nossa grande tarefa é o combate a essa ideologia da "mulher virtuosa" e sua carga extremamente machista, pois, ela leva à divisão da classe trabalhadora e faz com que aumente ainda mais os já alarmantes números de casos de violência contra a mulher e de feminicídios. 

Nossa luta é todos os dias e não está nos gabinetes. Nossa luta é contra a retirada de direitos e contra a Reforma da Previdência e só será vitoriosa se conseguirmos unificar toda a classe trabalhadora

Por isso, precisamos combater o machismo na luta cotidiana e em todos os espaços, lado a lado com os homens e mulheres da nossa classe para que sejamos respeitadas enquanto ser social que trabalha e é metade da classe que produz toda a riqueza.

Não faremos o combate ao machismo reproduzindo preconceitos religiosos ou morais. Nossa luta deve ser em defesa de um outro modelo de sociedade, sem exploração e sem opressão e que somente a classe trabalhadora unida será capaz de construir. 




Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Chega da violência contra as mulheres!

Chega da violência contra as mulheres!