terça-feira, 14 de abril de 2026

RESOLUÇÃO SOBRE AS MULHERES TRABALHADORAS/6º Congresso da CSP Conlutas

 RESOLUÇÃO SOBRE AS MULHERES TRABALHADORAS

apresentada ao 6º Congresso Nacional da CSP CONLUTAS (18 a 21 de abril de 2026)


foto de Romerito Pontes


CONSIDERANDO QUE:

  1. O capitalismo mundial atravessa uma crise estrutural prolongada, marcada pela disputa interimperialista, guerras, ajuste fiscal permanente e aprofundamento da superexploração da classe trabalhadora, especialmente sobre mulheres, negras, imigrantes e LGBTs.

  2. A reorganização da extrema-direita mundial representa um salto qualitativo na ofensiva contra os trabalhadores. A consolidação do novo governo de Donald Trump nos Estados Unidos expressa um polo internacional reacionário que combina imperialismo agressivo com discurso misógino, racista, xenófobo e LGBTIfóbico, legitimando a violência e disputando a consciência de amplos setores da classe.

  3. Essa dinâmica fortalece movimentos ultraconservadores em todo o mundo, estimula ataques aos direitos sexuais e reprodutivos e impacta diretamente as mulheres trabalhadoras, combinando superexploração com crescimento da violência machista e dos feminicídios.

  4. No Brasil, o governo Lula/Alckmin foi eleito com apoio majoritário das mulheres. No entanto seu governo manteve os pilares da política econômica, aprovou o arcabouço fiscal, preservou a reforma trabalhista e prioriza o pagamento da dívida pública.

  5. Para garantir maioria no Congresso, realizou concessões sucessivas ao Centrão e a setores conservadores, sacrificando pautas históricas das mulheres em nome da governabilidade.

  6. Não houve melhora estrutural na vida das mulheres trabalhadoras. Os índices de violência seguem elevados, os feminicídios cresceram e os ataques aos direitos sexuais e reprodutivos se aprofundam. Embora o orçamento do Ministério das Mulheres tenha sido ampliado formalmente, a execução orçamentária real foi ínfima, com investimento federal irrisório no combate à violência.

  7. A ampliação da frente ampla com setores burgueses e conservadores tende a produzir novas concessões nas pautas das mulheres e dos setores oprimidos.

  8. No interior do movimento de mulheres há intensa disputa política. O feminismo liberal e pequeno-burguês limita a luta à igualdade formal dentro da ordem capitalista, individualiza as soluções e convive com a utilização das opressões como mecanismo de intensificação da exploração.

  9. As direções reformistas ligadas ao governo canalizam o descontentamento para os marcos institucionais e saídas eleitorais, apresentando como solução central a eleição de mais mulheres nos espaços de poder, sem enfrentar os limites estruturais da conciliação de classes.

  10. A luta contra o machismo, o racismo e a LGBTIfobia não é tarefa exclusiva das mulheres, mas do conjunto da classe trabalhadora. O capitalismo utiliza as opressões para fragmentar a classe e ampliar a exploração. Combatê-las é fortalecer a unidade da classe. 

  11. A CSP-Conlutas, como central sindical e popular comprometida com a luta dos setores oprimidos, compreende que o combate ao machismo, ao racismo e à LGBTIfobia é parte inseparável da luta de classes e deve estar integrado de forma permanente ao seu plano de ação e orientação política.

  12. No último período, a Central aprovou a construção de uma Campanha de Emergência Nacional contra os Feminicídios, reconhecendo a gravidade da escalada da violência machista no país e a necessidade de responder com iniciativa política unificada e enraizada na base.

  13. Mesmo em um cenário de avanço reacionário, as mulheres seguem protagonizando levantes contra o feminicídio, mobilizações pela legalização do aborto, greves e lutas contra a precarização do trabalho.

PROPOMOS:

  1. Fortalecer a CSP-Conlutas como polo classista e independente na luta das mulheres trabalhadoras, disputando a consciência da classe contra a extrema-direita, o feminismo liberal e o reformismo governista.

  2. Desenvolver política sistemática de formação nas entidades de base sobre a relação entre exploração e opressão, o papel do imperialismo, os limites da conciliação de classes e o caráter de classe das diferentes correntes do feminismo.

  3. Intensificar a disputa ideológica nos locais de trabalho e estudo, combatendo a influência do machismo, do conservadorismo e da extrema-direita na base da classe trabalhadora.

  4. Denunciar permanentemente: a manutenção do arcabouço fiscal; a preservação da reforma trabalhista; a insuficiência orçamentária real das políticas para mulheres; a troca de direitos por governabilidade

  5. Exigir:

    • Revogação do arcabouço fiscal

    • Revogação da reforma trabalhista

    • Investimento massivo e real no combate à violência

    • Ampliação de creches públicas e políticas de cuidado

    • Igualdade salarial efetiva

    • Legalização do aborto via SUS

  6. Fortalecer e ampliar na base da Central a campanha permanente de combate à violência contra as mulheres, acompanhando, impulsionando e dando visibilidade às iniciativas das entidades filiadas e articulando ações nacionais unificadas.

  7. Implementar efetivamente a Campanha de Emergência Nacional contra os Feminicídios aprovada pela Central, garantindo plano de ação com iniciativas nas bases, materiais unificados, jornadas de mobilização, articulação com entidades filiadas e acompanhamento permanente da realidade da violência nos estados e categorias.

  8. Participar e impulsionar o calendário internacional de lutas das mulheres e da população LGBT, incorporando: 

    • 8 de Março – Dia Internacional de Luta das Mulheres

    • 28 de Setembro – Dia de Luta pela Legalização do Aborto

    • 25 de Julho – Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

    • 29 de Janeiro – Dia da Visibilidade Trans

    • 29 de Agosto – Dia da Visibilidade Lésbica

    • 25 de Novembro – Dia Internacional de Combate à Violência contra as Mulheres

E outras datas importantes dos movimentos de luta contra as opressões articulando essas datas às mobilizações gerais da classe trabalhadora.

  1. Estender solidariedade ativa e apoio político às lutas e levantes das mulheres trabalhadoras — como mobilizações contra os feminicídios, pela legalização do aborto, contra a violência política e contra a precarização do trabalho — buscando dialogar, intervir e fortalecer esses processos sob uma perspectiva classista e independente, conectando-os à campanha nacional da Central. 

  2. Fortalecer as Secretarias de Mulheres e os mecanismos de combate às opressões nas entidades filiadas, garantindo investigação e punição de práticas machistas, racistas e LGBTIfóbicas.

  3. Reafirmar a política internacionalista da Central, solidarizando-se com as mulheres trabalhadoras de todo o mundo, especialmente as que enfrentam guerras, regimes autoritários e ofensivas reacionárias.


Assinam:

Movimento Mulheres em Luta (MML)


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