sábado, 7 de abril de 2012

Resistência Urbana realiza manifestações em oito das 12 cidades-sede da Copa de 2014

A Resistência Urbana – Frente Nacional de Movimentos, realizou manifestações em oito das 12 cidades-sede da Copa de 2014, nesta quarta-feira (4), no lançamento da Campanha “Contra os Crimes da Copa – Quem apita é o povo!”. O objetivo dessas manifestações foi de denunciar  as remoções e os despejos de milhares de famílias trabalhadoras em decorrência  das obras da Copa. Além disso, denunciar também o processo de criminalização, com a criação de leis de exceção para os megaeventos (Copa e Olimpíadas).


Em São Paulo, cerca de 700 pessoas organizadas pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) ocuparam as obras do Estádio do Itaquerão. A ação paralisou por duas horas as obras no Estádio.

Em Brasília, o ato foi realizado em frente às obras do Estádio Nacional Mané Garrincha e contou com a presença de 250 manifestantes do MTST.

A manifestação em Curitiba foi no palácio do Iguaçu – sede do governo estadual. Cerca de 150 pessoas organizadas pelo MPM (Movimento Popular por Moradia) protestaram contra o despejo em cinco comunidades.

Em Manaus, cerca de 170 manifestantes do MTST realizaram um ato foi o em frente à Arena da Amazônia.

A Avenida Paulino Rocha que dá acesso ao estádio do Castelão, em Fortaleza, foi bloqueada por mais 100 manifestantes do MTST por 1h30.

Em Cuiabá, cerca de 200 pessoas Comunidade Canaã, ameaçada de despejo,  e membros da Intersindical realizaram um ato público na UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso).

Em Belo Horizonte, mais de 100 pessoas, organizadas pelo MTST realizaram um ato na margem do Anel Viário de BH, onde estão comunidades ameaçadas de despejo.

No Rio de Janeiro, houve panfletagem na entrada dos operários da obra do Maracanã, as 5h30, organizada pelo MTST e pela CSP-Conlutas.

Deu na imprensa

Os atos foram amplamente divulgados pela grande imprensa, veja aqui alguns links dessa repercussão.




















Com informações do MTST

Fonte: cspconlutas.org.br

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Participe do 1º Congresso da CSP Conlutas!

O futuro é tão grande... vamos de mãos dadas 
(Carlos Drummond de Andrade)

Nos dias 28, 29 e 30 de abril, vai ocorrer o 1º Congresso da CSP Conlutas, em Sumaré/SP. A CSP Conlutas é uma Central Sindical e Popular que também organiza os movimentos de luta contra a opressão e o movimento estudantil, entidade à qual o Movimento Mulheres em Luta é filiado.

Esse Congresso tem por objetivo unificar as lutas que estão ocorrendo pelo país. Em que pese o governo Dilma siga com alta popularidade e índices de aprovação, uma parcela importante da classe trabalhadora brasileira está lutando, desde o ano passado, por seus direitos, através de greves, paralisações e manifestações de rua. O maior destaque dessas lutas foram as greves operárias em Jirau, Coperj e Suape, assim como as lutas dos trabalhadores da construção dos estádios da Copa do Mundo e em Belo Monte.

A categoria de professores escreveu, em 2011, um novo capítulo da luta em defesa da Educação Pública no país, com greves que ocorreram de norte a sul, colocando em debate a situação do professor da escola pública brasileira, que sofre com baixos salários, perda de direitos, doenças ocupacionais, etc.

O funcionalismo público, que realizou greves fortes e importantes em 2011, como a greve dos servidores técnico-administrativos das universidades brasileiras, inicia 2012 articulando mais uma forte greve, que se enfrenta com a truculência do governo nas negociações de reajuste e na luta contra os projetos de lei que congelam o salário dos servidores.

Carteiros, metalúrgicos, bancários, petroleiros também estarão presentes no Congresso, expressando suas lutas e a importância da unidade da classe trabalhadora em defesa dos seus interesses e na construção de um novo tipo de sociedade.

A batalha da CSP Conlutas na união com o conjunto de movimentos visa aglutinar todas as esferas da luta da classe trabalhadora: a luta por melhores salários, direitos sociais, moradia, terra, saúde, educação, contra o machismo, o racismo, a homofobia. É por isso que a CSP Conlutas se esforça para dar unidade política e organizativa ao movimento sindical, popular, estudantil e de luta contra as opressões.

Com essa perspectiva, o tema do Congresso é a organização de base, um conjunto de debates, orientações e resoluções que busquem aprofundar, principalmente a partir dos sindicatos dirigidos pela CSP Conlutas, a relação com a base das categorias, para envolvê-la melhor e mais democraticamente nas ações e decisões das entidades. Com isso, buscamos muito mais do que o envolvimento em uma campanha salarial, mas principalmente a compreensão da capacidade que a classe trabalhadora tem para governar e orientar a melhor forma de organizar a sociedade.

É muito importante que os sindicatos, oposições, minorias e movimentos elejam mulheres para compor as delegações, em todas as categorias, para expressar a força da mulher trabalhadora e da sua luta. 46% da classe trabalhadora brasileira é composta por mulheres, portanto, é fundamental fortalecermos a CSP Conlutas como uma alternativa de organização e luta das mulheres trabalhadoras.

O Movimento Mulheres em Luta estará presente no Congresso, por isso, escrevemos uma tese que discorre sobre a conjuntura internacional, nacional, as lutas das mulheres trabalhadoras e a necessidade e importância de a CSP Conlutas lutar contra o machismo dentro e fora da Central. (http://www.congressocspconlutas.org/teses/Tese%20MML.pdf)

No dia 27 de abril, o MML e o Setorial de Mulheres da CSP Conluta vai realizar o 1º Encontro de Mulheres da Central, buscando discutir a luta classista das mulheres e a necessidade e importância da organização de base do ponto de vista das mulheres trabalhadoras.

No dia 1º de maio, a CSP Conlutas vai realizar um grande ato, a partir das 10h, em São Paulo, em comemoração ao dia Internacional do trabalhador, como parte da disputa por conferir ao 1º de maio um dia de luta e de enfrentamento com os governos e patrões e não apenas um dia de festa.

Como parte da batalha por internacionalizar cada vez mais a nossa luta, nos dias 02, 03 e 04 de maio, a CSP Conlutas vai impulsionar uma reunião internacional, que contará com a presença de representantes de entidades e organizações políticas de vários países, com destaque para representantes do norte da África, aonde a luta da classe trabalhadora está tomando proporções fundamentais para a luta contra o imperialismo e o capitalismo em todo o mundo.

Confira o Calendário e Participe!

12 de abril: Prazo para eleição dos delegados e delegadas ao Congresso da CSP Conlutas.
15 a 20 de abril: Eleição dos delegados e delegadas do movimento estudantil e movimentos de luta contra as opressões.
20 de abril: Prazo para pagamento da taxa do Congresso
27 de abril: 1º Encontro de Mulheres da CSP Conlutas
28 a 30 de abril: 1º Congresso da CSP Conlutas
1º de maio: Ato do dia Internacional dos trabalhadores
02, 03 e 04 de maio: Reunião Internacional

quarta-feira, 4 de abril de 2012

1 em cada 3 mulheres sofre algum tipo de violência na América Latina

No último dia 21 de março, uma pesquisa divulgada pela ONU Mulheres revelou que “uma em cada três mulheres sofre algum tipo de violência na América Latina e 16% delas já foram vítimas de constrangimento e abuso sexual alguma vez na vida”.

O número foi demonstrado pelo informe "O Progresso das Mulheres no Mundo", com dados de 2011. O informe ainda apontou que apesar de algumas leis que tem por objetivo o combate à violência terem sido aprovadas, as mulheres do continente seguem sofrendo covardemente com a violência machista.

“De acordo com pesquisas realizadas em nações latino-americanas, 85% das pessoas ouvidas afirmam que a agressão feita pelo marido ou companheiro não tem justificativa, em nenhum caso. No entanto, pensam o contrário 15% dos brasileiros e 20% dos entrevistados no México, Uruguai e Trinidad y Tobago, assim como 10% dos chilenos, diz o estudo”. (www.terra.com.br)

“O documento também destaca que embora a América Latina e o Caribe "possuam uma boa legislação contra a violência doméstica (...) são poucos os países que punem explicitamente esse comportamento, quando ocorre entre quatro paredes, dentro do casamento" - um fenômeno mais comum do que se pensa”. (www.terra.com.br)

Segundo a pesquisa e o informe realizado, as mulheres são 53% da classe trabalhadora latino americana, mas a desigualdade salarial ainda é muito grande, o que coloca vários países da América Latina em posições bem desfavoráveis no ranking da ONU sobre o índice de Igualdade de Gênero.

Fonte: terra.com.br

terça-feira, 3 de abril de 2012

No dia 27 de abril, participe do 1º Encontro de Mulheres da CSP Conlutas!

A partir das 9h da manhã, na estância Árvore da Vida, mesmo local do Congresso da CSP Conlutas, vai ocorrer o 1º Encontro de Mulheres da CSP Conlutas. Os objetivos deste Encontro são debater a conjuntura nacional, considerando a realidade do primeiro governo de uma mulher em nosso país, e compartilhar experiências de organização do trabalho de base do ponto de vista da realidade das mulheres professoras, metalúrgicas, bancárias, carteiras, petroleiras, etc.

A realização desse Encontro busca dar mais peso à luta contra o machismo e a exploração das mulheres trabalhadoras do ponto de vista da CSP Conlutas. Metade da classe trabalhadora é composta por mulheres, por isso é muito importante que uma alternativa de organização da classe trabalhadora, independente e combativa, tenha política e organização específica das mulheres.

No marco do primeiro governo de uma mulher no Brasil, é muito importante reafirmar a CSP Conlutas como um polo de oposição de esquerda ao governo de Dilma e isso também demarcado pela organização interna das mulheres trabalhadoras da CSP Conlutas.  

O Encontro vai reunir as mulheres trabalhadoras delegadas ao 1º Congresso da CSP Conlutas, além de trabalhadoras e estudantes que quiserem participar e debater os temas do Encontro. Para participar, procure seu sindicato, ou os ativistas que constroem a CSP Conlutas no seu local de trabalho, estudo ou moradia.

Para pegar mais informações sobre o Encontro, entre em contato pelo e-mail encontro.mulheres.cspconlutas@gmail.com

Em breve, divulgaremos a programação e orientações sobre taxa e credenciamento, mas não deixe de começar a discussão no seu sindicato, oposição, movimento ou centro acadêmico.

Participe!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O discurso de Dilma e a real situação das mulheres trabalhadoras

No dia 8 de março, a presidenta Dilma Roussef fez um pronunciamento oficial parabenizando as mulheres pelo seu dia e apontando as ações que seu governo, o primeiro de uma mulher, está fazendo em relação às
mulheres.

Apesar de a presidenta apresentar em seu discurso um combate ao falso triunfalismo, de que a vida das mulheres ainda tem muito o que melhorar, a apresentação de seus projetos para as mulheres foi feita como se a vida das mulheres estivessem melhorando, mas será mesmo?

Uma das partes mais entusiasmadas de seu discurso foi em relação à construção de creches. A campanha da presidenta prometeu a construção de 6427 creches. No Brasil, apenas 18,4% das crianças de 0 a 3 anos estão matriculadas em creches, o que aponta para que a falta de creches seja a maior dificuldade para a mulher trabalhadora conseguir emprego, ou conseguir se manter nele.

Nesse cenário, o número de 6427 creches já se apresenta muito inferior à demanda. No entanto, sequer essa promessa vem sendo cumprida pela presidenta. Dos recursos previstos para serem repassados aos municípios, nem metade foi concretizado, o que promoveu o triste balanço de 2011, em que nenhuma nova creche foi entregue.

Do ponto de vista do combate à violência, a presidenta comemorou a decisão do STF, de que as denúncias não precisam ser feitas exclusivamente pelas vítimas. Isso é uma vitória da história da luta das mulheres, mas que se o governo de Dilma não investir suficientemente para promover amparo social às vítimas, assim como as delegacias e juizados especializados, pode se transformar em uma grande derrota. Do investimento previsto para 2011 nos programas de combate à violência, houve uma redução de mais de 2/3, o que não foi noticiado pela presidenta no discurso.

Também no seu discurso, Dilma se referiu a ampla quantidade de mulheres chefes de família que sustentam sozinhas suas famílias, mas ela não se lembrou das várias mulheres chefes de família que sofreram com a ação assassina e absurda que ocorreu no Pinheirinho. Apesar de pronunciar a festa em relação ao projeto Minha Casa, Minha Vida, ela não citou qualquer iniciativa para resolver um drama social que indignou o Brasil inteiro.

Do ponto de vista da Saúde pública, a presidenta comemorou a criação do cadastro de mulheres grávidas e o projeto Rede Cegonha. Ela só não contou que a história da luta das mulheres já conquistou muito mais avanços na atenção especial à saúde das mulheres do que esse projeto significa. E esses avanços estão sendo atacados pela falta histórica de investimento público na área da saúde, o que se agrava com o corte histórico no orçamento da união, que ela realizou em seus dois anos de governo (50 bi em 2011 e 55 bi em 2012).

A presidenta iniciou o discurso dizendo que estava se dirigindo às suas “irmãs brasileiras”, “uma conversa de mulher para mulher”. As mulheres que passam por essa realidade não são iguais a Dilma e assim, a identificação pelo fato de ser mulher se perde na diferenciação de acesso a direitos sociais básicos.


domingo, 1 de abril de 2012

Caso UFPR: Basta de trotes machistas!

Entra ano e sai ano, a cada Calourada nas Universidades brasileiras, somos ofendidas com casos absurdos de machismo sobre as meninas que ingressam nas universidades. Dessa vez, foi o curso de Direito da Universidade Federal do Paraná, com um manual publicado pelo Partido Democrático Universitário, organização estudantil do curso.

O manual contém orientações sobre como conseguir transar com as meninas, sob a forma de piadas machistas, preconceituosas e agressivas. Nós do Movimento Mulheres em Luta repudiamos esse tipo de atitude e assinamos em abaixo na nota publicada por organizações da universidade que também combatem esse tipo de prática (Veja nota abaixo).

Também exigimos que a Reitoria da Universidade investigue e puna os responsáveis pela produção e distribuição do material. Com a repercussão do caso, os autores alegam estar fazendo piadas, mas a mesma ideologia machista que respalda essas piadas e agressões contra as mulheres é a que respalda ações extremas de machismo e violência como o caso de estupro coletivo que aconteceu no estado da Paraíba.

Apoiamos a organização do movimento estudantil da universidade para lutar contra essa prática e para diante de casos como esse fortalecer a organização das mulheres nos Centros Acadêmicos, DCE’s, etc.

Nota de repúdio ao Manual de Sobrevivência do PDU

O Manual publicado pelo Partido Democrático Universitário – em sua capa estampado: “Como cagar em cima dos humanos em 12 lições” – pretende abordar de forma bem humorada o cotidiano da Faculdade de Direito da UFPR. Porém, ao escrever tal manual, o que esses veteranos e veteranas fizeram foi evidenciar a cotidiana opressão machista.

As "piadas" provocativas, quando colocadas no contexto das relações sociais das quais elas derivam, representam tentativas de legitimação de opressões e violências reais que ocorrem todos os dias contra as mulheres. Segundo o manual: 

“(...) No primeiro ano você é calouro de todos os anos, é o centro das atenções da faculdade (na verdade o “segundo centro”, pois o primeiro são as calouras)(...).” (p.1)

“A garota foi com você ao quarto, prometendo mundos e fundos (principalmente fundos), mas o máximo que você conseguiu foi um beijo: Código Civil, art.233- obrigação de dar: 'A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados (...)'”.

“Ela prometeu e não cumpriu. Disse 'vamos com calma': art. 252,§ 1º Código Civil: 'Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra'. Ela vai ter que dar tudo de uma vez!" (p.7)

A mulher, colocada em destaque no primeiro trecho, ocupa essa posição não como um sujeito, mas sim como um objeto sexual, como se pode depreender dos trechos seguintes. Sua subjetividade está reduzida ao plano do direito obrigacional, da coisa que será manuseada. Em suma, a posição da mulher, como colocada na relação jurídica obrigacional, é a de servir, independentemente de sua vontade. 

Esta é uma concepção reiterada histórica, cultural e ideologicamente por uma sociedade que permanece estruturalmente machista. O manual em questão, que reitera a perspectiva de domínio masculino sobre a mulher, é claramente uma prática agressiva e atentatória à dignidade feminina. Mais ainda: é crime, à medida em que a obrigação de “DAR”, tudo de uma vez, independente da vontade, incita à prática de estupro.
            
A coisificação da mulher pelo manual a submete à condição de objeto de estupro, como se isto fosse natural – como se sua mera condição de mulher a encaixasse, de imediato, em prontos moldes. Talhada historicamente para servir à sociedade, conforme a conveniência: santa ou puta. Assim a questão se coloca: estar sempre a serviço dos homens – calouros, veteranos, maridos, pais.
            
“Se seu amigo prometeu a você arranjar aquela garota e não conseguiu, Código Civil, art.439: 'Aquele que tiver prometido fato de terceiro responderá por perdas e danos, quando este não executar'”. (p.7)

Sendo assim, o leilão está aberto. Quem dá mais pela garota? Essa é a dita nos corredores desta universidade: mercantilização e exploração do corpo feminino. Segundo a lógica sistêmica do manual, temos a seguinte compreensão: se a menina não é bonita, se não segue os padrões de beleza, estuprá-la é dar-lhe oportunidade de tirar o atraso; se a menina sai de saia curta e é estuprada, não há problema, uma vez que ela “colabora” com o fato; se a menina, numa festa, bebe demais, estuprá-la é não mais que o direito do homem de receber diante da promessa de DAR. Assim como algum dia os Códigos regularam a aquisição de escravos, quer-se regular agora a exploração e estupro feminino na Universidade.

A ideia reproduzida por esta dominação masculina é de que não precisamos levar a sério o estupro e todos os atentados contra a livre sexualidade da mulher que permanecem frequentes em nossa sociedade. E, enquanto isso, no Brasil, a cada 12 segundos, uma mulher é estuprada, segundo dados do Conselho Estadual de Direitos da Mulher - RJ (e isso sem contar as cifras ocultas, daquelas muitas mulheres que têm vergonha e/ou medo de fazer a denúncia, sendo que menos de 10% dos casos de violência sexual chegam às delegacias de polícia). 

Ainda, segundo dados de 2004 da Anistia Internacional, 1 em cada 5 mulheres será vítima ou sofrerá uma tentativa de estupro até o fim de sua vida, e 1 em cada 3 já foi espancada, estuprada ou submetida a algum outro tipo de abuso. Os dados apontam ainda que a América Latina registra os mais altos índices de crimes sexuais. Estupro não é brincadeira, é real.

A mensagem do Manual é clara: quem manda é o HOMEM, a mulher é o objeto e não o sujeito, devendo assumir uma postura calada, de dependência e passividade. O Manual diz: a mulher não tem direito sobre seu corpo; deve, primeiro, atender e se submeter às expectativas sexuais dos homens. O que se diz no Manual, como piada, é que a mulher é o ser passivo (ou objeto) da relação obrigacional, perde sua autonomia, sua liberdade, sua capacidade para se autodeterminar, pensar, querer, sentir e agir.

As mulheres que assinam essa Nota dizem em resposta: “Nós, mulheres, não somos objetos sexuais. Nosso corpo é nosso pra escolher ter prazer quando queremos ter prazer. Temos autonomia sobre nossos corpos para dispor de nossa sexualidade como quisermos, e devemos ser respeitadas. Não somos os objetos de satisfação de prazer egoísta que a mídia impõe. Não viemos para servir a homens, veteranos, pdu's ou não”. Abaixo o manual machista!

Assinam esta nota de repúdio:
Grupo de Gênero
Serviço de Assessoria Jurídica Universitária Popular
Partido Acadêmico Renovador
Coletivo Maio
Movimento Mulheres em Luta (CSP Conlutas)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Confira as Resoluções do 8º Encontro das Mulheres Metroviárias!

Nos dias 3 e 4 de março de 2012, em Jacareí, foi realizado o 8º Encontro das Mulher Metroviária. O evento aprovou várias resoluções, que serão analisadas e votadas pelo 10º Congresso dos Metroviários de São Paulo.

A Mulher*

Ser mulher é nascer estigmatizada,
É ter a alma testa 24h por dia,
É viver: Rejeitada
Requisitada
Responsabilizada
Mas sem o direito de se Reciclar,
Muito embora esteja na Moda!!!

É viver intensamente 
É estar presente
Saudável e contente
Ser Divino...

Que chora e ri ao mesmo tempo,
Torce o nariz e tem vários jeitos,
De acreditar ser feliz.

Tem alma de artista,
Milagreira e economista,
Ah! Complicado Ser.

Eternamente inconformada,
Nunca fica satisfeita,
Com nada ou ninguém,
Vive na inconstância.

Porém, eterna criança,
Nunca perde a esperança
E a fé
De que dias melhores virão.

Guerreira imponente,
Ser envolvente e única,
Que sabe o verdadeiro significado,
Da Luta e do Amor!

Milene AS
* poesia escrita em homenagem à mulher durante durante o 8º Encontro das Mulheres Metroviárias

Resolução sobre conjuntura

Considerando:

  • Que a eleição da primeira mulher presidente apesar de ter gerado amplas expectativas no movimento feminista do nosso País não mudou a realidade das mulheres trabalhadoras e pobres, como era esperado.
  • Que os cortes bilionários no orçamento de 2011 e 2012 e o ataque sistemático ao funcionalismo público afetam de forma particular as mulheres, tanto porque são as que principalmente arcam com os custos da falta de verbas em áreas sociais como saúde e educação, quanto por serem a maioria entre os servidores públicos.
  • Que no Estado de São Paulo a política de repressão do governo Alckmin se traduz num ataque brutal à população trabalhadora e pobre e à organização dos movimentos sociais como no caso da ilegal e violenta desocupação do Pinheirinho.
  • Que o governo do estado de São Paulo, com sua política de privatização, tem como objetivo, entre outras coisas, a entrega do transporte público à iniciativa privada.

O 8º Encontro de Mulheres Metroviárias de São Paulo resolve:

  • Se posicionar contra os cortes no orçamento efetuados pelo governo federal, exigindo mais investimento nas áreas sociais e contra todas as medidas que atacam direta ou indiretamente o funcionalismo público.
  • Denunciar o governo estadual pela ação ilegal na desocupação do Pinheirinho e exigir do governo federal a imediata desapropriação sem indenização da área para a construção de moradia para todos os ex-moradores.
  • Se posicionar contra a privatização do sistema de transporte público e exigir mais investimento público no setor.


Resolução sobre violência contra as mulheres

Considerando:

  • Que vivemos em uma sociedade machista que trata as mulheres como objeto sexual, como responsável pelo trabalho doméstico ou como cuidadoras, e ainda reserva para as mulheres os postos mais precarizados no mercado de trabalho;
  • Que o Sindicato dos Metroviários tem desenvolvido uma campanha contra o assédio sexual dentro dos transportes públicos, e em especial do metrô;
  • Que esta campanha tem mostrado como diariamente as mulheres trabalhadoras sofrem esse tipo de violência e que foram registrados mais de 60 casos de assédio, que vão desde fotos até estupro dentro do metrô no ano passado;
  • Que a superlotação, a impunidade e a falta de denúncia são fatores para que este tipo de crime continue acontecendo;
  •  Que os programas humorísticos exibidos nos canais de televisão têm colocado a mulher em situações constrangedoras e vexatórias, passando uma imagem de que as mulheres devem aproveitar os assédios, transformando a violência em piada, banalizando o nosso sofrimento;

O 8º Encontro de Mulheres Metroviárias de São Paulo resolve:
  • Reafirmar e ampliar a Campanha contra a Violência Sexual dentro do metrô;
  • Exigir da Companhia do Metrô que faça uma campanha pública em todos os seus meios de comunicação (PA, cartilhas, cartazes, TV Minuto etc), de combate à violência e de incentivo à denúncia dos agressores. A elaboração da campanha deverá contar com a participação da CIPA e Sindicato;
  • Exigir da Companhia do Metrô que faça um treinamento especial aos funcionários operativos para lidar com situações de violência à mulher dentro do metrô, assim como garanta a contração de um maior número de Agentes de Segurança femininas;
  • Implantar na Delpom um setor especializado para o atendimento às mulheres vítimas de violência.



Resolução sobre as/os trabalhadores terceirizados e da L4 - Amarela

Considerando:

  • Que a precarização do trabalho e a falta de direitos atinge principalmente os trabalhadores terceirizados e da Linha 4 privatizada, e dentro disso são as mulheres que estão nos piores postos de trabalho, mais cansativos, com salários mais baixos etc.
  • Que essa precarização atinge níveis desumanos das condições de trabalho, podendo acarretar em diversas doenças do trabalho e até risco de vida. Estes setores (especialmente as mulheres) são também quem mais estão sujeitos ao assédio moral praticado pelos chefes.
  • Que estes trabalhadores se somados já atingem quase o mesmo número de metroviários concursados;
  • Que o governo estadual e a empresa tentam com isso dividir e fragmentar cada vez mais a categoria para dificultar a nossa organização e mobilização com o objetivo de retirar direitos, rebaixar o nosso salário de conjunto, diminuir postos de trabalhos e privatizar o projeto de expansão do metrô;

O 8º Encontro de Mulheres Metroviárias resolve:

  • Que o 8° Encontro das Mulheres Metroviárias entende que os trabalhadores das empresas terceirizadas e da Linha 4 fazem parte da categoria metroviária e que portanto é necessário incorporar estes setores na luta da categoria, trazendo-os para os fóruns de debate do Sindicato, elaborando pautas específicas, enfim buscando incorporá-los na vida política e sindical da categoria;
  • Abrir essa discussão com a categoria no período que antecede o Congresso e no próprio momento do Congresso, para que definamos um programa de defesa destes trabalhadores, por exemplo, defendendo que tenham o mesmo Acordo Coletivo dos trabalhadores efetivos, de discussão sobre política de incorporação dos terceirizados como efetivos, de luta pela estatização da L4, assim como de luta jurídica e política pela incorporação na base de representação do Sindicato, estendendo o nosso acordo coletivo para todos os trabalhadores do sistema metroviário;
  • Que o Sindicato deve levar essa discussão em conjunto com estes trabalhadores que são quem “sofrem na pele” com os piores mecanismos de exploração do capitalismo, por isso apoiamos a decisão do Sindicato de convidar estes setores a participarem do congresso da categoria, assim como participaram deste encontro de mulheres, e que isso deve cada vez mais ser uma prática constante por parte do nosso sindicato;


Resolução sobre Acordo Coletivo

As trabalhadoras do metrô, reunidas no 8º Encontro de Mulheres do Metrô, debateram o Acordo Coletivo da categoria e decidiram ratificar a proposta apresentada pelo Sindicato
 em 2011 e propor os seguintes adendos:

Creche/auxílio creche:
Estender a todos os funcionários (as), mesmo os que não trabalham em revezamento, o direito à creche; 
Flexibilizar o horário de entrada para as mães que possuam filhos de até 12 anos;
Dobrar o valor de auxílio-creche (enquanto não for garantido o CCI) e estendê-lo aos funcionários homens;
Que o recebimento de benefício do governo ou qualquer outro não seja impedimento para o pagamento, pelo metrô da extensão do auxílio creche aos filhos deficientes sem limite de idade;
Transporte para as creches;
Que os metroviários tenham direito a optar pelo auxílio-creche ou pela creche oferecida pelo Metrô e que seja ao longo de todas as linhas e pátios.

Licença-maternidade:
O programa para gestantes deve constar no Acordo Coletivo;
Aumento de 6 meses para 12 meses para as mães.

Licença-paternidade:
Aumento de 15 dias para 30 dias para os pais.

Licença-amamentação:
Contar com o envolvimento do Serviço Social da Cia. para intermediar esse processo.
Aumento de 6 meses para 12 meses para as mães.

Contra o Trabalho Doméstico:
Serviço de lavanderia assegurado a todos os funcionários que utilizem uniformes;
Refeitórios nos pátios ou estações que ofereçam refeições ao longo das linhas, sem prejuízo do vale-alimentação e refeição.

GLBTT:
Garantia de direitos iguais, sem burocracia, para companheiros(as) homossexuais relacionados aos direitos assistenciais. (ex: Metrus; creche; licença maternidade etc.)
Suporte aos funcionários metroviários homossexuais, Campanha de denúncia à homofobia e esclarecimento sobre os direitos já existentes e organização de uma pauta específica sobre o tema.

Assédio:
Que o Metrô realize palestras sobre assédio moral, sexual e constrangimento ministradas na integração dos novos funcionários, com a participação do Sindicato;

Saúde:
. Considerar a doença mental como doença do trabalho ou acidente de trabalho.
. Reduzir o custo de tratamentos mentais/psicológicos ao mesmo nível dos outros.
. Garantir os mesmo direitos de abono para o acompanhamento de pais dependentes à consultas médicas etc.
Inclusão dos procedimentos de escleroterapia e ATM aos procedimentos assistidos pela Metrus.
Gratuidade nas vacinas e exames prescritos pelo médico do trabalho;
Todos os empregados afastados por licença médica devem receber PR; 
Todos os empregados afastados por acidente do trabalho com limitações devem ter direito ao transporte até o término do tratamento mesmo após a alta;
Programa pré-aposentadoria para mulheres.
Uniformes e EPI’s que sejam adequados para funcionárias da manutenção e em mais quantidade nas áreas onde o uso não é obrigatório. 
Jaqueta para toda operação.

Negros(as):
. Cota para cargo de chefia e promoções assim como em ingresso via concurso público.

Organização Sindical:
Mulheres devem obrigatoriamente participar das setoriais;
Membro da Secretaria de Mulheres deve ser obrigatoriamente liberada durante o mandato 
Que entre todos os liberados, obrigatoriamente, uma tem de ser mulher
A secretaria de Mulheres deve divulgar suas ações e realizar reuniões permanentes com horários alternados e que sejam abertas;
Que as comissões paritárias de negociação de Ações Afirmativas se reúnam, no mínimo uma vez por mês, com a participação de representantes de base.

Outros:
O Sindicato dos Metroviários deve fiscalizar os concursos públicos do Metrô para evitar desigualdades entre homens e mulheres;
Bolsa Material escolar.

Fonte: metroviarios.org.br

Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Chega da violência contra as mulheres!

Chega da violência contra as mulheres!