sábado, 31 de janeiro de 2026

Emergência nacional:1 mês e 11 mulheres assassinadas no Rio Grande do Sul



Estamos findando o primeiro mês do ano  e o índice de feminicídios já é maior que o do mesmo período do ano passado, deveria ser tratado como emergência, não como estatística.

O que choca já não é só o crime. É a repetição do padrão e o grau de crueldade: facadas, tiros, corpos esquartejados e concretados, companheiros ou ex-companheiros, histórico de agressões, denúncias ignoradas.

É preciso dizer com todas as letras: muitas mulheres denunciam, sim. O problema é que elas são desacreditadas pelas instituições e pela sociedade.

Mulheres são desacreditadas quando relatam ameaças, quando pedem ajuda, quando solicitam medidas protetivas. Isso é machismo. É quando o risco vira exagero, o medo vira conflito conjugal e a violência vira briga de casal.

O caso de Marli escancara isso. Marli pediu medida protetiva em dezembro. A medida foi indeferida. Em janeiro, Marli foi assassinada.

Isso desmonta o discurso dos governos de que as mulheres não denunciam ou não pedem proteção. Elas pedem. O Estado nega.

A violência de gênero não é um desvio. Ela é projeto de dominação! Está enraizada nas relações íntimas, no convívio familiar e afetivo e acontece, na maioria das vezes, dentro de casa. 

O impacto não para na vítima. Atinge filhos, famílias e comunidades inteiras. Crianças e adolescentes perdem suas mães e crescem convivendo com traumas produzidos por uma violência que o Estado não se preocupa em impedir.

Quando o levantamento mostra que muitos assassinos já tinham passagem pela polícia, antecedentes por ameaça e lesão corporal e histórico de violência em relações anteriores, a pergunta é inevitável: o que o Estado e os governos fizeram antes do feminicídio?

Na maioria das vezes, a resposta é quase nada. Isso revela a negligência  do Estado.

Depois de anos de sucateamento, as medidas adotadas não impediram as mortes. A recém criada secretaria da mulher está imersa em dogmas religiosos e prática de assédio moral e o governador Eduardo Leite deixa o cargo por motivos eleitorais, enquanto mulheres seguem morrendo.

No plano municipal, a situação também é grave. A assistência social foi desmontada. A rede de apoio foi sucateada. Serviços foram precarizados ou interrompidos.

Sem recursos, não há prevenção. Sem monitoramente, a medida protetiva vira papel.

No plano federal, embora exista orçamento disponível, o governo Lula não executa os recursos e submete a proteção das mulheres ao arcabouço fiscal, que limita gastos justamente onde vidas estão em risco.

Em outubro de 2024, com o chamado Pacote Antifeminicídio, o Brasil passou a ter uma das penas mais severas do mundo para esse crime. A pena passou de 12 a 30 anos para 20 a 40 anos de reclusão. O feminicídio virou tipo penal autônomo e crime hediondo. 

E mesmo assim os feminicídios seguem acontecendo. E pior: a impunidade ainda é regra.

Isso deixa claro uma coisa. Embora a legislação seja importante e necessária,  apenas endurecer pena não salva mulheres.

O Estado reage depois, sob pressão popular. Prende depois. Pune depois, quando pune. Mas não previne.

E isso não é falha pontual. É estrutural.

Porque é impossível superar a violência contra as mulheres por dentro do capitalismo. Esse sistema se alimenta da opressão e da exploração, organiza a sociedade a partir do lucro e usa a violência como método permanente de controle social. O capitalismo não organiza só a economia. Ele organiza as relações sociais, os afetos, os papéis de gênero, raça e classe, a violência e o valor das vidas.

Diante da epidemia de feminicídios que está dizimando as mulheres,  todos os governos deveriam assumir medidas prioritárias,  com orçamento emergencial e força tarefa com ações em todas frentes , tal como vimos em outros casos de grave ameaça a população.  Mas essa não é a prioridade. A prioridade é garantir o lucro de empresários, as alianças para o período eleitoral e a manutenção de seus próprios privilégios. 

Por isso, não há saída real dentro dessa lógica. Superar a violência, a desigualdade e a discriminação exige romper com essa sociedade pautada no lucro e construir outro projeto. Um projeto socialista, construído e organizado pelo conjunto da classe trabalhadora, onde a vida valha mais do que o lucro e nenhuma mulher seja tratada como descartável. 

Feminicídio não é acaso. É expressão de um sistema. E sistemas podem e precisam ser derrubados.


#chegadefeminicidios

#emergêncianacional 

#mulheresemluta



quinta-feira, 6 de novembro de 2025

PDL 3/2025: mais um ataque reacionário aos direitos das crianças e adolescentes

 A Câmara dos Deputados aprovou, em regime de urgência, o Projeto de Decreto Legislativo 3/2025, de autoria da deputada bolsonarista Chris Tonietto (PL-RJ). O texto revoga a Resolução 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que garantia atendimento humanizado a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual — inclusive nas situações em que a gravidez é resultado de estupro. A aprovação do PDL é um ataque direto ao direito ao aborto legal e à proteção das meninas mais pobres e vulneráveis do país.

O que o PDL 3/2025 faz

A Resolução 258/2024 do Conanda foi um avanço construído a partir da luta dos movimentos sociais. Ela estabelece diretrizes para o acolhimento imediato das vítimas, garantindo o acesso ao aborto legal sem a necessidade de boletim de ocorrência, autorização judicial ou consentimento dos responsáveis — justamente porque, em muitos casos, os responsáveis são os próprios agressores.

O PDL 3/2025 revoga essas garantias e recoloca crianças violentadas sob tutela de instituições e famílias que, frequentemente, perpetuam a violência. Em nome de uma suposta “defesa da vida”, a Câmara aprovou uma medida que condena especialmente meninas a maternidades forçadas, sofrimento psicológico e risco de morte. Trata-se de um projeto profundamente reacionário, que expressa o avanço da extrema-direita e da moral religiosa sobre o corpo das mulheres.

Um Parlamento a serviço da extrema-direita

A aprovação em regime de urgência — sem debate público, sem comissões, sem ouvir especialistas — mostra a força das bancadas religiosas e conservadoras, que seguem pautando o Congresso com sua cruzada contra os direitos das mulheres e da infância. No mesmo dia, a Câmara aprovou o aumento das penas para crimes contra animais silvestres, enquanto nega humanidade às crianças violentadas. É o retrato de um parlamento que usa a retórica da “proteção à vida” para seguir permitindo os direitos dos estupradores.

A responsabilidade do governo Lula

Mas a responsabilidade não é apenas da extrema-direita. O governo Lula também tem culpa direta neste retrocesso. Ainda em 2024, o próprio governo tentou barrar a aprovação da Resolução 258 no Conanda, cedendo à pressão das bancadas religiosas. O Ministério dos Direitos Humanos e o Ministério da Saúde se omitiram, enquanto o Ministério das Mulheres foi isolado e silenciado.

Além disso, o governo se recusa sistematicamente a pautar a legalização do aborto como uma questão de saúde pública e de justiça social. Esconde o tema atrás do cálculo eleitoral e da “governabilidade”, como se os direitos das mulheres fossem moeda de troca com o fundamentalismo. Enquanto isso, meninas pobres e negras seguem morrendo em abortos inseguros, sendo criminalizadas ou obrigadas a levar adiante gravidezes fruto de estupro.

Não enfrentar a extrema-direita é fortalecê-la. O silêncio do governo diante dessas medidas reacionárias, é cumplicidade. O medo de perder apoio parlamentar está custando vidas de meninas.

A quem serve esse ataque

O PDL 3/2025 não defende a infância, defende a dominação sobre nossos corpos e nossas vidas. Ao retirar das meninas o direito de decidir, ele reforça a lógica da propriedade masculina sobre o corpo feminino. Impõe a maternidade compulsória e reafirma a ideia de que as mulheres nasceram para obedecer e sofrer. É a mesma lógica que fundamenta o racismo, a pobreza e as múltiplas violências que o Estado perpetua.

As maiores vítimas dessa política são as meninas trabalhadoras, negras e periféricas, que enfrentam a violência cotidiana e encontram no Estado apenas repressão e abandono. São elas que, diante de um sistema de saúde precarizado e de escolas sem estrutura, pagarão com a vida o preço dessa ofensiva moral.

É preciso barrar no Senado e nas ruas

O Movimento Mulheres em Luta convoca todas as organizações de mulheres, entidades estudantis, sindicatos e movimentos populares a se mobilizarem para barrar o PDL 3/2025 no Senado. Precisamos denunciar o caráter reacionário dessa medida e a hipocrisia de um governo que se diz progressista, mas se cala diante da ofensiva da extrema-direita.

Não aceitaremos que o país retroceda às trevas. Defender o aborto legal, seguro e gratuito é defender o direito à vida, à saúde e à dignidade das mulheres, meninas e corpos que gestam. É afirmar que nenhuma criança deve ser forçada a ser mãe, e que nenhuma mulher deve morrer por falta de atendimento.

Nossa luta é por um Estado laico, pela separação entre fé e política, e por um governo que realmente enfrente o fundamentalismo, e não se ajoelhe diante dele.

Nem tutela, nem silêncio: meninas têm direito a viver, decidir e ser livres.

Movimento Mulheres em Luta (MML)

     6 de novembro de 2025






sexta-feira, 28 de março de 2025

**NOTA DE REPÚDIO DO MOVIMENTO MULHERES EM LUTA (MML)**



O Movimento Mulheres em Luta (MML) manifesta seu mais veemente repúdio à decisão escandalosa do Tribunal Superior da Catalunha, que anulou a condenação do jogador Daniel Alves pelo crime de estupro.

 Essa sentença é um golpe contra todas as mulheres, especialmente num momento em que, a violência machista e os casos de estupro seguem crescendo. A mensagem é clara: os abusadores podem contar com a impunidade, enquanto as vítimas são humilhadas e desacreditadas.  

Mais uma vez, a palavra da mulher foi posta em dúvida, mesmo quando ela agiu conforme a lei: denunciou na hora, acionou a polícia imediatamente, realizou exames que comprovaram o abuso e, inicialmente, a própria Justiça reconheceu que houve crime. Agora, o tribunal superior decide que "não basta". O que mais seria necessário? Só se o agressor confessasse! Ou será que, para essa Justiça burguesa, nenhuma prova é suficiente quando o acusado é um homem rico e poderoso?

É revoltante que um tribunal majoritariamente feminino tenha tomado essa decisão, mostrando que não basta ser mulher para combater o machismo – é preciso romper com a estrutura classista e misógina que protege os privilegiados. Daniel Alves, um milionário famoso, já cumpria pena em liberdade provisória, um privilégio que trabalhadores e pobres jamais teriam. Enquanto isso, a vítima segue revitimizada, e a sociedade recebe a mensagem de que dinheiro e poder compram a impunidade.  

Não aceitamos essa dupla violência: a do estupro e a da Justiça que protege os agressores! Chamamos todas as mulheres trabalhadoras a se indignarem e se mobilizarem, porque só pela pressão social que a organização e a luta coletiva fazem podemos mudar essa realidade. A Justiça é uma instituição burguesa e existe para cumprir esse papel. A história já mostrou que nenhum direito foi conquistado sem enfrentamento e não será diferente agora, por isso a mobilização por baixo é a única saída.  


**BASTA DE IMPUNIDADE! PELA DIGNIDADE DAS MULHERES!**  

**PUNIÇÃO PARA DANIEL ALVES E TODOS OS ESTUPRADORES!**  

**MOVIMENTO MULHERES EM LUTA (MML)**




quinta-feira, 9 de maio de 2024

MML Rio Grande do Sul 

Diante da maior tragédia climática e social no RS, fruto da irresponsabilidade e ganância de governos e empresários, mulheres e meninas são as mais vulneráveis e enfrentam, não só as enchentes, mas também a violência sexual. Casos de estupros em abrigos vem à tona! Uma menina de 6 anos, resgatada sem os pais, foi para um abrigo em Viamão, sem água e luz, onde sofreu abuso sexual. Outros estupros em abrigos contra mulheres foram denunciados, e estão sendo apurados em Canoas e Vale dos Sinos. 5 já foram confirmados e 6 pessoas presas. Os abusadores seguem o padrão, são parentes e próximos às vítimas.

Há mulheres, com crianças, com medidas protetivas, convivendo no mesmo abrigo com seus agressores. Abrigos mistos sem banheiros separados e monitoramento. Falta de preparo para lidar com as vítimas de violência e canais adequados às denúncias. Situações inaceitáveis que exigem medidas dos governos para combater a violência machista e a cultura do estupro.

Não bastasse a população ter tido que sair de casa, deixando para trás todos os seus pertences, por negligência de governos que não fizeram ações preventivas a mais esta tragédia anunciada, as mulheres padecem também pela falta de recursos em políticas contra à violência machista e a naturalização da violência sexual. 

Em tempos comuns, o Centro Estadual de Atenção às Vítimas de Violência já funcionava na garagem do Centro Administrativo na capital. A cada duas horas um estupro vinha sendo registrado no estado, e apenas 8,5% chegava ao conhecimento do poder público. 

Exigimos que os governos das 3 esferas (municipal, estadual e federal) assumam suas responsabilidades, e executem medidas efetivas para garantir a segurança e dignidade das pessoas nos abrigos, locais adequados, preparados para acolher a população, seguros e que coíbam todo tipo de violência, principalmente o abuso sexual contra mulheres e meninas.

O conjunto dos(as) trabalhadores(as) tem dado exemplo de auto organização e solidariedade de classe, que sejam eles(as) então que decidam o destino dos valores arrecadados em doação, com conselhos populares e transparência nas destinações. Nada de deixar o dinheiro na mão do setor privado!

Que parte do valor destinado à dívida público estadual seja destinado à estruturação da rede de atenção às vítimas da violência machista. 

Que tenha um plano de obras públicas para reconstrução das moradias e que mulheres em medida protetiva tenham prioridade no realojamento.

Não temos dúvida que a combinação do machismo e do capitalismo é que impõe essa realidade tão cruel para nós mulheres. Por isso, os governos não assumem a concretização dessas medidas, pois administram os interesses dos ricos e poderosos. Para arrancar, de fato, a garantia de todas as nossas demandas, devemos enfrentar os governos de plantão e também destruir o sistema capitalista que lucra com a nossa opressão e sofrimento. Vamos juntas fortalecer essa luta!



domingo, 22 de outubro de 2023

Outubro rosa: mulher, se toque! E venha lutar em defesa da saúde pública



Por Marcela Azevedo

O mês de outubro é marcado, internacionalmente, pela campanha de conscientização e prevenção do câncer de mama. A campanha teve início em 1990, a partir da Fundação norte americana “Susan G. Komen for the cure”.

Esse tipo de câncer é o que mais acomete mulheres em todo o mundo. No Brasil, tratar do tema é deveras importante, visto que o câncer de mama é o tipo que mais mata mulheres no país. Para 2023 a estimativa era de 73.610 novos casos de câncer de mama, assim como o risco foi estimado de 66,54 casos para cada 100mil mulheres.

A prevenção é o melhor remédio

O câncer de mama é raro antes dos 35 anos, grande parte dos nódulos são benignos, ou seja, não são cancerígenos, e podem acometer tanto mulheres quanto homens. Não existe uma forma de impedir o surgimento dos nódulos na mama, entretanto, quando identificado e tratado precocemente, as chances de cura são de 95%.

Por isso, é parte das orientações médicas, realizar o exame de toque nas mamas para identificar qualquer tipo de caroço (nódulos), alterações no bico do peito, pele avermelhada, saída de líquido das mamas que são os principais sintomas e sinais do câncer de mama. Além disso, deve se realizar a ultrassonografia de mama, a cada 02 anos, antes dos 40, e anualmente, após essa idade.  

As mulheres que, culturalmente, foram educadas a não tocar seu corpo, sofrem mais essa consequência da opressão machista. Ou seja, muitas vezes, não identificam precocemente os sinais do câncer de mama, devido à falta de hábito ou por não se sentirem autorizadas a fazer o toque da mama. Devemos ter como medida de educação em saúde, o combate ao machismo e à imposição de comportamentos conservadores as mulheres, que atentam contra sua própria saúde.

Acesso ao tratamento é um direito!

Entretanto, a opressão machista não é a única barreira para garantir a prevenção e tratamento do câncer de mama. Os nódulos, podem ou não ser identificados ao toque, e em ambos os casos é necessário acompanhamento profissional para orientações e medidas de cuidado. Os sucessivos cortes no orçamento da saúde e o sucateamento do SUS, visando a sua privatização, são medidas que afetam diretamente as mulheres trabalhadoras.

Em todos os governos, desde que o SUS foi implementado, os ataques à sua estrutura e abrangência foram constantes. No governo FHC, na década de 90 foram criadas as primeiras Organizações sociais - OS’s e Organizações de sociedade civil de interesse público - OSCIP’s , que assumiram a administração dos hospitais públicos de grande porte. Esse tipo de administração desresponsabilizou o governo de investir na saúde e desviou verba para a iniciativa privada.

Com os primeiros governos do PT a atuação das OS’s e OSCIP’s se expandiram para a atenção básica, aprofundando a terceirização e precarizando os serviços públicos. Os concursos públicos foram quase inexistentes, sendo que a contratação de equipes seguiu a lógica de mercado e não de demanda da população. É comum vermos essas empresas atrasarem salários e os profissionais abandonarem os postos de saúde. Além disso, é constante a quebra de aparelhos ou a falta de outros recursos para garantir a realização de exames ou tratamentos.   

No governo Temer, com a criação da PEC do teto de gastos, se aprovou o congelamento dos investimentos nas áreas sociais, incluindo saúde e educação, por 20 anos. Os governantes afirmam que o teto de gastos é uma medida de responsabilidade fiscal, mas, na verdade, é uma forma de garantir o envio de dinheiro público para as dívidas sem fim com setores da burguesia, que não renunciam a seus lucros.

Durante o governo Bolsonaro, além dele não ter feito nada para proteger a população durante a pandemia, ainda realizou cortes no orçamento da saúde e paralisou todos os demais atendimentos, sem garantir uma política de atenção a demanda represada, pós-período pandêmico, o que gera consequências até hoje para a população.

Seguindo essa mesma lógica, de preservação dos interesses dos ricos e poderosos, o governo Lula/Alckmin tenta implementar um teto de gastos ainda pior, com o arcabouço fiscal. Somente no último bloqueio de verbas, realizado no início do segundo semestre, foram cortados R$1,5 bilhão do orçamento de 2023. O setor da saúde teve o maior corte com R$ 452 milhões.

Lutar pela saúde pública e gratuita é defender nossas vidas!

Diante da real situação enfrentada pelas mulheres trabalhadoras, que precisam superar inúmeras barreiras para preservar suas vidas, nós, do Movimento Mulheres em Luta, chamamos as mulheres a se tocarem, enfrentando o machismo e priorizando o autocuidado. Contudo, precisamos ir além e nos organizarmos, com independência dos governos e patrões, para lutar em defesa do SUS; da saúde pública, gratuita e de qualidade; contra qualquer forma de teto dos gastos, que prioriza o lucro de poucos, em detrimento das necessidades da maioria da população; por uma sociedade sem opressão e sem exploração, na qual nossos direitos elementares sejam garantidos plenamente.

 

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

PLENÁRIA NACIONAL DO MML: ESTÁ LANÇADA NOSSA REVISTA DE 15 ANOS !


Sábado à noite, no dia 09/09, aos poucos, o auditório nobre inferior do clube Guapira começou a receber várias companheiras e companheiros animados para acompanhar o lançamento da revista comemorativa de 15 anos do Movimento Mulheres em Luta. 

Mesmo após um dia inteiro de trabalhos políticos, no congresso da Csp Conlutas, o espaço reuniu cerca de 200  pessoas que entoavam palavras de ordem e aplaudiam orgulhosos cada memória dessa trajetória de 15 anos enfrentando  o machismo e a exploração capitalista. 

Logo de início, ouvimos a companheira Oksana Slobodyana, enfermeira ucraniana, que é parte da resistência de trabalhadores à invasão russa. 

Na sequência, a companheira Ana Rosa Minutti, uma das fundadoras do MML, relembrou que lá em 2008 os marcos da construção do movimento foram justamente a independência de classe e a necessidade de responder aos ataques do governo do PT que, naquele momento, tinha os movimentos de mulheres majoritários do país sob o seu comando. Ana falou sobre toda a mobilização pela base para levar o MML ao conhecimento das trabalhadoras.  Citou a construção civil de Belém que reuniu a s operárias para discutir a sua condição de trabalho e de vida, além das trabalhadoras da confecção feminina do Ceará que também organizaram encontro para propor a construção desse processo de luta contra o machismo e a exploração

E não tinha como ser diferente já que o projeto do movimento mulheres em luta surge no seio da CSP conlutas, uma central diferenciada, que se propunha a organizar os trabalhadores a partir das formas proposta por eles próprios e uma das metas do movimento era, justamente, criar e fortalecer as secretarias de mulheres nos sindicatos. 

De maneira poética, Ana refletiu que " nossos sonhos e lutas não cabem em uma revista, mas ter documentado uma parte delas, é muito importante". 

A companheira Marcela Azevedo, da Executiva Nacional do MML,  iniciou sua fala ressaltando o orgulho de construir uma ferramenta que, há 15 anos, organiza as mulheres trabalhadoras para enfrentar o machismo e a exploração capitalista.

Ela pontuou a atualidade do recorte de classe na luta contra o machismo. Já que, muito tem se falado sobre a questão das mulheres, e em várias rodas de conversa surge o tema do papel e do lugar das mulheres na sociedade, porém, grande parte dos movimentos de mulheres que existem hoje apontam o caminho da conciliação de classe,o que vai levar as mulheres trabalhadoras, inevitavelmente, a uma derrota, pois, não é verdade que mulheres ricas e mulheres trabalhadoras vivem a opressão da mesma forma. Ela ressaltou que "as mulheres ricas se aproveitam da opressão para super explorar as mulheres da classe trabalhadora". 

Diante do acordo político de organizar as mulheres trabalhadoras, o MML busca reconhecer, respeitar e impulsionar o protagonismo da diversidade de mulheres da nossa classe, como: as mulheres negras; as mulheres indígenas; as mulheres LBTI's, já que cada uma delas tem demandas específicas na vivência da opressão e exploração. 

Marcela afirmou que "A revista foi produzida a muitas mãos e todas que constroem o movimento estão representadas em suas linhas", finalizando sua fala destacando que "foram 15 anos de desafios de obstáculos, mas também de muitas alegrias ao perceber a força que as mulheres trabalhadoras têm para se auto organizarem e impulsionar a luta do conjunto da classe".

Como parte de sua tradição, a plenária do MML contou com a saudação de companheiras de outros países, vindas do Equador e da França, além da ativista Palestina, Soraya Misleh e da representante do Quilombo Raça e Classe, Maristela Farias.

Vários companheiros estiveram no plenário, acompanhando a atividade. Ficamos muito felizes, pois essa é a nossa concepção, de unificar toda a classe contra o machismo e as opressões, para que, de conjunto, nós possamos golpear o capitalismo, nosso maior inimigo.

 A revista teve 2.000 exemplares na primeira tiragem e, até o momento da plenária, já estava com mais de 1.700 reservadas para serem levadas a várias cidades, de diferentes regiões do país. O desafio, após o lançamento, é fazer com que a revista chegue em cada local de trabalho, de estudo e moradia para que as mulheres não só conheçam a história do mml, como se sintam representadas nela e sintam que há um movimento que pode abarcar suas demandas e fortalecer a sua luta. 

Para o próximo semestre, a tarefa do MML é construir as lutas do dia 28 de Setembro- Dia de luta pela legalização do aborto; e 25 de novembro, que será tomado como dia de emergência nacional contra a violência às mulheres, e, no calor dessas lutas,  realizar  o lançamento da revista em suas cidades.









quarta-feira, 16 de novembro de 2022

MOÇÃO DE REPÚDIO À DEMISSÃO DO COMPANHEIRO MANCHA

 


Em uma decisão arbitrária e anti-sindical, a General Motors, em São José dos Campos, demitiu o dirigente sindical Luiz Carlos Prates, mais conhecido por Mancha. A demissão foi comunicada na última quinta-feira (10).

Mancha é metalúrgico da GM há 35 anos e foi surpreendido pela direção da fábrica, que o demitiu de maneira unilateral. Ele havia retomado recentemente sua função na fábrica, de eletricista de manutenção.

Ao longo de mais de três décadas, o dirigente sindical esteve à frente de inúmeras mobilizações e greves em defesa dos trabalhadores da GM. Também atuou diretamente em negociações com a fábrica, nas Campanhas Salariais e de PLR.

Atualmente, Mancha é membro da Secretaria Executiva Nacional da central sindical CSP-Conlutas. Por isso, tem direito à estabilidade no emprego.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região enviou uma notificação extrajudicial ao diretor de relações trabalhistas da GM, exigindo o cancelamento imediato da demissão e reversão desse abuso de direito. A GM violou o artigo 8º da Constituição Federal, bem como a Convenção 98 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ambos se referem à liberdade sindical.

O Movimento Mulheres em Luta se solidariza com o companheiro Mancha e nos somamos à luta em defesa da sua reintegração. Repudiamos a perseguição política a esse dirigente histórico e lutador. É inadmissível e um desrespeito à liberdade de organização da classe trabalhadora.

Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Chega da violência contra as mulheres!

Chega da violência contra as mulheres!