quarta-feira, 28 de setembro de 2016

28 de setembro – Dia latino americano e caribenho de luta pela descriminalização e legalização do aborto: Nossas pautas também estão em jogo, é hora de unificar a classe trabalhadora!



Marcela Azevedo, da Executiva Nacional do MML e da Secretaria Executiva da CSP Conlutas


No Brasil uma mulher morre vítima de aborto clandestino a cada dois dias, estima-se que em torno de 1 milhão de abortos sejam realizados por ano, sendo essa a 5ª causa de mortalidade materna em nosso país. Muitas dessas mulheres quando sobrevivem ao procedimento, ficam com sequelas físicas e psicológicas para o resto da vida.

 As principais vítimas são as mulheres pobres, negras e com baixa instrução. A 1ª pesquisa realizada sobre o tema pelo IBGE, em 2015, apontou que nas regiões mais pobres do país os números são gritantes. No Nordeste, por exemplo, o percentual de mulheres sem instrução que fizeram aborto provocado (37% do total de abortos) é sete vezes maior que o de mulheres com superior completo (5%). Entre as mulheres negras, o índice de aborto provocado (3,5% das mulheres) é o dobro daquele verificado entre as brancas (1,7% das mulheres). Conforme mostra a imagem abaixo:

Regiões onde houve mais abortos provocados no Brasil*




São as mulheres da classe trabalhadora que estão morrendo ou sendo criminalizadas. As mulheres ricas conseguem pagar entre R$ 5 e 8 mil reais em clínicas clandestinas e receber atendimento discreto, seguro e de qualidade. Para as que não têm esse dinheiro, o Estado reserva a prisão e o julgamento social. 

Crise econômica e mais opressão sobre as mulheres

Na atual situação econômica do país, as mulheres são as mais prejudicadas com todas as consequências da crise, seja porque são as primeiras a serem demitidas e a perder sua renda, assim como são o principal alvo dos governos na retirada de direitos, seja porque toda a vulnerabilidade e insegurança que vive a população em geral faz aumentar a violência e o machismo.

Não é a toa que no 1º semestre de 2016, comparado com o 1º semestre de 2015, tivemos um aumento de 2% nos casos de estupro em São Paulo. A pesquisa divulgada pelo Datafolha, recentemente, também evidencia o grau de naturalização da violência machista, revelando que 1 a cada 3 brasileiros responsabilizam a mulher quando essa é estuprada, levantando questões como o tipo de roupa, o local em que estava ou o comportamento social como argumento para tal julgamento.

A perspectiva, infelizmente, não é de melhora para as trabalhadoras. Pois, Temer segue aplicando a mesma cartilha do PT e aponta ataques duríssimos ao conjunto da classe, em especial as mulheres. A reforma da previdência, deverá aumentar em 5 anos o tempo de contribuição feminina para se aposentar; desvincula o valor da aposentadoria do salário mínimo, ou seja, as mulheres que são 70% da população que recebe esse valor podem receber ainda menos de beneficio;  enquanto a reforma trabalhista  visa colocar o que for acordado nas convenções coletivas acima do que está na lei, deixando as mulheres em situação de total vulnerabilidade, já que são elas as que tem vínculo e organização sindical mais frágeis.  

Outra medida do governo que vai na contramão de nossos interesses é a PEC 241 que pretende congelar por 20 anos os investimentos nos serviços públicos como educação, saúde e moradia. Se atualmente já não há atendimento as necessidades sociais da população, imagina com restrição de investimento. Essa lógica precisa ser invertida e o governo precisa tomar os problemas de saúde pública, como a questão do aborto, de maneira prioritária.

A quem interessa os mitos que rondam o tema do aborto?

No ano passado, vimos tramitar no congresso o PL 5069/13 de autoria de Eduardo Cunha, deputado recentemente cassado. Esse projeto impede as mulheres vítimas de violência sexual a prevenir uma gravidez e criminaliza o profissional de saúde que prestar alguma orientação sobre o tema a paciente. Cunha, que dizia defender esse projeto em nome da família e de uma moral religiosa, foi desmascarado na operação Lavo-jato, sendo confirmado o desvio de milhões de reais para sua conta na Suíça.  

Além desse, outros projetos como o bolsa-estupro que prevê 1 salário mínimo mensal para a mulher vítima de violência sexual e obriga a criança a ter o nome do estuprador em seu registro de nascimento, bem como a luta de setores conservadores para impedir que fosse regulamento o atendimento as mulheres no SUS nos casos já previstos na Lei brasileira em que o aborto é permitido, evidenciam que  há uma forte pressão para retirar o mínimo de direto já conquistado.
Contudo, esses são os mesmos setores que se beneficiam da pobreza e da necessidade da população, super- explorando e manipulando os setores mais pauperizados, pois, quando essa mesma mulher que é obrigada a ter um filho vai procurar um emprego não tem, quando vai procurar uma unidade de saúde para fazer pré-natal não tem, quando vai procurar uma creche pública para deixar seu filho não tem. Mas tem dinheiro para ser desviado ou para garantir privilégios dos políticos e o lucro dos empresários.

Pesquisas realizadas no Brasil mostram que as mulheres que realizam o procedimento são pessoas normais, tanto quanto você que lê esse texto, sua mãe, esposa ou irmã. A maioria é religiosa: católicas (66%) e protestantes (25%), casadas (64%) e já tem outros filhos (81%). No Uruguai, um dos poucos países da América Latina que pratica aborto de forma legal e que legalizou a pratica em 2012, evidencia que nesses anos não houve um aumento significativo no número de casos e, o mais importante, não houve nenhuma morte por conta de procedimentos inseguros.
É sobre essa perspectiva que tratamos o assunto.  Não se trata de uma decisão de cunho religioso ou moral, tampouco se pode tomar uma opinião individual de maneira generalizada, ou seja, a partir da opinião de alguns impor uma sentença para todas as mulheres. Essa é uma questão de saúde pública. Pela vida das mulheres trabalhadoras é necessário exigir educação sexual e contraceptivos para prevenir; aborto legal, seguro e gratuito para não morrer.  

Nas ruas com os trabalhadores é onde podemos arrancar conquistas

Diante de toda essa conjuntura o que resta para as mulheres trabalhadoras é a luta. Já demonstramos muita disposição para isso no último período. Construímos greves, manifestações, ocupamos escolas e prédios públicos, fomos milhares contra a cultura do estupro e todo tipo de naturalização do machismo. Estivemos nas mobilizações específicas, aquelas que tratam de coisas que nos afetam diretamente por sermos mulheres, mas também estivemos ao lado dos nossos companheiros de classe defendendo o emprego e direitos trabalhistas.
Agora é a hora de unificar a classe trabalhadora e encampar todas as reivindicações de maneira combinada. Bandeiras como a legalização do aborto são parte daquilo que o governo quer nos tirar, não podemos dar nenhuma trégua. Para isso é fundamental que os homens trabalhadores estejam do nosso lado, entendendo que se perdemos eles perdem também, se nos atacam, eles também estão sendo atacados.

Por isso, amanhã, 29 de setembro, Dia Nacional de Paralisação chamado pelos metalúrgicos e encampado por vários outros setores como construção civil, químicos, educação, funcionalismo público, movimento popular é espaço também para ocuparmos as ruas e levarmos nossas pautas, fortalecendo a resistência e construindo as condições para uma greve geral que barre os ataques do governo Temer e do congresso corrupto.
ü
  •     Pelo direito a educação sexual nas escolas e unidades de saúde! Acesso a contraceptivos gratuitos e de qualidade! Assistência psicossocial a mulheres que enfrentam uma gravidez indesejada!

  •      Pela descriminalização e legalização do aborto! Que os procedimentos sejam feitos no serviço público, de maneira segura e gratuita!

  •         Basta de violência contra a mulher! Contra o PL5069 /13 e o bolsa estupro!

  •      Contra a reforma da previdência e trabalhista! Estabilidade no emprego. Redução da jornada, sem redução do salário! Salario igual para trabalho igual! 

  •        Licença maternidade de 1 ano! 

  •        Creches públicas, gratuitas, de qualidade e em tempo integral!







* Veja onde se faz mais aborto no Brasil, segundo o IBGE:  http://www.brasilpost.com.br/2015/08/21/estados-aborto-no-brasil-_n_8022824.html

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Nas olimpíadas e nas ruas, nossa luta segue contra a opressão e a exploração capitalista!

Por Marcela Azevedo, da executiva Nacional do MML

Mesmo antes de começar, as olimpíadas no Rio de Janeiro já foram marcadas pelo caso de estupro acontecido na vila olímpica. Esse caso foi só uma demonstração do que as mulheres, e demais setores oprimidos, teriam que enfrentar para provarem seu talento e garantir respeito no evento.

A seleção feminina de futebol brasileiro bateu um bolão, mesmo assim Marta, uma das craques do time, teve que se pronunciar ao ser diversas vezes comparada ao Neymar. Da mesma forma que a ginasta norte-americana Simone Biles teve que disparar “Não sou o próximo Bolt ou Phelps, sou a primeira Simone Biles” ao ser comparada com atletas masculinos.

Ainda tiveram outros episódios bizarros como o coro chamando “bicha” durante partida de futebol, os gritos também homofóbicos de uma torcedora contra a goleira da seleção brasileira de handebol, a proibição de manifestação de uma mulher iraniana que carregava uma faixa escrita “deixem as mulheres iranianas frequentarem seus estádios” para chamar a atenção ao tratamento opressor que as mulheres recebem naquele país.

Mas se é verdade que são muitos os casos de machismo, racismo e lgbtfobia ocorridos nos jogos olímpicos, também é verdade que a reação dos setores oprimidos tem sido a altura. Rafaela silva que nos deu o primeiro ouro contra o racismo; o fato dessa olimpíada ser considerada a

mais gay da história, com 48 atletas lgbt’s; Joana Maranhão foi eliminada das piscinas, mas subiu ao pódio ao denunciar ameaças machistas e racistas que sofreu. Teve ainda o judoca egípcio que recusou a cumprimentar o atleta israelense, numa manifestação de apoio ao povo palestino.

O que se evidencia nessas olimpíadas é que ainda temos muita luta para travar contra a opressão, sobretudo quando ela é colocada a serviço da exploração e do lucro dos ricos. Porém, também está evidente que existe muita disposição para enfrentar essa batalha, seja na arena das competições esportivas, seja nas ruas, junto da classe trabalhadora, até porque é só com essa unidade que podemos ser verdadeiramente vitoriosos na derrota do machismo, do racismo, da lgbtfobia, da xenofobia e da exploração capitalista.  




sábado, 13 de agosto de 2016

16 de Agosto: Dia das mulheres irem á luta por emprego, contra a retirada de direitos e a violência!




Os trabalhadores seguem sendo os principais afetados pela crise econômica. Os ataques iniciados no governo Dilma só se aprofundam com Temer, no intuito de garantir os interesses de empresários e banqueiros.

O país já acumula 12 mil pessoas desempregadas, entre estas a maioria são mulheres. A taxa de desemprego para as trabalhadoras (de 12,7%) supera até o índice nacional que foi de 10,9% no primeiro trimestre do ano. Os jovens também amargam os maiores índices de desocupação.

Falta emprego e sobram tentativas de retirar os direitos conquistados com muita luta. A reforma da previdência, que visa igualar a idade para aposentadoria de homens e mulheres, e pretende aumentar o tempo de contribuição de todo mundo, é um deles. Também avança a terceirização, a privatização das estatais e a aprovação de projetos como a PLP 257 e a PEC 241 que sucateiam e diminuem os investimentos nos serviços públicos.

Fica evidente, pelo conteúdo das propostas, que serão as mulheres trabalhadoras as mais penalizadas por todas essas reformas, visto que já somos nós as que ocupam os postos de trabalho mais precarizados, que recebemos os menores salários e que acumulamos a dupla jornada, devido o trabalho doméstico.


Contudo, para nós os prejuízos não param por aí. Outro efeito sentido nessa conjuntura de crise é o aumento do machismo e da violência contra as mulheres. Casos como o estupro coletivo no RJ; o aumento no número de assassinato de mulheres, sobretudo as negras e transexuais; e de outras violências institucionais como PL5069/13 de Eduardo Cunha, são exemplos do aprofundamento da opressão. Recentemente, denunciamos o caso de estupro cometido pelo deputado Marco Feliciano, um dos políticos que mais tem atacado os direitos democráticos de mulheres, negros e negras e lgbt’s.

 

Por isso, nós do Movimento Mulheres em Luta, estaremos nas ruas construindo um grande Dia Nacional de Mobilização, na próxima terça-feira 16 de agosto. Junto com a CSP-Conlutas e diversas centrais sindicais, vamos denunciar os ataques desse governo e defender nossos direitos. Nesse sentido, é importante dizer que nossa manifestação não é pelo volta Dilma, já que foi ela que começou a aplicar essas medidas aprofundadas por Temer. Nossa luta é para por pra fora o Temer e todos aqueles que oprimem e exploram as mulheres. Avançar numa greve geral para derrotar o ajuste fiscal.

Fazemos um chamado aos demais movimento de mulheres do país para se somarem nesse importante dia de mobilização na defesa dos interesses das mulheres trabalhadoras.



#Em defesa do emprego e direitos!

#Contra a PLP 257 e a PEC 241!

#Não a terceirização e a privatização!

#Contra a reforma da previdência e a trabalhista!

# Basta de violência machista! Por mais investimentos nas políticas para mulheres!

#Fora Temer! Fora todos que oprime e exploram as trabalhadoras!


 


terça-feira, 9 de agosto de 2016

Basta de Cultura do estupro. Fora Feliciano! Fora todos que oprimem e exploram as mulheres!


Feliciano está sendo acusado de estupro pela jovem Patricia Lelis. A vítima apresentou gravações e mensagens do deputado que comprovam a violência psicológica, física e sexual. 


Na esperança de ter algum suporte, Patricia procurou o alto escalão do PSC, partido de Feliciano e também da vítima, porém o que encontrou foi mais ameça e represália. Desde o assessor do deputado até o presidente nacional do partido, Pastor Everaldo, buscaram impedir as denuncias e coagir a jovem. 


É importante lembrar que outros partidos e políticos já se calaram frente as atrocidades de Feliciano. Foi o que fez o PT quando permitiu a presença do deputado à frente da comissão de direitos humanos mesmo quando ele defendia a "cura gay", a inferioridade da raça negra e a opressão das mulheres. 


Também é importante dizer que como Feliciano, vários outros reacionários estão atacando nossos direitos enquanto setores oprimidos e enquanto classe. 

Cunha, Bolsonaro e Malafaia representam o mesmo projeto político de Feliciano e se valem da fé e religiosidade das pessoas para lhes garantir apoio. Temer, assim como seu governo antecessor, mantem os mesmos acordos e se alia a esses setores contra a população. 

Por isso, devemos nos mobilizar para por fim a cultura do estupro, mas também para denunciar a negligência dos governos. 


Temos que por para fora o Feliciano, mas também Temer e todos os reacionários e corruptos do congresso, construir uma grande greve geral contra a cultura do estupro, o machismo e os ataques aos nossos direitos. 


Vamos unificar mulheres e homens da classe trabalhadora nesta luta!

‪#‎Cassação‬ e cadeia para Feliciano!
‪#‎Punição‬ a todos os envolvidos!
‪#‎Basta‬ de cultura do estupro! Basta de violência contra as mulheres!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Aquilombar o MML para unificar as mulheres trabalhadoras! Fora Temer fora todos que nos oprimem e exploram

# “Mulheres Pretas têm história” - Manifesto aprovado no encerramento do 1º Seminário Nacional de Mulheres Negras do MML



Nós, mulheres trabalhadoras negras e não negras, indígenas, quilombolas, camponesas, trans, lésbicas, bissexuais, haitianas, africanas, cubanas e brasileiras estivemos presentes ao I seminário de mulheres negras do MML, com o objetivo de discutir a relação de gênero, raça e classe, resgatando a história de luta e resistência das mulheres negras.
O Seminário foi realizado nos dias 23 e 24 de julho, organizado pelo Movimento Mulheres em Luta, Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe e setoriais da CSP-Conlutas, e contou com a presença de 400 trabalhadoras que reafirmaram: “As Mulheres Pretas têm História. E fazem História”.
Não por coincidência, o seminário se realizou no mês das pretas, em que comemoramos o dia internacional latino-americano e caribenho da mulher negra e o dia da mulher africana, num momento em que há um ascenso das lutas negras em todo o mundo.
A luta classista deve necessariamente ter um recorte de gênero e raça, pois se é verdade que o machismo é um inimigo mortal das mulheres trabalhadoras, também é verdade que no caso específico das mulheres negras, o machismo aliado ao Racismo age violentamente, faz com que suas identidades sejam negadas, furtadas e violadas pelo sistema.
Lutar contra o racismo e derrotar a visão de um movimento de mulheres embranquecido são condições para unificar as trabalhadoras e construir um movimento de mulheres realmente classista e socialista.
Um ponto de acúmulo do debate foi a especificidade da mulher negra. Isso significou debater o que é ser negra: é o reconhecimento da discriminação carregada de sentido, que vai desde o corpo, a cor da pele e o afastamento de seu território de origem. As mulheres negras são as únicas que, antes mesmo de serem identificadas como mulheres, são estigmatizadas pela cor da pele, o que faz com que sejam desumanizadas. Seu corpo é transformado em objeto hipersexualizado. Identidade que lhe foi roubada pela dispersão da diáspora, pela escravidão e pelo submetimento de povos inteiros para favorecer a exploração capitalista.
No Brasil, as mulheres negras seqüestradas de seus territórios foram imediatamente submetidas à exploração do modo escravista, elas estão fortemente marcadas por centenas de anos de submissão à tortura, ao trabalho forçado, a constantes estupros, à “coisificação”, enfim, desumanização e violação de direitos humanos e sociais.
A resistência é uma marca das mulheres negras. A história demonstra que, desde o início da colonização, nós lutamos contra o sistema opressor capitalista. Nossas lutas se dão na organização de fugas, na construção de quilombos, em movimentos emancipatórios etc. À frente dos quilombos, estiveram lideranças como Aqualtune, Teresa de Quariterê, Dandara, Luisa Mahin. A raiz disso está na nossa ancestralidade Africana onde as mulheres exerciam o poder na organização social política e religiosa, eram rainhas, sacerdotisas e guerreiras.
Resgatando essa história, o Seminário reafirmou a importância de pensar a realização da identidade da mulher negra de modo coletivo em conjunto com a classe trabalhadora em contraposição às saídas capitalistas de empoderamento individual, que não têm servido aos interesses históricos e imediatos da classe trabalhadoras. Por exemplo, o presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama, não impediu as inúmeras mortes racistas em Baltimore. Não basta ser negro, tem que defender a classe trabalhadora.
No Brasil há um racismo institucionalizado e não há políticas de ação afirmativa consequentes. O governo Dilma (PT), que apoiou os banqueiros, os patrões e o agronegócio contra nossas quilombolas e indígenas, não respondeu às demandas sociais das mulheres negras, que continuam na base da pirâmide social, são as principais vítimas de violência doméstica, sexual, econômica e psicológica.  E o que temos pela frente com este governo provisório de Temer é um aprofundamento ainda maior contra a classe trabalhadora negra e pobre deste país. Um dos maiores crimes contra o povo negro foi a ocupação militar no Haiti, que começou com PT e continua com Temer.
Para as mulheres negras a combinação do machismo com o racismo representa, entre outras coisas, um aumento nos índices de violência, de estupro e assassinatos, como expressou o mapa da violência contra a mulher. Enquanto os casos de violência à mulher negra aumentaram 54%, entre as mulheres brancas diminuiu 10%. Por isso afirmamos que a cultura do estupro é resquício da escravidão e manutenção da cultura da classe dominante. O Brasil também é o país com maior número de assassinatos LGBTs e, dentro dessa estatística, também estão as mulheres negras.
Apesar dos trágicos números, há uma resistência no país contra os ataques do governo e ela é fortemente negra, feminina e LGBT. As greves da educação, as ocupações de escola, as lutas quilombolas e as greves operárias, as lutas contra a lgbtfobia, contra a cultura do estupro, contra a violência policial têm sido expressão da ação dos trabalhadores em luta contra os ataques. Ao mesmo tempo, os governos respondem contra-atacando com medidas duras de ajuste fiscal e controle da classe, como por exemplo a proposta de reforma da previdência por um lado e por outro o projeto da escola sem partido, que busca calar e criminalizar profissionais da educação e estudantes, além da lei antiterror, que visa criminalizar os lutadores.
As mulheres negras trabalhadoras e de luta não cederam e não cederão à casa grande e nem aos capatazes. Por isso o seminário expressou um grande sentimento contra o volta Dilma, pois ela não representou os interesses das mulheres negras trabalhadoras. Estamos pelo “Fora Temer e Fora Todos que oprimem e exploram a classe trabalhadora”.
Defendemos a construção de uma grande greve geral, em defesa dos interesses das mulheres negras e trabalhadoras, por eleições gerais com novas regras e um amplo processo de aquilombamento das lutas e da resistência.
Esse manifesto é pequeno para o tamanho das nossas ideias e para nossos desafios. Apenas começamos.  A próxima tarefa é compilar todas as propostas que surgiram nos riquíssimos grupos de debate. Vamos enegrecer o MML fazendo um amplo debate nas suas instâncias e em cada local onde nos organizamos para estabelecer um forte programa para atuar nas lutas das mulheres trabalhadoras.
Somos mulheres pretas construindo história!






quarta-feira, 22 de junho de 2016

Mulheres Pretas tem História - seminário nacional

Nos dias 23 e 24 de Julho, realizaremos o 1º Seminário Nacional do MML sobre Mulheres Negras. Esse espaço, que terá caráter de formação, foi parte das deliberações do nosso 1º Encontro Nacional e será de grande importância para avançarmos em uma atuação de
gênero, raça e classe.

Partimos da compreensão histórica de que o sistema escravista deixou resquícios nefastos para os negros e as negras da nossa classe, até os dias de hoje. Seja na manutenção da população negra nas condições sociais mais pauperizadas e nos postos de trabalho de maior exploração e precarização. Seja na reprodução da ideologia do mito da democracia racial, que faz com que a sociedade brasileira, incluindo dirigentes sindicais e movimentos sociais, não considere as diferenças estabelecidas entre negros e não negros no cotidiano.

No caso das mulheres negras, a situação é ainda pior, pois a combinação do machismo e do racismo impõe um grau de opressão e exploração absurdo, que se reflete também na organização para lutar, separando as mulheres negras dos movimentos feministas gerais.

Entendendo que somos um movimento de mulheres trabalhadoras, é necessário que assumamos a tarefa de superar essa dicotomia e avançar na organização de um programa e uma entidade na qual as mulheres negras tenham voz e possam se sentir representadas, sem a pretensão de substituir qualquer forma organizativa própria do feminismo negro ou dos movimentos de luta pela questão racial. 

Nesse sentido, o Encontro constituirá uma espaço de formação, debate e troca de conhecimentos e experiências. Paralelamente, será também uma forma de saudar a coragem e disposição de luta demostradas pelas mulheres negras ao longo da história, liderando quilombos e terreiros; preservando os elementos africanos na cultura brasileira; sendo o sustento da família negra no período pós-abolição e até os dias de hoje, em que muitas delas criam seus filhos sozinhas.

A partir daí, farão parte do debate temas como a identidade e resistência da mulher negra, o machismo e o racismo no mundo do trabalho e no sindical, as religiões de matrizes africanas, assim como as formas culturais de resistência.

Em um momento em que as mulheres negras são vanguarda em lutas importantes da classe trabalhadora e da juventude, esse seminário ganha um destaque ainda maior, pois "Mulheres pretas têm e continuam fazendo história"!

domingo, 5 de junho de 2016

Punir o estupro, não a mulher! Seguiremos nas ruas e nas lutas com a classe trabalhadora!

Junho começou com o grito das mulheres contra a violência sexual


A última quarta-feira foi marcada por uma maré de mulheres que tomaram as ruas em diversas cidades. Em são Paulo participaram 15 mil pessoas, no Rio de Janeiro 10 mil, Belo horizonte, Porto alegre, Fortaleza, Aracaju e mais de 40 cidades também tiveram suas versões da manifestação “Por todas elas”.
O motivo? A princípio, a indignação pelo caso de estupro coletivo ocorrido no Rio de Janeiro. Mas não só isso, fomos às ruas para denunciar a cultura do estupro que naturaliza a violência sexual e busca argumentos para responsabilizar a vítima. Também tomamos as ruas para denunciar a negligência dos governos com as políticas para as mulheres e a conivência com projetos reacionários como o estatuto do nascituro, o PL 5069/13, o estatuto da família e os planos de educação que excluem o debate sobre gênero.   
A realidade que vivemos não nos permite pensar em ficar calada. A cada 11 minutos uma de nós é vítima de estupro em algum lugar do país, a cada 5 minutos uma de nós é espancada e a cada 1 hora e meia uma de nós perde a vida por conta do machismo. Diante de números tão alarmantes as políticas implementadas para garantir a vida das mulheres foram totalmente insuficientes.
A Lei Maria da Penha, conquista do movimento de mulheres, que foi promulgada há dez anos, teve muita propaganda pelo governo do PT, mas não contou com os investimentos necessários para se efetivar. As delegacias de mulheres seguem funcionando no horário comercial e concentradas nos centros das cidades. Dos 27 centros especializados prometidos por Dilma em 2014, apenas três estão em funcionamento. Além dos sucessivos cortes no orçamento da Secretaria de políticas para mulheres, que fez com que tivéssemos apenas R$0,26 centavos por cada mulher vítima de violência.

Governo Temer e sua secretária não nos representam!

Mudou o governo, mas não mudou a negligência com o tema das mulheres. Temer assume interinamente a presidência e já deixa evidente qual será sua postura frente a luta das mulheres trabalhadoras. O fechamento da secretaria e depois a indicação de uma representante da bancada conservadora para a pasta é uma afronta a toda luta que nós estamos travando. Fátima Pelaes é contra a legalização do aborto mesmo nos casos de estupro, foi presidente da Frente Parlamentar da Família e Apoio à Vida e votou contra o projeto de lei do Chico Alencar que previa salário igual para trabalho igual nas empresas. Além de estar envolvida em casos de desvio de verbas públicas no ministério do turismo. Ou seja, enquanto milhares de mulheres estão sendo demitidas, tem seus direitos atacados como a aposentadoria e seguro-desemprego, enfrentam o aprofundamento da violência machista como reflexo da crise econômica, o governo do PMDB quer nos impor uma falsa representação.
Por isso, durante todos os atos ecoava um grito de indignação que exigia o Fora temer, que afirmava que Fatima não representa nossa luta, comemorava-se a saída de Cunha e se exigia que Bolsonaro, Malafaia e Feliciano o acompanhem.


Mulheres e homens da classe trabalhadora contra a violência machista


Diversas entidades dos trabalhadores também se posicionaram na defesa dos direitos das mulheres. A coordenação nacional da CSP-Conlutas - central sindical e popular- aprovou moção de repúdio e encaminhou para as instâncias das entidades filiadas; o seminário da campanha salarial dos trabalhadores da construção civil de Belém também fez o debate sobre o tema e se posicionou repudiando os casos de violência.  Essas são iniciativas importantes e é necessário combinar cada vez mais as lutas gerais com o combate a toda forma de opressão, isso porque são as mulheres e homens da classe trabalhadora que podem destruir as bases de sustentação do machismo que é a sociedade capitalista.



Uma segunda rodada de atos já está sendo convocada. É preciso seguir ocupando as ruas, já que a guerra esta apenas começando. É preciso exigir o arquivamento do PL5069/13 que foi aprovado na CCJ; exigir o não pagamento da dívida pública e a aplicação de 1% do PIB para as políticas de combate a violência machista; a punição imediata dos estupradores e parte de nossas tarefas também por pra fora o temer e todos os governos que oprimem e exploram as mulheres trabalhadoras!







Ato na paulista, em São paulo


Ato no Capão redondo, zona sul de São Paulo


Ato em Teresina, Piauí

Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Chega da violência contra as mulheres!

Chega da violência contra as mulheres!