segunda-feira, 14 de março de 2016

Estamos com uma a menos! Basta de violência contra as mulheres!

Nota do MML-DF

Louise Ribeiro, estudante de Ciências Biológicas, foi vitimada pela violência machista no dia 10/03, na UnB, em plena Semana da Mulher.
A cultura machista fez mais uma vítima, pois o machismo de todos os dias violenta e mata milhares de mulheres em todo o mundo.
A naturalização de atitudes machistas em nossa sociedade faz com que elas se tornem cotidianas e contribuam para que mulheres sofram violência física e psicológica.
Confrontar as atitudes de ódio e aversão às mulheres que se mostram em pequenas frases, piadas ou ações é fundamental para combatermos violência extrema como o estupro e o feminicídio - assassinato de mulheres por motivações machistas.
Este crime simboliza como o machismo é um problema que precisa ser combatido por toda a sociedade. Demonstra ainda o descaso da Reitoria da UnB e o silêncio do DCE acerca dos problemas de segurança no Campus, que há muito tem deixado as estudantes sujeitas a estupros e abordagens machistas de todo tipo.
O problema é agravado ano a ano pelo aumento da carência de vigilantes por falta de novos contratados e pela massiva demissão do ano passado, realizada também sob o silêncio complacente do DCE.
Exigimos a exemplar punição do assassino de Louise e nos solidarizamos com o pesar de seus pais e familiares. Ao mesmo tempo, responsabilizamos a Reitoria e o DCE pelo descaso com que tratam as demandas das mulheres na UnB. Também não podemos deixar de lembrar que a falta de serviços e equipamentos que garantam a segurança das estudantes na UnB é resultado dos cortes do orçamento da educação patrocinados pelo governo Dilma em nome do ajuste fiscal.
Vale ressaltar que, a cada 1h30 uma mulher é assassinada e a cada 12 minutos uma é estuprada. Além do corte na educação Dilma também cortou das políticas de combate a violência machista e investiu apenas 26 centavos por cada vítima de violência doméstica.
O MML reafirma a importância da luta contra o machismo e toda forma de opressão.
O machismo matou Louise!
Nenhum estupro a mais! Nenhuma estudante a menos!
Condenação e punição exemplar ao assassino de Louise!
Não nos esqueceremos das diversas mulheres que foram estupradas, agredidas e mortas dentro da UnB!
Mais investimento público no combate a violência machista!
Pela ampliação e aplicação da lei Maria da Penha!

Parte superior do formulário


domingo, 13 de março de 2016

Nota do Movimento Mulheres em Luta sobre o 8 de março em São Paulo

O Movimento Mulheres em Luta (MML) é um movimento de mulheres classista, nascido em 2008, filiado à CSP-CONLUTAS. Nosso objetivo é lutar contra o machismo e a exploração, para unificar a classe em defesa dos seus interesses. Lutamos pelo  fim do capitalismo e pela construção de uma sociedade socialista. Nossos aliados estratégicos são as mulheres e homens da classe trabalhadora.
Desde 2011, temos construído atos unitários de 8 de março em São Paulo, a partir de eixos de acordo, com liberdade para expressar opiniões divergentes.  Neste ano, o governismo dividiu o ato ao meio, com duas colunas que marcharam para lados opostos. O ato paralelo, classista e independente, contou com 2 mil pessoas, com a participação de entidades filiadas à CSP-CONLUTAS e partidos políticos do campo da esquerda, como PSTU, PSOL, MRT e PCB
A ruptura se deu porque PT e PCdoB colocaram seus aparatos na rua para defender o governo e o Lula, transformando o ato num palanque “contra o golpe e pelo Fica Dilma”. Isso estava totalmente em desacordo com a unidade para lutar, que se dava em base aos seguintes eixos: contra a reforma da previdência e o ajuste fiscal, o combate à violência e a defesa da legalização do aborto que ficaram só no papel. 
Somos oposição de esquerda a Dilma do PT, pois consideramos que governa para os patrões e empresários. Dilma fechou a Secretaria de Promoção às mulheres, que investiu apenas R$ 0,26 centavos por mulher para combater a violência, que não avançou na legalização do aborto. E, agora, para jogar a conta da crise nas costas das trabalhadoras, pretende aumentar a idade da aposentadoria para as mulheres.
Não confiamos na oposição de direita também. O PSDB, de Aécio e Alckmin, e o PMDB de Temer e Cunha, nunca atenderam aos interesses das trabalhadoras, pelo contrário, são agentes de projetos que aumentam a opressão e a exploração da classe.
O golpe que existe é contra as mulheres trabalhadoras. PT, PMDB e PSDB disputam o governo, mas estão juntos na hora de colocar a conta da crise nas costas dos trabalhadores. Não aceitaremos que rasguem nossos direitos.  Acreditamos que o gênero nos une na condição de mulher, mas a classe nos divide, por isso, as mulheres da burguesia, que nos exploram, e as que estão a seu serviço não são nossas aliadas.
Declaramos esse posicionamento no carro de som, dizendo que era preciso pôr para fora Dilma, Cunha, Temer, Cunha e Aécio, pela mobilização dos trabalhadores. A resposta foi a truculência. Desde a organização, que tentou arrancar o microfone da mão de nossa companheira Silvia Ferraro, da executiva nacional do MML e filiada ao PSTU, até as agressões físicas de dirigentes homens da CUT às nossas companheiras embaixo do carro de som.
A declaração da Marcha Mundial de Mulheres (MMM) sobre o ato em São Paulo nega que tenha existido a usurpação do ato pelas correntes governistas. Limita-se a dizer que a conjuntura é complexa e que as entidades pró e contra o governo deveriam se entender em nome da luta das mulheres. Retira-se da responsabilidade pelo ocorrido, comporta-se como se fosse uma briga entre diferentes correntes políticas, quando na verdade o que ocorreu foi o sequestro do ato e um ataque violento a uma mulher trabalhadora, além do cerceamento do direito à liberdade de expressão.  O curioso é que um dos eixos da marcha era a democracia para lutar!
Condenamos veemente o uso político do ato em favor do governo, consideramos gravíssimo o silêncio da MMM frente a agressão da companheira.  Exigimos que a secretaria de mulheres da CUT e a MMM se pronunciem: estão de acordo que homens agridam mulheres no ato do 8 de março?
Seguiremos na luta contra a opressão e a exploração. Não iremos ao ato do dia 13 do PSDB e nem ao 18 ou 31 do PT. Nossa próxima luta é no dia 01 de abril junto ao Espaço Unidade de Ação. Se a MMM realmente defende as mulheres, que rompa com o governo e venha ser parte de uma luta classista e independente dos governos e patrões.
Contra Dilma, Cunha, Temer e Aécio!

Basta das trabalhadoras pagarem pela crise!

domingo, 6 de março de 2016

08 de Março: romper com o governo e não com as bandeiras das mulheres trabalhadoras


 Por Marcela Azevedo, da Executiva Nacional

Às vésperas das manifestações do ato do 8 de março, diante da condução de Lula para depoimento nas investigações da operação Lava jato,  CUT, CTB, Marcha Mundial de Mulheres e UNE anunciaram que pretendem transformar os atos do dia internacional de luta das mulheres em atos para defender o ex-presidente do PT, com o lema “Mulheres com Lula”.

O governo do PT, que está no poder há 14 anos, tem responsabilidade com todos os problemas que nos afetam porque traíram a classe trabalhadora e aplicam junto com PSDB e demais partidos da burguesia, medidas que penalizam a nossa classe. É inadmissível diluir toda a luta das mulheres no marco da defesa de um governo e de um partido que não defende nossos interesses. Os ataques sofridos pelas mulheres são muitos, enfrentamos as demissões em massa; a ameaça de uma nova reforma da previdência que dificulta ainda mais a nossa aposentadoria; o aumento da violência machista; da criminalização do aborto; da falta de creches públicas; estamos morrendo e vendo nossos familiares morrerem na porta dos hospitais.


Esse mesmo governo que está sendo defendido por essas organizações sob a justificativa de que há um golpe militar em curso foi quem encaminhou ao congresso uma lei antiterror que foi aprovada na semana passada e que criminaliza os movimentos sociais e suas manifestações legítimas, podendo chegar a detenções de 16 a 30 anos. É o mesmo governo que rifou bandeiras históricas das mulheres como a legalização do aborto para manter o apoio de setores conservadores. É o mesmo governo que travou um acordão com Cunha, o alvo da indignação de milhares de mulheres no final do ano passado, para se manter no poder. E que acabou de firmar acordo com o PSDB para aprovar a reforma da previdência e para aprofundar a privatização da Petrobrás.

As mulheres estão demonstrando grande disposição de luta nas ruas, nas ocupações de escolas e fábricas, nas greves e mobilizações. Apresentar para elas a idéia de que Lula e o governo do PT são nossos aliados, que devem ser defendidos por nós é jogar ilusões na cabeça das mulheres, é levar a derrota de nossas pautas. Nesse momento o que precisamos é de democracia para lutar, é mostrar nossa força de maneira independente de todos os governos (PT, PSDB, PMDB, PSB, etc.) e tomar as ruas para derrotar o ajuste fiscal e qualquer tentativa de nos calar.

Nós, do Movimento mulheres em Luta, acreditamos que essa é a tarefa que está colocada para as organizações feministas e de trabalhadores. Para ser consequente com essa luta é necessário romper com o governo do PT e construir uma alternativa de classe à oposição burguesa.  É necessário construir um campo classista por fora do PT , PMDB e PSDB, que brigam nas alturas, mas se unem para jogar a conta da crise nas costas das trabalhadoras.

O 8 de março não pode ser usado em função do governo, é inadmissível que  a Marcha Mundial de Mulheres, CUT, CTB e UNE rompam a unidade de ação construída em torno da luta contra a reforma da previdência, o ajuste, a violência e a legalização do aborto, para defender os governos e o PT.

Estamos pela unidade da classe, não vamos defender que não defendeu as mulheres trabalhadoras. Exigimos que os eixos aprovados sejam mantidos, porque não podemos deixar que nossas bandeiras sejam moeda de troca.   Por isso exigimos que essas organizações rompam com o governo e não com as bandeiras das mulheres.

Basta das mulheres trabalhadoras pagarem pela crise

Basta de Dilma, Cunha, Temer e Aécio!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Moção de apoio aos trabalhadores da Mabe, multinacional fabricante de eletrodomésticos




Depois de vender milhões de fogões da marca Dako e Continental nos últimos 10 anos no Brasil, a multinacional Mabe, dona de 49 fábricas no exterior, resolveu fechar as portas e demitir 1.900 trabalhadores, deixando de pagar salários dos últimos três meses, 13º e direitos trabalhistas.
Essa empresa que se denominava como “A marca da multimulher” em suas campanhas publicitárias, ou seja, que se baseava na dupla e até tripla jornada de trabalho imposta as mulheres trabalhadoras para lucrar sobre o público feminino, agora deixa centenas delas sem salários e sem emprego.
Vale ressaltar que a multinacional teve isenção de impostos, patrocinada pelo governo federal aos fabricantes de eletrodomésticos.
Depois de ter lucros exorbitantes e de enviar para o exterior parte importante destes lucros, ao primeiro sinal de crise, ataca sem piedade seus trabalhadores, fechando as portas  de duas fábricas que tem na Região metropolitana de Campinas.



O sindicato dos metalúrgicos de Campinas e região, junto com os trabalhadores da Mabe ocuparam a empresa preventivamente, no dia 15 de fevereiro de 2016, para impedir que os empresários vendessem as máquinas e o patrimônio da empresa.
Os trabalhadores da Mabe estão precisando de todo apoio da população brasileira, especialmente da classe trabalhadora. Não podemos permitir que o poder econômico descarregue todo o peso da crise nas costas dos operários, dos humildes.
Os eletrodomésticos da linha branca tiveram isenção de IPI durante anos, que engordaram os bolsos de patrões que nem sequer pagavam seus trabalhadores. Além disso, a Mabe recebeu vários empréstimos a juros baixos do BNDES para ampliação e modernização de suas instalações, que nunca pagou. Várias máquinas estão penhoradas pelo BNDES.
Por isso exigimos que o governo Dilma exproprie as duas unidades da Mabe, sem indenização, para recolocá-las em produção sob o controle dos trabalhadores – que já demonstraram disposição para isso -  e garanta a estabilidade no emprego de todos, revogando as demissões feitas em janeiro, pois nenhum dos demitidos recebeu indenização. Além disso, deve confiscar os bens dos proprietários para garantir o pagamento dos salários atrasados, 13º e da PLR.
Por isso, O Movimento Mulheres em Luta se solidariza com a luta dos 1.900 trabalhadores da Mabe e se coloca à disposição para ajudar no que for necessário.

Todo apoio à ocupação da Mabe!
Estatização, sem indenização, sob o controle dos trabalhadores!
Pagamento de todos os salários e outros benefícios atrasados!

Estabilidade no emprego e readmissão dos demitidos! 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Boletim Eletrônico do Movimento Mulheres em Luta número 1, ano 2016

Está no ar o Boletim Eletrônico do Movimento Mulheres em Luta número 1, ano 2016 Confira nessa edição:

- Contra Dilma, Temer, Cunha e Aécio: Basta das trabalhadoras pagarem pela crise!
Construir um 08 de Março classista e de luta!

-Todo apoio as terceirizadas da Higilimp! Pelo pagamento imediato de seus salários e pela garantia do emprego!

-Vejam as campanhas que o MML vai construir nesse semestre

- Apoio ao Projeto do salão Abayomi das mulheres da Ocupação Esperança.

-Campanha pela descriminalização e legalização do aborto da CSP-Conlutas.

-Calendário do Espaço de Unidade de Ação.

- Segue o desafio de estruturar os Grupos Organizadores Locais!

-Vem aí Seminário Nacional do MML: Mulheres Pretas tem História! 


Para acessar na íntegra o Boletim Eletrônico, fazer download ou imprimir, basta acessar o link:

Para acompanhar as informações do MML é só acessar o blog:

Ou a página do MML nacional no facebook:

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Aumenta o surto de Zika e o Governo Segue Cortando Custos !


Por Maria Costa, do MML- MG

Em cerca de 3 meses o Zika vírus deixou de ser um problema de saúde pública no Brasil para ser decretado emergência de saúde pública de caráter internacional pela OMS. O vírus espalhou-se com uma velocidade nunca vista antes para doenças transmitidas por mosquitos.

Zika: uma doença com mais dúvidas que certezas

A presença do Zika vírus foi confirmada no Brasil em Maio de 2015. Menos de um ano depois, à data que escrevemos este artigo, já se registrava a transmissão local do vírus em 36 países no mundo, dos quais 26 pertenciam ao continente americano. Nas palavras da diretora-geral da OMS o vírus disseminou-se de forma explosiva e pode se transformar num problema de saúde mundial.
Está comprovado que o Zika se transmite pela picada do mosquito Aedes aegypti, tal como a dengue e a febre chikungunya. Existem fortes evidências de que se transmita durante a gestação através da placenta para o feto. Todas as restantes formas de transmissão são consideradas possíveis, ainda não foram feitos testes suficientes para confirmá-las ou descartá-las.
Já foram comprovados alguns casos em que o vírus se transmitiu pelo sangue e por relações sexuais. No entanto não se sabe se foram transmissões ocasionais ou se pode ser transmitido assim sempre. Neste momento os Centros para Controle de Doenças  Americano (CDC) e Europeu (ECDC) já admitem que possa haver transmissão sexual e aconselham o uso de camisinha para prevenção da infecção por Zika. Recomendam também que sejam feitos testes para detecção do vírus em sangue de doadores que vivem ou estiveram em regiões com epidemia de Zika.
Recentemente a Fiocruz comprovou a presença de vírus ativos, ou seja, com capacidade de infectar, na saliva e urina de pacientes com Zika.
O outro fato que aponta para a possibilidade de que não seja só o mosquito que transmita o Zika é que está se disseminando em uma velocidade nunca vista antes, nem para a chikungunya nem para a dengue. A dengue demorou quase 20 anos para se disseminar pelas Américas. O Zika, em um ano já se disseminou por 26 países.

É possível diagnosticar a microcefalia e a infecção pelo vírus Zika durante a gravidez?

Atualmente, o método mais eficaz para diagnosticar a presença do vírus é mediante a detecção do seu material genético no sangue no período que decorre a infecção. Também pode ser detectado no líquido amniótico. A pesquisa de anticorpos é pouco fidedigna porque gera reações cruzadas com os anticorpos contra a dengue (ou seja, é detectado um anticorpo contra o Zika que na verdade é um anticorpo contra a dengue).
O protocolo estabelecido pelo governo preconiza a realização deste teste apenas quando há suspeita de infecção pelo Zika: “Toda grávida, em qualquer idade gestacional, com doença exantemática aguda, excluídas outras hipóteses de doenças infecciosas e causas não infecciosas conhecidas”. Este critério é totalmente insuficiente, pois 80% das infecções por Zika são assintomáticas. Para garantir que o maior número de grávidas sejam diagnosticadas, deve ser feito o teste de detecção do vírus no primeiro trimestre de gestação (até 12 semanas) e no segundo (até 20 semanas), juntamente com a pesquisa de anticorpos para o vírus. Não se sabe quanto tempo o vírus permanece na corrente sanguínea e é possível que, mesmo com a realização desses exames, a infecção não seja detectada. Ainda assim, com certeza seria identificado um número muito maior de grávidas em risco do que o atual protocolo do governo permite. Se, entretanto, forem descobertos outros métodos de diagnóstico mais fidedignos, então estes devem ser utilizados.
A ultrassonografia (USG) morfológica só tem detectado a microcefalia nos fetos após a 28ª semana de gestação. No entanto a análise do líquido amniótico para detectar a presença do vírus pode ser feita muito mais cedo na gestação, em casos suspeitos, ou se a grávida desejar. Este é um exame que ainda não se tem certeza se detecta todos os casos de infecção e que apresenta risco muito pequeno de provocar um aborto. Ainda assim, se a mulher desejar fazê-lo deve ter esta opção.
A obstetra Adriana Melo, de Campina Grande (PB) especialista em medicina fetal foi a primeira a identificar o Zika em gestantes com fetos com microcefalia, segue acompanhando gestantes com Zika e refere que “diagnóstico mais precoce que fiz foi com 20 semanas, e, quando começaram as alterações, a grávida estava com 16 semanas.”. É necessário aprofundar as investigações para detectar se de fato há alterações no desenvolvimento fetal que permitam o diagnóstico da síndrome Zika mais precocemente na gravidez.
Mas, se a microcefalia não tem cura e se nem todos os casos podem ser diagnosticados durante a gravidez, para que realizar tantos exames? A resposta é simples: para que as mulheres grávidas tenham acesso a toda a informação possível sobre o estado de saúde do feto e sobre qual o risco de que nasça com microcefalia, para que assim possam decidir se querem ou não levar a gravidez até o fim.

Que as mulheres trabalhadoras e famílias possam escolher

O ECDC e o CDC estão a aconselhar as mulheres grávidas a não viajar para países com epidemia de Zika. Fica a pergunta, qual o conselho a dar às mulheres que vivem nesses países? Os únicos conselhos dados atualmente pelo governo brasileiro às mulheres grávidas são: “O Ministério da Saúde orienta as gestantes adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.[1]
O governo coloca a responsabilidade nos trabalhadores, por um lado responsabilizando-os por eliminar os focos de multiplicação do mosquito por outro aconselhando as grávidas a que se protejam do mosquito.
Por mais que tomem todos esses cuidados, não é possível garantir não vão sofrer nenhuma picada de mosquito durante os 9 meses de gestação. A situação pode ser mais incontrolável ainda se de fato o vírus se transmitir por relações sexuais ou pela saliva. Ou seja, todas as mulheres grávidas neste momento, por mais cuidadosas que sejam, correm risco real de serem infectadas pelo vírus Zika e terem um filho com síndrome de Zika congênita.
Na prática a maioria dos médicos está a aconselhar as mulheres a não engravidar agora. A pergunta que fica é como??? Como garantir não engravidar num país em que a distribuição de contraceptivos gratuitos é tão deficiente? Onde pouquíssimas mulheres têm condição econômica de ter acesso à contracepção que não exige ser tomada diariamente e que, por isso, é muito mais segura (anel vaginal, adesivos cutâneos, DIU hormonal e de cobre)?
O governo segue dizendo: “Não há uma recomendação do Ministério da Saúde para evitar a gravidez. As informações estão sendo divulgadas conforme o andamento das investigações. A decisão de uma gestação é individual de cada mulher e sua família”
Deveria ser uma decisão individual de cada mulher e sua família, mas não é! A mulher com uma gravidez indesejada não pode tomar mais nenhuma decisão. O Estado já tomou por ela proibindo o aborto.
Mesmo que se tenha acesso aos melhores contraceptivos, nenhum deles é 100% seguro, inclusive quando são usados corretamente falham e podem ocorrer gravidezes indesejadas. Acreditamos que agora, mais do que nunca, é fundamental que as mulheres possam escolher se querem ter um filho, correndo o risco de ser infectadas pelo Zika, ou se não querem correr esse risco, e nesse caso devem ter acesso a realizar um aborto no SUS, gratuito e em segurança.
O Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Zeid Al Hussein, apelou a países afetados pelo vírus que permitam que mulheres tenham acesso a métodos contraceptivos e ao aborto.[2]
Não se trata de permitir o aborto pois na verdade ele já é realizado em todos os países da América Latina, trata-se de que todas as mulheres tenham acesso a um aborto seguro e gratuito, porque hoje as mulheres ricas fazem-no em segurança pagando entre 5 a 15 mil reais por procedimento. O responsável pela identificação do primeiro caso de zika no Brasil e um dos primeiros a apontar a relação do vírus com aumento de casos de microcefalia, o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, Kleber Luz, não pensa duas vezes ao afirmar “As mulheres vão abortar, com autorização legal ou não”, avaliou. “E isso vai acontecer com mulheres de todas as faixas sociais.”[3] Trata-se de garantir que as mulheres trabalhadoras tenham acesso à realização de um aborto em segurança e gratuitamente no SUS e não coloquem a sua vida e saúde em risco.
Por outro lado, consideramos que as mulheres e famílias que desejarem ter filhos devem ter todas as garantias do Estado de ter acesso aos melhores tratamentos e acompanhamento de saúde e educacional. Para além disso é necessário garantir um subsídio digno às famílias e estabilidade no emprego, tal como disse Angela Rocha, chefe do serviço de infectologia pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz de Recife, “é necessário garantir que pais e cuidadores não tenham uma queda muito significativa nos rendimentos. Isso porque a rotina de tratamento desses bebês é intensa. Pais terão de levá-los às consultas muitas vezes durante o horário de trabalho.”[4]
As consequências do Zika prejudicam muito mais as mulheres trabalhadoras e pobres pois estão condenadas ou a abortar colocando em risco a sua vida e saúde ou a criar um filho com malformações sem apoio nenhum do estado, já as mulheres ricas têm esses tratamentos garantidos para os seus filhos e se quiserem podem abortar com segurança.

Programa da classe trabalhadora para a epidemia de Zika

No Brasil, a epidemia de Zika surge num momento de crise econômica em que o centro da política do governo Dilma/PT tem sido pôr os custos dessa crise nas costas dos trabalhadores. Os cortes no orçamento têm afetado essencialmente as áreas sociais, a saúde e a educação. A crise do SUS no estado do Rio é um dos exemplos da situação de caos e sucateamento em que se encontra o SUS.
O alerta para esta situação é dado pelos próprios profissionais de saúde, o diretor de uma escola de Saúde Pública da Fiocruz, Hermano Castro. “A saúde não pode ser penalizada com cortes, sob pena de termos uma crise sanitária com repercussão nos próximos trinta ou quarenta anos”10,
Dizemos mais, não basta que não haja mais cortes na saúde pública, é necessário um investimento de emergência, é necessário que 10% do PIB seja investido no SUS e que seja feito um orçamento de emergência para resposta ao Zika. Neste momento já são as famílias trabalhadoras mais pobres que mais sofrem com esta epidemia pois são as que vivem em áreas sem saneamento básico e com mais concentração do mosquito. Também são as famílias trabalhadoras que têm menos acesso a cuidados de saúde.
Para além disso tem que terminar de imediato os cortes de orçamento na educação pública que estão a deixar as universidades públicas à beira da falência, completamente sem recursos o que impossibilita que estas se dediquem a investigar os mecanismos pelos quais o vírus causa doença e o desenvolvimento de uma vacina.
Exigimos:
1. Colocar em prática, desde já, um plano consequente para o combate ao Aedes aegypti, com medidas com efeito a curto e longo prazo, que passam por contratação massiva de agentes de saúde para a eliminação de focos de reprodução do mosquito, limpeza de descampados especialmente nas áreas urbanas, eliminar todos os lixões a céu aberto, construção de rede de esgoto e saneamento básico em todas as cidades e que sirvam a toda a população.
2. Disponibilização de todos os recursos financeiros necessários para a pesquisa científica, em instituições estatais, sobre o vírus Zika, síndrome zika congênita e para o possível desenvolvimento de uma vacina.
3. O governo deve distribuir gratuitamente repelentes de qualidade e mosquiteiros para toda a população, mas de forma prioritária às mulheres grávidas.
4. Disponibilização dos melhores tratamentos gratuitos para as crianças com microcefalia e outras malformações congênitas. O governo deve fornecer um subsídio que garanta que as famílias tenham todas as condições econômicas de criar os seus filhos com dignidade. Garantia de estabilidade no emprego para todos os pais e mães de crianças com microcefalia e outras malformações congênitas.
5. Fornecimento gratuito a todas as mulheres em idade reprodutiva de todos os contraceptivos disponíveis, em especial os que não necessitam ingestão diária e que por isso tornam-se mais seguros (anel vaginal, adesivos cutâneos, implante subcutâneo, DIU hormonal e de cobre).
6. Aborto legal e gratuito no SUS para todas as mulheres que não desejarem engravidar.
7. Todas as grávidas que não tiverem sintomas devem fazer o teste para saber se estão infectadas com o vírus Zika no primeiro e segundo trimestre de gestação. No caso de dúvida, as mulheres que desejarem devem poder realizar a detecção do vírus no líquido amniótico.
8. Para que possa ser dado o melhor atendimento à classe trabalhadora e em especial às grávidas neste momento, exigimos o fim do financiamento de empresas de saúde particular e planos de saúde! 10% do PIB para o SUS já! Estatização das grandes empresas e planos de saúde!
9. Fim do pagamento da dívida aos banqueiros para criar um investimento emergencial para o SUS e para a investigação científica em instituições públicas.
10. Para garantir que essas medidas sejam de fato aplicadas, é necessário lutar por um governo socialista dos trabalhadores, sem patrões.







[1] http://combateaedes.saude.gov.br/noticias/320-ministerio-da-saude-investiga-3-852-casos-suspeitos-de-microcefalia-no-pais
[2] http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,contra-microcefalia-onu-recomenda-liberar-aborto-na-america-latina,10000015136
[3] http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,vao-abortar--com-autorizacao-legal-ou-nao,10000015759
[4] http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,medica-fala-em-geracao-de-sequelados,1807413

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

II Encontro Estadual do Movimento Mulheres em Luta Piauí. Apenas começamos!

Por Jullyane Teixeira, do MML Piauí

Aconteceu no último sábado (12) o II Encontro Estadual do Movimento Mulheres em Luta Piauí, voltado para as mulheres da classe trabalhadora e juventude, das 08 às 18h, no Auditório Maestrina Clóris Oliveira, do IFPI Teresina Central. 


Entendendo que a organização da luta das mulheres trabalhadoras e juventude passa, necessariamente, pela construção de espaços de debate em que as mães possam participar, o encontro teve uma creche montada especialmente para o evento com quase 30 crianças atendidas. O encontro foi bastante representativo e contou com a participação de mais de 120 mulheres, dentre elas, operárias, trabalhadoras rurais, servidoras públicas, professoras, estudantes, desempregadas, ativistas da luta por moradia na periferia, quilombolas, discutindo conjuntura política, defesa de direitos, contra a violência à mulher e contra as opressões do machismo, racismo e LGBTfobia. 
Foram aprovadas resoluções políticas que vão nortear o próximo período de lutas, como a reafirmação da campanha nacional de luta por 1% do PIB para o combate à violência contra a mulher (votada no I Encontro Nacional do MML, realizada em 2013, em Sarzedo-MG), bem como uma campanha estadual de luta por creches, já que essa é a principal demanda das mulheres trabalhadoras, sendo a responsável pelo abandono do emprego dessas mulheres e o maior motivo de evasão escolar das estudantes, por não terem onde deixar os filhos. 


O encontro também elegeu uma nova direção estadual do MML/PI. Participaram mulheres de Campinas do Piauí, Parnaíba, Picos, Piripiri, Teresina, São Raimundo Nonato e Floriano. Ao final, foram aprovados duas moções das mulheres presentes ao encontro, uma de repúdio, contra a declaração machista do senador Hélio José, recém filiado ao Partido da Mulher Brasileira (PMB) e uma de apoio aos funcionários terceirizados do IFPI, que estão há dois meses sem receber salário, demonstrando que a solidariedade de classe, um dos princípios fundamentais do movimento, continua sendo praticado em todos os seus espaços de discussões políticas. 
O lugar das mulheres é junto ao movimento geral dos trabalhadores, incorporando as demandas das mulheres por creche, equiparação salarial e salário igual para trabalho igual, combate a violência, legalização do aborto, entre outras, como parte das reivindicações gerais da classe trabalhadora. 
Engana-se quem acredita ser Dilma o mal menor, os trabalhadores com sua força podem derrotar o governo e suas medidas, sendo que as mulheres tem um papel importante nesse processo. O Movimento Mulheres em Luta está se forjando cotidianamente nas principais demandas das mulheres trabalhadoras e é nesse espaço que temos que cumprir o papel de construir junto dessas mulheres uma alternativa independente para responder a crise e fazer com que não sejamos nós a pagar essa conta. Apenas começamos!





Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Chega da violência contra as mulheres!

Chega da violência contra as mulheres!