segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Chega de criminalização das Mulheres que recorrem ao aborto!

"Só desejo sumir. Você se sente muito exposta. Não sou contra nem a favor do aborto. A decisão de uma mulher interromper uma gravidez já é muito difícil por si só. Ser tratada como uma criminosa, responder a um processo. Estou muito assustada"

Esse é o relato de uma jovem trabalhadora de 19 anos que foi presa no dia 17 de fevereiro acusada de ter feito um aborto. Ela foi denunciada pelo médico  que a atendeu em São Bernardo do Campo. Esse é mais um caso onde a vida e a liberdade das mulheres é colocada de lado e o direito ao próprio corpo negado.

No Brasil estima-se que anualmente são feitos um milhão de abortos clandestinos. A cada ano são feitas 250 mil internações para tratamento de complicações decorrentes de abortos feitos em condições inseguras e precárias. Uma em cada cinco brasileiras de até 40 anos já abortou. A cada dois dias, uma brasileira morre por aborto inseguro. Essa é uma das maiores causas de morte materna no país.

Devemos todos nos perguntar se uma mulher que faz o aborto deve mesmo ser presa, pois atualmente o aborto é crime no Brasil e a lei prevê de um a três anos de prisão para a mulher que provoque um aborto em si mesma ou consinta que outros o façam. Ele só é permitido apenas em três casos: gravidez em que há risco de morte para a mulher, quando o feto é anencéfalo e em caso de estupro. E ainda assim as mulheres que se enquadram nesses casos onde o aborto é permitido, e que precisam recorrer ao SUS, são discriminadas, mal tratadas ou constrangidas para que mudem de opinião e desistam do procedimento. Se a lei abarcasse todos os abortos clandestinos feitos, cerca de 20% das mulheres brasileiras estariam ou teriam sido presas.

Tratar como crime não  resolve o problema e não contribui em nada para a erradicação da prática. O aborto é uma questão de saúde pública e a criminalização só serve para matar mulheres, pois são obrigadas a recorrer a esse procedimento de forma clandestina e insegura, correndo o risco de ter graves sequelas ou mesmo vir a falecer. É urgente que os governos, parem de usar um tema tão sério como moeda de troca política. O cenário atual, que já é muito ruim para nós ainda se agrava com figuras como Eduardo Cunha, que recentemente foi eleito presidente da câmara dos deputados, e declarou sobre a legalização do aborto que  “Vai ter que passar por cima do meu cadáver para votar”. 

Nossos poucos direitos estão ameaçados. Eduardo Cunha, além das suas declarações, solicitou o desarquivamento do Projeto de Lei 00478/2007 que dispõe sobre o Estatuto do Nascituro, junto com um conjunto de projetos machistas, homofóbicos e retrógrados em relação aos direitos dos setores oprimidos Precisamos fortalecer a luta! Somente com a mobilização das mulheres com os homens classe trabalhadora é que conseguiremos alcançar esses direitos.

O Movimento Mulheres em Luta repudia a prisão dessa jovem e exigimos o fim do processo contra ela. Também repudiamos o famigerado Eduardo Cunha, inimigo das mulheres trabalhadoras!

Seguiremos na luta por:

 -  Educação sexual para prevenir.  Anticoncepcionais gratuitos e sem burocracia para não abortar. Aborto legal, seguro e gratuito para não morrer. Pela descriminalização e legalização do aborto no Brasil.
   
 -  Veto ao Projeto de Lei do Estatuto do Nascituro.



segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Eduardo Cunha: expressão do machismo, da homofobia e dos interesses do capital.

Por Sílvia Ferraro
Da Executiva Nacional do MML

Não poderia ter figura mais emblemática de um congresso conservador, atrelado aos interesses dos setores econômicos que financiam as campanhas eleitorais da maioria dos deputados, como os bancos, as multinacionais e o agronegócio, assim como do fisiologismo do toma lá da cá, do que Eduardo Cunha.
Ao dizer em entrevista ao Estadão, que o aborto só entraria em pauta no Congresso Nacional passando por cima do seu cadáver, Cunha só demonstrou mais uma vez que vai continuar sua cruzada contra os direitos das mulheres e LGBTs, só que desta vez com a prerrogativa de ser o presidente da casa.
Como deputado, Cunha tem uma fila de projetos homofóbicos e de ataques aos direitos reprodutivos das mulheres. Acabou de conseguir o desarquivamento do seu projeto que cria o “Dia do Orgulho Heterosexual”, uma aberração provocativa, desdenhando de toda a discriminação e violência sofrida pelos LGBTs. Ele tem um projeto que prevê a regulamentação de cadeia de até 10 anos para médicos que auxiliarem mulheres a fazer aborto. Outro projeto, o PL 7443/06, prevê que o aborto seja considerado crime hediondo. Mas a obsessão de Cunha em querer perseguir os direitos das mulheres não acaba por aí. Ele apresentou um projeto de lei, o 6033/2013, que proíbe a pílula do dia seguinte como método profilático em casos de violência sexual.



Esta ânsia de Cunha, de se mostrar como campeão do conservadorismo, tem uma explicação. Cunha tem sua base eleitoral sustentada entre as igrejas neopentecostais. Ele é radialista, apresentador da Rádio Melodia, com grande audiência entre os fiéis das igrejas que propagam que a homossexualidade é uma doença e que as mulheres são feitas só para reproduzirem. Discurso que, infelizmente, tem se propagado massivamente com a aquisição das rádios e TVs pelas empresas evangélicas. “Tenho um forte eleitorado evangélico, que não me faltou”, é a fala de Cunha sobre os 232 mil votos, a terceira maior votação no Rio de Janeiro.


Mas por trás de todo o teatral conservadorismo, que Cunha e seus amigos Marcos Feliciano e pastor Everaldo gostam de mostrar, estão interesses materiais bem mundanos. Cunha é suspeito na operação Lava Jato, de ter favorecido alguns agentes de fundos de pensão, como Eric Bello, acusado de desviar dinheiro da Rioprevidência. Também utiliza sua influência política como moeda de troca para indicar seus apadrinhados em fundos de pensão, e outros órgãos do governo, como a chefia de Furnas e a secretaria de defesa agropecuária.
O atual presidente da Câmara é um ardoroso defensor do financiamento privado de campanha e para a sua última campanha, recebeu R$ 6,8 milhões em doações de empresas como Vale, AmBev, Bradesco, Santander, Safra e Shopping Iguatemi.
O deputado também legislou em defesa do parcelamento de impostos atrasados das grandes empresas e está empenhado em aprovar a construção de outro aeroporto em São Paulo, desejo das empreiteiras Camargo Corrêa e Andade Gutierrez.
Na presidência da Câmara por dois anos, Cunha vai poder desfilar seus projetos, ganhar muito dinheiro das grandes empresas e barganhar muitos cargos no governo, afinal, o governo Dilma é refém dos acordos mais espúrios com o PMDB e o chamado “baixo clero”.

Enquanto isso, mais Jandiras e Elizângelas continuarão morrendo em clínicas clandestinas de aborto. No Brasil estima-se que há quase 1 milhão de abortos feitos ao ano e destes, cerca de 200 mil deixam sequelas ou a morte. As mulheres que morrem são as que não podem pagar para fazer em clínicas seguras. São as mulheres trabalhadoras, que no desespero, vão acabar caindo nas mãos de quadrilhas que funcionam de forma totalmente insalubres e inseguras.
A legalização do aborto é urgente para que nenhuma mulher mais morra, nem fique com sequelas e nem passe constrangimento. Mas se depender deste congresso, muito mais mulheres morrerão e é sobre o cadáver delas que Eduardo Cunha fundamenta o seu poder, além do muito dinheiro que ganha com seus “negócios”.

É por isso que não devemos esperar nada de progressivo deste Congresso Nacional. A luta das mulheres e dos LGBTs terá que passar pela mobilização nas ruas, nos unificando com as demais lutas da classe trabalhadora! 






quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

NESSE CARNAVAL NOSSO BLOCO TÁ NA RUA CONTRA O MACHISMO!

Neste carnaval o Movimento Mulheres em Luta - DF faz campanha contra a violência a mulher, racismo e homofobia nos blocos de carnaval.

Algo que tem se tornado comum é o beijo forçado, as fantasias depreciativas lembrando a raça negra, além da violência sofrida por gays, lésbicas e transexuais nos diferentes espaços que os foliões pulam o carnaval.

O MML-DF repudia as rodinhas masculinas que obrigam e forçam as mulheres para ganharem beijos (o chamado corredor polonês), aqueles homens que puxam cabelos, braços e roupas para forçar a paquera, aquele de "mão boba" que está pronto a dá uma “pegadinha” nas partes íntimas das mulheres.
Esse tipo de comportamento é decorrente do machismo que ainda é uma realidade cotidiana que nós mulheres temos que conviver e a violência a que somos expostas nas festas que frequentamos.
Neste carnaval a paquera, o amor, o beijo na boca está mais que liberado! Mas que esse não seja roubado, forçado ou obrigado.

Vamos pular o carnaval, mas sem o machismo e combatendo a violência contra a mulher, negros e negras e pessoas LGBTT. Além do combate ao machismo o MML-DF sai nesse carnaval para combater o racismo que ganha força nas brincadeiras de carnaval, seja com acessórios que remetem a raça como com perucas de cabelo crespo, como se fosse fantasia, seja com as blackfaces que pintam os rostos com tinta preta fazendo caricaturas e brincadeiras negativas e remetendo aos anos em que os negros sofreram com a escravidão.

Repudiamos aqueles que reforçam a imagem da mulher negra como um corpo a venda, objeto sexual utilizado no carnaval para vender e promover essa festa. Vamos nos divertir, pular, beijar, transar, curtir! Mas sem opressão, sem forçação, sem violência!
Ótimo carnaval para todas e todos!

Fotos por Johnatan Reis
https://www.facebook.com/JohnRReis

Veja as fotos abaixo:










 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Mulheres e Homens lado a lado no combate ao machismo na baixada fluminense no RJ

O Movimento mulheres em Luta e SINDCONIR - Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Nova Iguaçu e Região, estiveram nos dias 21, 23, 27 e 28 de janeiro unidos na luta contra o machismo arrecadando as assinaturas na baixada fluminense no Rio de Janeiro. 

No estado do Rio de Janeiro a baixada fluminense tem os maiores índices de violência contra a mulher e o município de Nova Iguaçu lidera no ranking  em estupros. Dos nove municípios que o SINDCONIR atua somente Belford Roxo e Nova Iguaçu possui DEAM’s (Delegacia Especializada em Atendimento a Mulher), Mesquita/Queimados/Nilópolis tem NUAM’s (Núcleo de Atendimento a Mulher) e Paracambi/Seropédica/Japeri/Itaguaí não tem nenhum tipo de atendimento. O SINDCONIR que tem a sua categoria majoritariamente feminina abraçou esta causa junto com MML e saiu às ruas com abaixo-assinado reivindicando 1% do PIB para o combate a violência contra a mulher.

Durante a campanha recebemos denúncias que faltam remédios para o atendimento a mulher quando é vítima de estupro em Belford Roxo e que os números de violência são mascarados. O abaixo-assinado percorreu quatro municípios na baixada: Nova Iguaçu, Belford Roxo, Nilópolis e Queimados e rendeu mais de 1100 assinaturas, uma contribuição significativa com a presença da categoria e moradores da baixada. O SINDCONIR além disso disponibiliza em cada sub-sede o abaixo-assinado para que cada um possa fazer a sua parte para o combate à violência contra a mulher.  Para um sindicato de luta, a violência contra a mulher não deve existir e por isso, no mês de março também terá mesa de debate sobre o tema para que a categoria sempre fique atualizada sobre o combate ao machismo.

A partir desse abaixo-assinado, o MML quer exigir do poder público medidas efetivas para o combate a violência contra a mulher. Com essa ferramenta queremos dizer que é possível investir 1% do PIB para políticas específicas para as mulheres e apresentar um projeto de combate a violência contra à mulher que considere a segurança e assistência a vitima de violência, com centros de referências, casas-abrigos, delegacias especializadas com estrutura e equipes bem treinadas e que também considere medidas de prevenção como campanhas de conscientização. Para isso é central exigirmos 1% do PIB para políticas públicas específicas para as mulheres, pois sem orçamento não conseguiremos concretizar e dar resposta a essa realidade cruel que vítima milhares de mulheres todos os dias. 

Junte-se ao Movimento Mulheres em Luta na campanha por 1% do PIB para o combate a violência contra à mulher, sem investimento não enfrentamos a violência machista!


CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA ACESSAR O  ABAIXO-ASSINADO - 1% DO PIB PARA O COMBATE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER:



terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Avança a luta dos imigrantes haitianos no Brasil!

Nesse domingo dia 01 de fevereiro foi fundada em São Paulo, com o apoio da CSP-Conlutas, a União Social dos Imigrantes Haitianos - USIH. A Central Sindical e Popular Conlutas sempre prestou solidariedade ao povo haitiano, com a campanha 'Fora as Tropas brasileiras do Haiti'; enviando, inclusive, caravanas, antes e após o terremoto que devastou o país.

O Haiti é um dos países mais pobres do continente americano e as condições de vida pioraram drasticamente com o terremoto que atingiu o país em 2010. O povo haitiano sofre com a superexploração do seu trabalho, com o autoritarismo e violência da suposta ocupação "humanitária", com a falta de empregos, infraestrutura, moradia, saúde e educação. Em busca de melhores condições de vida, muitos imigram para outros países do continente.  Atualmente cerca de 45 mil haitianos imigraram para o Brasil. 

Os trabalhadores imigrantes haitianos que vêm para o Brasil passam por inúmeras dificuldades, desde a própria viagem, sendo explorados e extorquidos pelos "coiotes", até as condições desumanas nos abrigos no norte do país, a viagem até São Paulo e outros estados e por fim a procura por emprego, moradia, etc. Para as mulheres imigrantes haitianas, todo este percurso é ainda mais difícil, desde a gravidez e a procura por condições para terem seus filhos, até a maior dificuldade para conseguirem trabalho. Geralmente os homens conseguem emprego nos ramos da construção civil, por terem inclusive o porte físico comumente exigido. Já as mulheres, demoram muito mais para conseguirem trabalho e quando conseguem é subemprego, fazendo "bicos", além da dificuldade que enfrentam para conseguirem creche para seus filhos. E as mulheres haitianas estão enfrentando essas dificuldades e se organizando politicamente, participando ativamente da construção da entidade.

Por  tudo isso a fundação da USIH, que já nasce filiada à CSP-Conlutas é um importante passo na organização dos trabalhadores e trabalhadoras haitianos que vivem no Brasil e o Movimento Mulheres em Luta estará apoiando também este processo. Viva a luta do povo haitiano!

A sede da Associação será na Rua Afonso Celso, 1033 - metrô Santa Cruz. Começará a atender dia 19/02, após o carnaval.

Confira abaixo algumas imagens da assembleia de fundação da USIH:








quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Boletim Eletrônico nº18 do Movimento Mulheres em Luta.

Chegou o Boletim Eletrônico nº18 do Movimento Mulheres em Luta!
Confira nesta edição: Seminário Nacional do MML lança campanha “1% do PIB para o combate a violência contra a mulher”; Como trabalhar com o abaixo-assinado?; Como vamos concluir essa atividade?; 2015: a previsão é de lutas à vista!

Para ter acesso ao texto on-line  em versão PDF para download e impressão imprimir é só acessar o link:
http://issuu.com/mulheresemluta1/docs/boletim_eletru00f4nico_nu00ba_18


Para acompanhar as informações do MML é só acessar o blog:
http://mulheresemluta.blogspot.com.br/


Ou a página do MML nacional no facebook:

https://www.facebook.com/pages/Movimento-Mulheres-em-Luta/273212596079187?ref=bookmarks











segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

CONVOCATÓRIA PARA REUNIÃO DA EXECUTIVA NACIONAL DO MML


Companheiras, o ano de 2015 começou com muitas preocupações para a classe trabalhadora. A recessão na economia do país é evidente e os patrões e governos já tomaram medidas para transferir aos trabalhadores a conta dessa crise.

As medidas provisórias 664 e 665 do governo Dilma, os cortes no orçamento de pastas sociais, as ameaças de demissões são alguns dos acontecimentos no início do segundo mandato de Dilma do PT na presidência.

Nesse contexto, estamos construindo uma campanha que visa pressionar o governo a inverter as prioridades e investir 1% do PIB nas políticas de combate a violência contra a mulher, bem como estaremos envolvidas na construção dos atos de 08 de Março, levando as mulheres trabalhadoras às ruas para lutar por seus direitos e contra o machismo.

Por isso, convocamos a primeira reunião da Executiva Nacional do Movimento Mulheres em Luta para o dia 01/02, em São Paulo, com o objetivo de discutir o planejamento do movimento para o primeiro semestre, bem como articular nossa participação no calendário de lutas que se dão em todo o país.

Data: Domingo, dia 01/02/2015
Hora : 09 às 18:00
Local : Sindicato dos Metroviários de São Paulo – Rua serra do Japi, 31, Tatuapé, SP.





Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Chega da violência contra as mulheres!

Chega da violência contra as mulheres!