quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Moção de apoio aos trabalhadores da Mabe, multinacional fabricante de eletrodomésticos




Depois de vender milhões de fogões da marca Dako e Continental nos últimos 10 anos no Brasil, a multinacional Mabe, dona de 49 fábricas no exterior, resolveu fechar as portas e demitir 1.900 trabalhadores, deixando de pagar salários dos últimos três meses, 13º e direitos trabalhistas.
Essa empresa que se denominava como “A marca da multimulher” em suas campanhas publicitárias, ou seja, que se baseava na dupla e até tripla jornada de trabalho imposta as mulheres trabalhadoras para lucrar sobre o público feminino, agora deixa centenas delas sem salários e sem emprego.
Vale ressaltar que a multinacional teve isenção de impostos, patrocinada pelo governo federal aos fabricantes de eletrodomésticos.
Depois de ter lucros exorbitantes e de enviar para o exterior parte importante destes lucros, ao primeiro sinal de crise, ataca sem piedade seus trabalhadores, fechando as portas  de duas fábricas que tem na Região metropolitana de Campinas.



O sindicato dos metalúrgicos de Campinas e região, junto com os trabalhadores da Mabe ocuparam a empresa preventivamente, no dia 15 de fevereiro de 2016, para impedir que os empresários vendessem as máquinas e o patrimônio da empresa.
Os trabalhadores da Mabe estão precisando de todo apoio da população brasileira, especialmente da classe trabalhadora. Não podemos permitir que o poder econômico descarregue todo o peso da crise nas costas dos operários, dos humildes.
Os eletrodomésticos da linha branca tiveram isenção de IPI durante anos, que engordaram os bolsos de patrões que nem sequer pagavam seus trabalhadores. Além disso, a Mabe recebeu vários empréstimos a juros baixos do BNDES para ampliação e modernização de suas instalações, que nunca pagou. Várias máquinas estão penhoradas pelo BNDES.
Por isso exigimos que o governo Dilma exproprie as duas unidades da Mabe, sem indenização, para recolocá-las em produção sob o controle dos trabalhadores – que já demonstraram disposição para isso -  e garanta a estabilidade no emprego de todos, revogando as demissões feitas em janeiro, pois nenhum dos demitidos recebeu indenização. Além disso, deve confiscar os bens dos proprietários para garantir o pagamento dos salários atrasados, 13º e da PLR.
Por isso, O Movimento Mulheres em Luta se solidariza com a luta dos 1.900 trabalhadores da Mabe e se coloca à disposição para ajudar no que for necessário.

Todo apoio à ocupação da Mabe!
Estatização, sem indenização, sob o controle dos trabalhadores!
Pagamento de todos os salários e outros benefícios atrasados!

Estabilidade no emprego e readmissão dos demitidos! 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Boletim Eletrônico do Movimento Mulheres em Luta número 1, ano 2016

Está no ar o Boletim Eletrônico do Movimento Mulheres em Luta número 1, ano 2016 Confira nessa edição:

- Contra Dilma, Temer, Cunha e Aécio: Basta das trabalhadoras pagarem pela crise!
Construir um 08 de Março classista e de luta!

-Todo apoio as terceirizadas da Higilimp! Pelo pagamento imediato de seus salários e pela garantia do emprego!

-Vejam as campanhas que o MML vai construir nesse semestre

- Apoio ao Projeto do salão Abayomi das mulheres da Ocupação Esperança.

-Campanha pela descriminalização e legalização do aborto da CSP-Conlutas.

-Calendário do Espaço de Unidade de Ação.

- Segue o desafio de estruturar os Grupos Organizadores Locais!

-Vem aí Seminário Nacional do MML: Mulheres Pretas tem História! 


Para acessar na íntegra o Boletim Eletrônico, fazer download ou imprimir, basta acessar o link:

Para acompanhar as informações do MML é só acessar o blog:

Ou a página do MML nacional no facebook:

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Aumenta o surto de Zika e o Governo Segue Cortando Custos !


Por Maria Costa, do MML- MG

Em cerca de 3 meses o Zika vírus deixou de ser um problema de saúde pública no Brasil para ser decretado emergência de saúde pública de caráter internacional pela OMS. O vírus espalhou-se com uma velocidade nunca vista antes para doenças transmitidas por mosquitos.

Zika: uma doença com mais dúvidas que certezas

A presença do Zika vírus foi confirmada no Brasil em Maio de 2015. Menos de um ano depois, à data que escrevemos este artigo, já se registrava a transmissão local do vírus em 36 países no mundo, dos quais 26 pertenciam ao continente americano. Nas palavras da diretora-geral da OMS o vírus disseminou-se de forma explosiva e pode se transformar num problema de saúde mundial.
Está comprovado que o Zika se transmite pela picada do mosquito Aedes aegypti, tal como a dengue e a febre chikungunya. Existem fortes evidências de que se transmita durante a gestação através da placenta para o feto. Todas as restantes formas de transmissão são consideradas possíveis, ainda não foram feitos testes suficientes para confirmá-las ou descartá-las.
Já foram comprovados alguns casos em que o vírus se transmitiu pelo sangue e por relações sexuais. No entanto não se sabe se foram transmissões ocasionais ou se pode ser transmitido assim sempre. Neste momento os Centros para Controle de Doenças  Americano (CDC) e Europeu (ECDC) já admitem que possa haver transmissão sexual e aconselham o uso de camisinha para prevenção da infecção por Zika. Recomendam também que sejam feitos testes para detecção do vírus em sangue de doadores que vivem ou estiveram em regiões com epidemia de Zika.
Recentemente a Fiocruz comprovou a presença de vírus ativos, ou seja, com capacidade de infectar, na saliva e urina de pacientes com Zika.
O outro fato que aponta para a possibilidade de que não seja só o mosquito que transmita o Zika é que está se disseminando em uma velocidade nunca vista antes, nem para a chikungunya nem para a dengue. A dengue demorou quase 20 anos para se disseminar pelas Américas. O Zika, em um ano já se disseminou por 26 países.

É possível diagnosticar a microcefalia e a infecção pelo vírus Zika durante a gravidez?

Atualmente, o método mais eficaz para diagnosticar a presença do vírus é mediante a detecção do seu material genético no sangue no período que decorre a infecção. Também pode ser detectado no líquido amniótico. A pesquisa de anticorpos é pouco fidedigna porque gera reações cruzadas com os anticorpos contra a dengue (ou seja, é detectado um anticorpo contra o Zika que na verdade é um anticorpo contra a dengue).
O protocolo estabelecido pelo governo preconiza a realização deste teste apenas quando há suspeita de infecção pelo Zika: “Toda grávida, em qualquer idade gestacional, com doença exantemática aguda, excluídas outras hipóteses de doenças infecciosas e causas não infecciosas conhecidas”. Este critério é totalmente insuficiente, pois 80% das infecções por Zika são assintomáticas. Para garantir que o maior número de grávidas sejam diagnosticadas, deve ser feito o teste de detecção do vírus no primeiro trimestre de gestação (até 12 semanas) e no segundo (até 20 semanas), juntamente com a pesquisa de anticorpos para o vírus. Não se sabe quanto tempo o vírus permanece na corrente sanguínea e é possível que, mesmo com a realização desses exames, a infecção não seja detectada. Ainda assim, com certeza seria identificado um número muito maior de grávidas em risco do que o atual protocolo do governo permite. Se, entretanto, forem descobertos outros métodos de diagnóstico mais fidedignos, então estes devem ser utilizados.
A ultrassonografia (USG) morfológica só tem detectado a microcefalia nos fetos após a 28ª semana de gestação. No entanto a análise do líquido amniótico para detectar a presença do vírus pode ser feita muito mais cedo na gestação, em casos suspeitos, ou se a grávida desejar. Este é um exame que ainda não se tem certeza se detecta todos os casos de infecção e que apresenta risco muito pequeno de provocar um aborto. Ainda assim, se a mulher desejar fazê-lo deve ter esta opção.
A obstetra Adriana Melo, de Campina Grande (PB) especialista em medicina fetal foi a primeira a identificar o Zika em gestantes com fetos com microcefalia, segue acompanhando gestantes com Zika e refere que “diagnóstico mais precoce que fiz foi com 20 semanas, e, quando começaram as alterações, a grávida estava com 16 semanas.”. É necessário aprofundar as investigações para detectar se de fato há alterações no desenvolvimento fetal que permitam o diagnóstico da síndrome Zika mais precocemente na gravidez.
Mas, se a microcefalia não tem cura e se nem todos os casos podem ser diagnosticados durante a gravidez, para que realizar tantos exames? A resposta é simples: para que as mulheres grávidas tenham acesso a toda a informação possível sobre o estado de saúde do feto e sobre qual o risco de que nasça com microcefalia, para que assim possam decidir se querem ou não levar a gravidez até o fim.

Que as mulheres trabalhadoras e famílias possam escolher

O ECDC e o CDC estão a aconselhar as mulheres grávidas a não viajar para países com epidemia de Zika. Fica a pergunta, qual o conselho a dar às mulheres que vivem nesses países? Os únicos conselhos dados atualmente pelo governo brasileiro às mulheres grávidas são: “O Ministério da Saúde orienta as gestantes adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.[1]
O governo coloca a responsabilidade nos trabalhadores, por um lado responsabilizando-os por eliminar os focos de multiplicação do mosquito por outro aconselhando as grávidas a que se protejam do mosquito.
Por mais que tomem todos esses cuidados, não é possível garantir não vão sofrer nenhuma picada de mosquito durante os 9 meses de gestação. A situação pode ser mais incontrolável ainda se de fato o vírus se transmitir por relações sexuais ou pela saliva. Ou seja, todas as mulheres grávidas neste momento, por mais cuidadosas que sejam, correm risco real de serem infectadas pelo vírus Zika e terem um filho com síndrome de Zika congênita.
Na prática a maioria dos médicos está a aconselhar as mulheres a não engravidar agora. A pergunta que fica é como??? Como garantir não engravidar num país em que a distribuição de contraceptivos gratuitos é tão deficiente? Onde pouquíssimas mulheres têm condição econômica de ter acesso à contracepção que não exige ser tomada diariamente e que, por isso, é muito mais segura (anel vaginal, adesivos cutâneos, DIU hormonal e de cobre)?
O governo segue dizendo: “Não há uma recomendação do Ministério da Saúde para evitar a gravidez. As informações estão sendo divulgadas conforme o andamento das investigações. A decisão de uma gestação é individual de cada mulher e sua família”
Deveria ser uma decisão individual de cada mulher e sua família, mas não é! A mulher com uma gravidez indesejada não pode tomar mais nenhuma decisão. O Estado já tomou por ela proibindo o aborto.
Mesmo que se tenha acesso aos melhores contraceptivos, nenhum deles é 100% seguro, inclusive quando são usados corretamente falham e podem ocorrer gravidezes indesejadas. Acreditamos que agora, mais do que nunca, é fundamental que as mulheres possam escolher se querem ter um filho, correndo o risco de ser infectadas pelo Zika, ou se não querem correr esse risco, e nesse caso devem ter acesso a realizar um aborto no SUS, gratuito e em segurança.
O Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Zeid Al Hussein, apelou a países afetados pelo vírus que permitam que mulheres tenham acesso a métodos contraceptivos e ao aborto.[2]
Não se trata de permitir o aborto pois na verdade ele já é realizado em todos os países da América Latina, trata-se de que todas as mulheres tenham acesso a um aborto seguro e gratuito, porque hoje as mulheres ricas fazem-no em segurança pagando entre 5 a 15 mil reais por procedimento. O responsável pela identificação do primeiro caso de zika no Brasil e um dos primeiros a apontar a relação do vírus com aumento de casos de microcefalia, o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, Kleber Luz, não pensa duas vezes ao afirmar “As mulheres vão abortar, com autorização legal ou não”, avaliou. “E isso vai acontecer com mulheres de todas as faixas sociais.”[3] Trata-se de garantir que as mulheres trabalhadoras tenham acesso à realização de um aborto em segurança e gratuitamente no SUS e não coloquem a sua vida e saúde em risco.
Por outro lado, consideramos que as mulheres e famílias que desejarem ter filhos devem ter todas as garantias do Estado de ter acesso aos melhores tratamentos e acompanhamento de saúde e educacional. Para além disso é necessário garantir um subsídio digno às famílias e estabilidade no emprego, tal como disse Angela Rocha, chefe do serviço de infectologia pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz de Recife, “é necessário garantir que pais e cuidadores não tenham uma queda muito significativa nos rendimentos. Isso porque a rotina de tratamento desses bebês é intensa. Pais terão de levá-los às consultas muitas vezes durante o horário de trabalho.”[4]
As consequências do Zika prejudicam muito mais as mulheres trabalhadoras e pobres pois estão condenadas ou a abortar colocando em risco a sua vida e saúde ou a criar um filho com malformações sem apoio nenhum do estado, já as mulheres ricas têm esses tratamentos garantidos para os seus filhos e se quiserem podem abortar com segurança.

Programa da classe trabalhadora para a epidemia de Zika

No Brasil, a epidemia de Zika surge num momento de crise econômica em que o centro da política do governo Dilma/PT tem sido pôr os custos dessa crise nas costas dos trabalhadores. Os cortes no orçamento têm afetado essencialmente as áreas sociais, a saúde e a educação. A crise do SUS no estado do Rio é um dos exemplos da situação de caos e sucateamento em que se encontra o SUS.
O alerta para esta situação é dado pelos próprios profissionais de saúde, o diretor de uma escola de Saúde Pública da Fiocruz, Hermano Castro. “A saúde não pode ser penalizada com cortes, sob pena de termos uma crise sanitária com repercussão nos próximos trinta ou quarenta anos”10,
Dizemos mais, não basta que não haja mais cortes na saúde pública, é necessário um investimento de emergência, é necessário que 10% do PIB seja investido no SUS e que seja feito um orçamento de emergência para resposta ao Zika. Neste momento já são as famílias trabalhadoras mais pobres que mais sofrem com esta epidemia pois são as que vivem em áreas sem saneamento básico e com mais concentração do mosquito. Também são as famílias trabalhadoras que têm menos acesso a cuidados de saúde.
Para além disso tem que terminar de imediato os cortes de orçamento na educação pública que estão a deixar as universidades públicas à beira da falência, completamente sem recursos o que impossibilita que estas se dediquem a investigar os mecanismos pelos quais o vírus causa doença e o desenvolvimento de uma vacina.
Exigimos:
1. Colocar em prática, desde já, um plano consequente para o combate ao Aedes aegypti, com medidas com efeito a curto e longo prazo, que passam por contratação massiva de agentes de saúde para a eliminação de focos de reprodução do mosquito, limpeza de descampados especialmente nas áreas urbanas, eliminar todos os lixões a céu aberto, construção de rede de esgoto e saneamento básico em todas as cidades e que sirvam a toda a população.
2. Disponibilização de todos os recursos financeiros necessários para a pesquisa científica, em instituições estatais, sobre o vírus Zika, síndrome zika congênita e para o possível desenvolvimento de uma vacina.
3. O governo deve distribuir gratuitamente repelentes de qualidade e mosquiteiros para toda a população, mas de forma prioritária às mulheres grávidas.
4. Disponibilização dos melhores tratamentos gratuitos para as crianças com microcefalia e outras malformações congênitas. O governo deve fornecer um subsídio que garanta que as famílias tenham todas as condições econômicas de criar os seus filhos com dignidade. Garantia de estabilidade no emprego para todos os pais e mães de crianças com microcefalia e outras malformações congênitas.
5. Fornecimento gratuito a todas as mulheres em idade reprodutiva de todos os contraceptivos disponíveis, em especial os que não necessitam ingestão diária e que por isso tornam-se mais seguros (anel vaginal, adesivos cutâneos, implante subcutâneo, DIU hormonal e de cobre).
6. Aborto legal e gratuito no SUS para todas as mulheres que não desejarem engravidar.
7. Todas as grávidas que não tiverem sintomas devem fazer o teste para saber se estão infectadas com o vírus Zika no primeiro e segundo trimestre de gestação. No caso de dúvida, as mulheres que desejarem devem poder realizar a detecção do vírus no líquido amniótico.
8. Para que possa ser dado o melhor atendimento à classe trabalhadora e em especial às grávidas neste momento, exigimos o fim do financiamento de empresas de saúde particular e planos de saúde! 10% do PIB para o SUS já! Estatização das grandes empresas e planos de saúde!
9. Fim do pagamento da dívida aos banqueiros para criar um investimento emergencial para o SUS e para a investigação científica em instituições públicas.
10. Para garantir que essas medidas sejam de fato aplicadas, é necessário lutar por um governo socialista dos trabalhadores, sem patrões.







[1] http://combateaedes.saude.gov.br/noticias/320-ministerio-da-saude-investiga-3-852-casos-suspeitos-de-microcefalia-no-pais
[2] http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,contra-microcefalia-onu-recomenda-liberar-aborto-na-america-latina,10000015136
[3] http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,vao-abortar--com-autorizacao-legal-ou-nao,10000015759
[4] http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,medica-fala-em-geracao-de-sequelados,1807413

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

II Encontro Estadual do Movimento Mulheres em Luta Piauí. Apenas começamos!

Por Jullyane Teixeira, do MML Piauí

Aconteceu no último sábado (12) o II Encontro Estadual do Movimento Mulheres em Luta Piauí, voltado para as mulheres da classe trabalhadora e juventude, das 08 às 18h, no Auditório Maestrina Clóris Oliveira, do IFPI Teresina Central. 


Entendendo que a organização da luta das mulheres trabalhadoras e juventude passa, necessariamente, pela construção de espaços de debate em que as mães possam participar, o encontro teve uma creche montada especialmente para o evento com quase 30 crianças atendidas. O encontro foi bastante representativo e contou com a participação de mais de 120 mulheres, dentre elas, operárias, trabalhadoras rurais, servidoras públicas, professoras, estudantes, desempregadas, ativistas da luta por moradia na periferia, quilombolas, discutindo conjuntura política, defesa de direitos, contra a violência à mulher e contra as opressões do machismo, racismo e LGBTfobia. 
Foram aprovadas resoluções políticas que vão nortear o próximo período de lutas, como a reafirmação da campanha nacional de luta por 1% do PIB para o combate à violência contra a mulher (votada no I Encontro Nacional do MML, realizada em 2013, em Sarzedo-MG), bem como uma campanha estadual de luta por creches, já que essa é a principal demanda das mulheres trabalhadoras, sendo a responsável pelo abandono do emprego dessas mulheres e o maior motivo de evasão escolar das estudantes, por não terem onde deixar os filhos. 


O encontro também elegeu uma nova direção estadual do MML/PI. Participaram mulheres de Campinas do Piauí, Parnaíba, Picos, Piripiri, Teresina, São Raimundo Nonato e Floriano. Ao final, foram aprovados duas moções das mulheres presentes ao encontro, uma de repúdio, contra a declaração machista do senador Hélio José, recém filiado ao Partido da Mulher Brasileira (PMB) e uma de apoio aos funcionários terceirizados do IFPI, que estão há dois meses sem receber salário, demonstrando que a solidariedade de classe, um dos princípios fundamentais do movimento, continua sendo praticado em todos os seus espaços de discussões políticas. 
O lugar das mulheres é junto ao movimento geral dos trabalhadores, incorporando as demandas das mulheres por creche, equiparação salarial e salário igual para trabalho igual, combate a violência, legalização do aborto, entre outras, como parte das reivindicações gerais da classe trabalhadora. 
Engana-se quem acredita ser Dilma o mal menor, os trabalhadores com sua força podem derrotar o governo e suas medidas, sendo que as mulheres tem um papel importante nesse processo. O Movimento Mulheres em Luta está se forjando cotidianamente nas principais demandas das mulheres trabalhadoras e é nesse espaço que temos que cumprir o papel de construir junto dessas mulheres uma alternativa independente para responder a crise e fazer com que não sejamos nós a pagar essa conta. Apenas começamos!





segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O Zika vírus ameça, o Governo não investe na saúde pública e as mulheres trabalhadoras são, mais uma vez, penalizadas!

Por Maria Costa, médica e ativista do MML MG 

Até alguns meses atrás a epidemia que mais se falava com o início do Verão era a Dengue. No entanto, este ano o vilão mudou, chama-se Zika e hoje é um dos grandes receios da população brasileira e muito especialmente das  mulheres grávidas.

Estamos assistindo ao surgimento de uma geração de sequelados. O impacto será gigantesco[1] são as palavras da chefe do serviço de infectologia pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, do Recife. Existe essa possibilidade, mas acreditamos que o governo tem os meios para diminuir ao máximo o impacto desta epidemia ainda que para isso tenha que fazer algo que nunca se dispôs a fazer: Colocar os seus recurso financeiros e materiais a serviço da saúde e bem-estar da classe trabalhadora e deixar de financiar banqueiros e multinacionais.

Onde surgiu e o que é o Zika vírus?

O vírus Zika pertence a um grupo de vírus designados flavivírus (vírus amarelos) juntamente com o vírus da Dengue e Febre Amarela. Estes vírus são transmitidos por mosquitos, do gênero Aedes (que significa odioso em grego). Existem várias espécies de mosquito Aedes mas o que circula majoritariamente na América Latina é o Aedes aegypti  (odioso do Egito) e é ele que transmite o vírus no Brasil.
O Zika vírus foi introduzido no Brasil, possivelmente, por turistas que vieram assistir à Copa do Mundo em 2014. Nesse mesmo ano, foi publicado um estudo que conclui que o virús Zika sofreu um processo importante de mutações e que já era possível definir duas linhagens diferentes do vírus: a Africana e a Asiática[2]. É esta última linhagem que circula neste momento no Brasil, Colômbia, Chile, El Salvador, Guatemala, Mexico, Paraguai, Suriname e Venezuela.[3]
Em Fevereiro deste ano (2015) foram notificados, ao Ministério da Saúde (MS), cerca de 6.800 casos de doença exantemática, ou seja com erupções vermelhas na pele,  sem causa definida na Região Nordeste. Todos os casos apresentaram evolução benigna e cura espontânea. Em 29 de Abril, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia anunciaram a identificação do vírus Zika como causador dessa doença. Neste momento o vírus já foi identificado em 20 estados Brasileiros, só estando livres os estados de Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Acre[4], no entanto acreditamos que é apenas uma questão de tempo para que surjam casos nestes estados.

Como é transmitido e que doenças causa o vírus Zika?

Até o momento só a doença exantemática é comprovadamente causada de forma direta pelo vírus Zika. A síndrome de Guillain-Barré e a microcefalia em recém-nascidos, filhos de mães que contraíram Zika durante a gravidez, estão relacionadas com a infecção, mas ainda não se têm a certeza de por qual mecanismo.
80% das pessoas infectadas pelo vírus não apresentam qualquer sintoma e 20% apresentam uma síndrome com a presença de erupções vermelhas na pele (exantema) e coceira, febre, conjuntivite, dores musculares e das articulações e cefaleia. Nem todos os sintomas estão presentes, os três primeiros referidos são os mais comuns.
A síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma doença auto-imune em que o sistema imunológico ataca o revestimento as células nervosas (a bainha de mielina). A doença caracteriza-se por fraqueza muscular de gravidade variável, formigamento e dores musculares. Não existe tratamento específico para esta doença, normalmente as pessoas recuperam totalmente ainda que algumas podem necessitar de fisioterapia para recuperar. Apesar de ainda não ter sido comprovado, acredita-se que haja relação entre a infecção por Zika e a SGB pois tanto no Brasil como na Polinésia Francesa houve um aumento de casos de  SGB durante o surto de Zika. Os estados do Nordeste tiveram um aumento de 50-100% do número de casos de SGB este ano.

A microcefalia não é uma doença em si, mas um sintoma. Medidas como o peso, comprimento/altura e perímetro cefálico variam muito nos seres humanos. Para avaliar estas medidas nas crianças, desde o nascimento, usam-se, no Brasil, as curvas de percentis, elaboradas pela OMS, que podemos encontrar nas cadernetas de saúde infantil. Estas curvas são medidas estatísticas que nos dizem qual a percentagem da população que tem um determinado valor de peso, altura ou perímetro cefálico. Quando se afastam muito da média (percentil 50) podem indicar a presença de doenças. Em recém-nascidos (RN) de termo (mais de 39 semanas de gestação) normalmente é diagnosticada quando o perímetro cefálico é inferior a 32cm, com base nas curvas da OMS, que levam em conta amostras da população a nível mundial.
A microcefalia pode ser causada por várias doenças durante a gravidez (rubéola, toxoplamose, HIV, Sífilis, etc) e também por alguns medicamentos ou drogas como o álcool. Porém, no dia 22 de Outubro deste ano a Secretaria de Saúde de Pernambuco notificou o MS de um aumento dos casos de microcefalia, até então tinham sido registrados 26 casos.[5] Para se ter uma ideia, no final do ano anterior, 2014, tinham sido registrados 12 casos em Pernambuco, ou seja menos de metade.[6] Desde essa data para cá o número de casos aumentou exponencialmente. No momento em que escrevo este texto já são mais de 1700 casos a nível nacional, só na primeira semana de Dezembro o número de casos suspeitos de microcefalia aumentou 41%, passou de 1248 para 1761.[7]
A relação entre o aumento do número de casos de microcefalia e a infecção por zika vírus foi estabelecida por vários fatos entre os quais destaco os mais significativos: 1) entrevistas com mais de 60 gestantes, que tiveram doença exantemática na gravidez e cujos filhos nasceram com  microcefalia, sem histórico de doença genética na família e/ou exames que evidenciassem outras causas de microcefalia; 2) Identificação de casos de microcefalia também na Polinésia Francesa coincidentes com surto de Zika vírus; 3) Identificação do vírus Zika em líquido amniótico de duas gestantes cujo feto apresentava microcefalia, no interior da Paraíba; 4) Identificação do vírus Zika em tecidos de recém-nascido que morreu 5 dias depois do parto, no estado do Ceará, e que tinha sido diagnosticado com microcefalia durante a gravidez.5
A OMS também reconheceu a relação entre a infecção pelo Zika e o aumento de casos de microcefalia, mas afirma que ainda não se pode afirmar com certeza que a infecção pelo vírus seja a causa direta da microcefalia ou se existem outros fatores associados.
A microcefalia não tem cura, só é possível o tratamento de suporte para as doenças neurológicas associadas (epilepsia, por exemplo) e terapias que ajudem a ultrapassar os déficits cognitivos e motores (fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional).

Aumentam os casos de microcefalia e o governo segue querendo reduzir custos!

A medida que define microcefalia é controversa. Normalmente é estabelecida quando a medida de perímetro cefálico está abaixo do 3º Percentil para a idade e sexo, ou seja 32 cm nos RN de mais de 39 semanas de gestação. Para os RN com menos semanas de gestação/prematuros existem tabelas específicas.
Na primeira nota informativa lançada pelo governo, publicada a 17 de Novembro7, este estabelece como medida de corte 33 cm de perímetro cefálico para notificação de microcefalia. Esta decisão visava aumentar a sensibilidade na detecção de casos de doença. Como disse acima, o perímetro cefálico de 33 ou 32cm não define por si só doença, é um marcador para fazer exames complementares que avaliem se existe ou não doença. Ao estabelecer uma medida de corte mais elevada está-se na prática a aumentar a população que será submetida a exames complementares e acompanhamento médico para diagnosticar se existe ou não doença, o que seria correto na atual situação.
No entanto em nota publicada no dia 7 de Dezembro o governo voltou atrás reestabelecendo a medida de 32 cm para notificação de microcefalia: Até o dia 28 de novembro, o Ministério da Saúde havia recebido 1.248 notificações de casos suspeitos. Todos esses casos têm medida craniana igual ou inferior a 33 cm. Na primeira triagem desses casos suspeitos, muitos dos diagnósticos realizados precocemente e preventivamente já foram descartados. A nova medida visa agilizar os procedimentos clínicos, sem descuidar dos bebês que fizeram parte da primeira lista de casos notificados.[8]
Ou seja, o governo deixa entender que houve RN com 33 cm de perímetro cefálico em que não se comprovou que eram saudáveis, mas que ainda assim a partir de agora só vão ser seguidos os RN com 32 cm de perímetro cefálico para agilizar os procedimentos clínicos. Ou seja, na prática, uma parte dos bebês afetados pode não ser devidamente acompanhada para diminuir os gastos do SUS.
Consideramos que por enquanto se devia manter como medida de referência os 33cm, explicando aos pais que seria apenas uma medida para ter certeza que nenhuma criança doente deixaria de ser acompanhada. Pode ser que no decorrer do tempo se chegue à conclusão que é seguro usar os 32 cm como medida de corte, mas, neste momento, em que se sabe tão pouco do vírus é com certeza uma medida precoce e que tem como único objetivo diminuir custos.

Diante da epidemia, as mulheres trabalhadoras e seus filhos são os principais penalizados!

Neste momento a única solução dada pelo MS às mulheres grávidas é evitar as picadas de mosquito: Evite horários e lugares com presença de mosquitos; Sempre que possível utilize roupas que protejam partes expostas do corpo; Consulte o médico sobre o uso de repelentes e verifique atentamente no rótulo as orientações quanto à concentração e frequência de uso recomendada para gestantes; Permanecer, principalmente no período entre o anoitecer e o amanhecer, em locais com barreiras para entrada de insetos como: telas de proteção, mosquiteiros, ar-condicionado ou outras disponíveis.E ir ao médico se houver alguma alteração no seu estado de saúde...5
Por mais que tomem todos esses cuidados, não é possível garantir que não vai sofrer nenhuma picada de mosquito durante os 4 ou 5 meses que dura a época de atividade do Aedes aegypti, ou seja todas as mulheres grávidas neste momento, por mais cuidadosas que sejam, correm risco real de ser infectadas pelo vírus zika e ter um filho com microcefalia.
Mediante esta realidade, no passado dia 12 Novembro, o diretor do departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, deu o seguinte conselho às mulheres brasileiras: Não engravidem agora. Esse é o conselho mais sóbrio que pode ser dado[9]. Tenho acordo com o conselho, eu e muitos médicos clínicos gerais, obstetras e pediatras que têm sido questionados, respondem: Por favor não engravide agora!. A pergunta que se segue é como?? Como garantir que não se engravida num país em que a distribuição de contraceptivos gratuitos é tão deficiente? Onde pouquíssimas mulheres têm condição econômica de ter acesso a contracepção que não exige toma diária e que por isso é muito mais segura (anel vaginal, adesivos cutâneos, DIU hormonal e de Cobre)?
Tendo noção do paradoxo o ministério da saúde apressou-se a soltar uma nota, no dia 13 Novembro, contrariando Cláudio Maierovitch: Não há uma recomendação do Ministério da Saúde para evitar a gravidez. As informações estão sendo divulgadas conforme o andamento das investigações. A decisão de uma gestação é individual de cada mulher e sua família.
Deveria ser uma decisão individual de cada mulher e sua família mas não é! A mulher que engravida de forma acidental não pode tomar mais nenhuma decisão, o estado já tomou por ela proibindo o aborto.
Essa proibição hoje se torna ainda mais trágica pois não é só a perspectiva de ter um filho não planejado mas também um filho que pode ter enormes problemas de saúde e que vai necessitar de um acompanhamento médico que muitas famílias trabalhadoras não têm condições de proporcionar. Segundo a chefe do serviço de infectologia pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz de Recife, Angela Rocha, é necessário garantir que pais e cuidadores não tenham uma queda muito significativa nos rendimentos. Isso porque a rotina de tratamento desses bebês é intensa. Pais terão de levá-los às consultas muita vezes durante o horário de trabalho.1
Mesmo que se tenha acesso aos melhores contraceptivos nenhum deles é 100% seguro, inclusive quando são usados corretamente falham e podem ocorrer gravidezes indesejadas. Acreditamos que agora, mais do que nunca, é fundamental que as mulheres possam escolher se querem ter um filho, correndo o risco de ser infectadas pelo Zika, ou se não querem correr esse risco, e nesse caso devem ter acesso a realizar um aborto no SUS, gratuito e em segurança.

Por isso, exigimos dos governos medidas concretas para combater o Aedes aegipty e o Zika vírus:
1.               Colocar em prática desde já um plano consequente para o combate ao Aedes aegipty, com medidas de efeito a curto e longo prazo, que passam por contratação massiva de agentes de saúde para a eliminação de focos de reprodução do mosquito, limpeza de descampados especialmente nas áreas urbanas, eliminar todos os lixões a céu aberto, construção de rede de esgoto e saneamento básico em todas as cidades e que sirvam a toda a população;
2.               Disponibilização de todos os recursos financeiros necessários para a pesquisa científica, em instituições estatais, sobre o vírus Zika inclusive para o possível desenvolvimento de uma vacina;
3.               O governo deve distribuir gratuitamente repelentes de qualidade para toda a população, mas de forma prioritária às mulheres grávidas;
4.               Fornecimento gratuito a todas as mulheres em idade reprodutiva de todos os contraceptivos disponíveis, em especial os que não necessitam de toma diária e que por isso tornam-se mais seguros (anel vaginal, adesivos cutâneos, implante subcutâneo, DIU hormonal e de Cobre);
5.               Legalização do aborto por malformação do feto até às 24 semanas de gestação. Todas as grávidas em que for diagnosticada ou houver suspeita de infecção pelo vírus Zika devem ter opção de realizar um aborto, gratuito e pelo SUS, até às 24 semanas de gestação;
6.               Legalização do aborto até às 12 semanas para todas as mulheres que não desejarem engravidar;
7.               Todas as grávidas que não tiverem sintomas devem fazer o teste para saber se estão infectadas com vírus Zika no primeiro e segundo trimestre. A ultra-sonografia morfológica deve passar a ser obrigatória e deve ser realizada entre as 18 e 22 semanas para diagnóstico de microcefalia. No caso de dúvida as mulheres que desejarem devem poder realizar a detecção do vírus no liquido amniótico;
8.               Disponibilização dos melhores tratamentos gratuitos para as crianças com microcefalia  e outras mal-formações congênitas. O governo deve fornecer um subsidio que garanta que as famílias têm todas as condições econômicas de criar os seus filhos com dignidade. Garantia de estabilidade no emprego para todos os pais e mães de crianças com microcefalia e outras malformações congênitas.
9.               Para que possa ser dado o melhor atendimento à classe trabalhadora e em especial às grávidas neste momento exigimos 10% PIB para o SUS já!

Todas essas medidas devem ser incluídas como demandas das lutas da classe trabalhadora, pois só dessa forma conseguiremos garantir com que seja prioridade máxima a vida e a saúde da população, e não os lucros de banqueiros e empresários.









[4] Protocolo de vigilância e resposta à ocorrência de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus Zika / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.

Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Chega da violência contra as mulheres!

Chega da violência contra as mulheres!