quinta-feira, 26 de maio de 2016

Da cultura do estupro a violência do Estado. Não nos calaremos! Basta de violência machista!


A notícia de um estupro praticado por 30 homens à uma jovem de 17 anos causou comoção em muitos usuários de redes sociais no Brasil. A menina estava alcoolizada e sob efeito de outras substâncias, ou seja, não tinha condições de reagir a tamanha violência. O sentimento esperado é de indignação e total repúdio a este ato, porém não foi a única reação que vimos repercutir.


Esses homens, não apenas violentaram sexualmente a menor, como expuseram na internet o vídeo de tal episódio e, com isso, fomos bombardeadas (Sim, digo “fomos” porque todas  as mulheres sentiram na pele a dor de cada comentário!) por argumentos dos mais diversos que pactuavam com a situação, que achavam natural o acontecido ou que buscavam justificativa para tamanha violência a partir do comportamento da vítima.



Frases como “Ela usou droga por que quis” ou “Deu bobeira, foi amassada”, ou aquelas argumentações já conhecidas de que “ela não deveria estar naquele lugar, com aquela roupa”, etc. são evidências de quanto o machismo e a violência, sobretudo a sexual, são naturalizados em nossa sociedade, o quanto a responsabilização da vítima é vista como elemento de ponderação para avaliar os casos, o quanto nossa liberdade e poder de decisão são ignorados cotidianamente. Não há nenhuma reflexão, a não ser pelas próprias mulheres, de que esses homens sabiam o que estavam fazendo, não agiram por impulso, não filmaram e divulgaram tais imagens sem saber o que estavam fazendo. Pelo contrário, estavam bastante confortáveis e embasados na ideologia do machismo, na idéia de que as mulheres são objetos sexuais e que podem ser tratadas de qualquer forma. É essa ideologia que faz com que a mãe de um deles afirme que “o filho errou, mas quem o conhece sabe que ele não é assim”, que faz com a imprensa utilize o termo “jovem que supostamente sofreu estupro coletivo” e dê bastante ênfase ao fato dela ser usuária de drogas há cerca de 3 anos.


É preciso dizer as coisas como elas são. Não foi um erro o que aconteceu, foi um crime! Não foi um ato isolado, certamente esses homens já cometeram outros atos de violência contra as mulheres que, podem não ter sido tão bárbaros, mas que com certeza deixaram marcas. Como pode ser um suposto estupro se tem o vídeo postado pelos próprios agressores se vangloriando do feito? Qual a relevância da informação de que ela é usuária de drogas? Por acaso isso diminui a responsabilidade dos estupradores? Não.


Toda essa naturalização e a busca de justificativas fazem com que milhares de mulheres sejam violentadas, todos os dias, no país e no mundo. Quando saem para o trabalho, quando voltam da escola ou quando ficam sozinhas em casa são alvo de agressões e de culpabilização. Somente em São Paulo, a maior cidade do país, a cada 1 hora uma mulher é vítima de estupro. Em pesquisa realizada pelo sindicato de metroviários de São Paulo com usuárias do transporte coletivo, mais de 80% das mulheres relataram já terem sido assediadas nos vagões e estações. Já vimos casos de mulheres que ao irem à delegacia denunciar um caso de abuso, foram vítimas novamente, por parte daqueles que deveriam protegê-las.


Por isso, é muito importante localizar que a responsabilidade por casos como esse, não são apenas daqueles que o cometeram diretamente. A falta de investimento público nas políticas para as mulheres cobram seu preço. Infelizmente no governo da primeira mulher presidente no país tivemos míseros 0,26 centavos investidos por cada vítima da violência machista. Além disso, nossas pautas sofreram também com os acordões entre os governos e a bancada conservadora, como o que impediu a ida dos kit’s anti- homofobia para as escolas em 2011, ou o que fez o governo do PT se calar frente ao PL 5069/13 do Eduardo Cunha e, mais recentemente, a retirada da discussão de gênero do Plano Nacional de Educação que teve reflexo nos planos estaduais e municipais.


Sabemos que o descaso com a pauta das mulheres segue no atual governo Temer/PMDB e que a oposição do PSDB tão pouco tem compromisso com nossos interesses. Por isso, para arrancarmos qualquer conquista é necessário seguirmos intensificando a nossa luta, junto com a classe trabalhadora, derrotando todos os ataques dos governos e da bancada conservadora; impondo a discussão sobre o machismo e todas as formas de opressão nos diversos espaços como brilhantemente têm feito os secundaristas nas ocupações de escola e os trabalhadores em suas greves e mobilizações; realizando manifestações e fazendo repercutir casos como esse estupro coletivo, que passaria isento pela imprensa burguesa.


Muitas de nós já tombaram nas fábricas, nas escolas, nos transportes coletivos, nas ruas escuras. Não deixaremos que sejam esquecidas!É preciso transformar toda nossa indignação em força para lutar, é necessário seguirmos firmes na tarefa de destruir essa sociedade capitalista que reproduz e incentiva o machismo e toda forma de opressão para garantir seus lucros.  


Nenhuma mulher a menos! Nenhuma de nós merece ser estuprada! Não aceitaremos mais nenhuma mulher vitima da violência machista!Punição aos estupradores! 1% do PIB para as políticas de combate a violência contra a mulher! Basta desses governos que oprimem e exploram as mulheres trabalhadoras!


sexta-feira, 13 de maio de 2016

ENFERMAGEM: MULHER, TRABALHADORA EM RESISTÊNCIA À PRECARIZAÇÃO E DESVALORIZAÇÃO DE SEU TRABALHO.

Por Karine Rodrigues, enfermeira e ativista do MML DF


No dia 12 de maio comemoramos o dia internacional da enfermeira e dia 20 o dia da técnica de enfermagem. Durante esse período as trabalhadoras de enfermagem refletem sobre suas perspectivas profissionais, seu papel social, desafios a serem superados e conquistas a serem alcançadas.
Os principais questionamentos que pairam sobre as mentes e corações de todas as enfermeiras, seja ela estudante ou profissional já formado, seja na semana de enfermagem ou em qualquer período de sua vida são: Como alcançar a valorização profissional? Como conquistar as vitórias que a categoria necessita, como às 30h e o piso salarial? Essas duas perguntas tem diferentes respostas, a depender do interesse e de quem a responda.
Existem aqueles que afirmam que a enfermagem não consegue sua valorização por ser uma profissão desunida, majoritariamente feminina, por tanto, baseada em intrigas e inveja, o que nos enfraquece. Outros afirmam que somos apolíticos, não sabemos articular com deputados, ministros e senadores para conseguir nossas vitórias.
Essas duas principais opiniões que polarizam a enfermagem estão completamente equivocadas e são construídas por seres externos à profissão e que durante muito tempo tem contaminado o pensamento de enfermeiras e técnicas de enfermagem, para desarticular nossa luta e impossibilitar nossas conquistas.
Um dos motivos principais para a enfermagem ter em sua história tanta dificuldade em unir forças e lutar por suas melhorias está no fato de nós enfermeiras negarmos o papel social e econômico que desempenhamos, além de fugir de nossas origens. Somos uma profissão majoritariamente feminina, que em uma sociedade construída na ideologia machista naturalmente o que fazemos e produzimos de conhecimento será desvalorizado, menosprezado e subjugado ao conhecimento masculino.
Entender que somos essenciais para o funcionamento de qualquer estabelecimento de saúde, que nosso trabalho tem impacto econômico e social e que quem desempenha esse papel, em sua maioria, são mulheres é fundamental para que a gente entenda quais forças e como vamos construir nossas lutas, para sermos coerente com as nossas vitórias.
É preciso romper com a ideologia construída na idade média que a ciência do cuidar é vocacional ou, melhor, desempenhado por mulheres, ou que a  enfermagem é menos científica ou importante por seu conhecimento estar baseado nos conhecimentos e práticas femininas ou que é necessário dar um caráter masculino a profissão para que sejamos mais valorizadas. Essas ideologias são construídas desde a idade média até os dias atuais, legitimada por nós enfermeiras que achamos digna a ideia de exercer uma vocação, não uma profissão.  Esses pensamentos têm como único objetivo legitimar os nossos baixos salários, as nossas jornadas incansáveis e nossa precária situação de trabalho.
Quem exerce vocação a exerce em qualquer lugar, em qualquer circunstância e em qualquer situação. A vocação pressupõe um dom natural, nasce ou não com ela, nega a capacidade e a possibilidade de aprender determinada tarefa ou trabalho, nega a possibilidade da escolha, pois quem tem vocação é chamado para exercer aquela profissão, negando a autonomia de escolha de milhões de mulheres que exercem a enfermagem por terem escolhido o trabalho que estão exercendo. Quem exerce uma vocação não necessita ser remunerada ou sua remuneração pode ser somente um agrado, pois o exercício da vocação é algo natural e voluntarioso e receber por algo que você nasceu para fazer é algo errado, já imaginou uma santa, uma anja ou uma freira recebendo pelo seu trabalho exercido, pelo dom natural que Deus lhe concedeu?
Não podemos negar nossa história, mas precisamos afirmar que é necessário superar os alicerces ideológicos que fazem a enfermagem ser submissa, desvalorizada e subjugada a um conhecimento que em nossa sociedade é mais valorizado do que o nosso.
O conhecimento da enfermagem foi construído por religiosas, prostitutas, bruxas, mulheres, parteiras, curandeiras, benzedeiras, cientistas e lutadoras. Esse conhecimento não é menor por ter sido construído por essas mulheres, muito pelo contrário, essas mulheres com os limites impostos em suas épocas resistiram e tiveram coragem em desafiar a ordem de seu tempo, mas essa história foi superada e é necessário construirmos uma enfermagem de mulheres e homens, baseada em conhecimento social, humano e científico, na luta organizada de nós por nos mesmas e por aqueles que nos apoiam e reforçam nosso trabalho e nossa profissão. É necessário construir o protagonismo feminino dento da enfermagem, o masculino já é naturalmente construído em nossa sociedade, mas precisamos ganhar esses homens que compõem a enfermagem para a nossa luta, para a nossa valorização, pois só vamos arrancar dos empresários da saúde e dos governos dos Estados as nossas conquistas em unidade entre homens e mulheres, trabalhadoras e trabalhadores da enfermagem saindo em luta e resistindo a precarização de nosso trabalho e a desvalorização de nossa profissão.
OBS: tivemos o cuidado de construir esse texto com artigos no feminino, pois a enfermagem é uma categoria profissional composta por 90% de mulheres.





domingo, 24 de abril de 2016

Basta de violência contra a mulher. Basta de naturalizar o machismo!

Temos visto circular nas redes sociais, um vídeo em que o apresentador Ratinho chuta uma caixa de papelão. embaixo da caixa estava a assistente de palco Milene Pavorô. O golpe visivelmente atingiu a moça que saiu do palco bastante constrangida.
Sem nenhum tipo de preocupação, Ratinho ainda queria mantê-la na apresentação, como se nada tivesse acontecido. diante da sua saída, ameaçou dizendo que " providências serão tomadas, ela vai pra rua".

Como é possível em emissora de TV, o machismo ser reproduzido de maneira tão descarada? a naturalização da violência contra a mulher ser incentivada e tratada como piada?

Você deve achar que todo mundo ficou indignado né? Só que não, os comentários na internet são " Nada demais, é papel dela no programa" ou " foi tudo ensaiando. Ela tá bem". Até um cometário da própria Milene foi postado onde ela afirma que não foi nada demais. Não me admira que ela tenha minimizado, certamente seu emprego estava em risco.

Mas, não ficaremos caladas. Essa reprodução sistemática do machismo e da violência é o que faz do Brasil o 5º país onde mais se matam mulheres; que faz com que mais da metade das mulheres já tenham sido alvo de assédio moral ou sexual, em seu local de trabalho; que faz com que a cada 2 minutos 5 mulheres sejam violentamente agredidas em nosso país.

Não vamos aceitar, são as mulheres trabalhadoras, pobres e das periferias as principais vítimas dessa naturalização e da falta de investimento dos governos nas políticas de combate a violência contra a mulher.

Desde 2013, nós do Movimento Mulheres em Luta, desenvolvemos uma campanha nacional de combate a violência machista. Uma das ações foi coletar assinaturas em um abaixo assinado que exigia a aplicação de 1% do PIB nas políticas de combate a violência. Apresentamos também um projeto do que seria possível fazer, na época,com o orçamento. Uma das medidas seria um conjunto de campanhas informativas e de conscientização para serem veiculadas nos meios de comunicação sobre o que é o machismo, seus desdobramentos e a necessidade de combatê-lo. 

Porém, o que estamos vendo acontecer é exatamente o contrário. Ao longo de todo o ano de 2015 em várias cidades foram votados planos municipais de educação nos quais foi retirado o termo identidade de gênero e proibiu-se qualquer possibilidade de discutir a opressão de gênero, o machismo. 

Diante disso, travamos uma luta árdua para não permitir o retrocesso em nossos direitos. Exigimos a punição ao apresentador ratinho e exigimos mais investimento público nas políticas de combate a violência machista!

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Mulheres, é preciso resistir aos ataques em nossos direitos e derrotar o projeto que sucateia os serviços públicos!

NÃO AO  PLP 257/16! NÃO VAMOS PAGAR PELA CRISE!

Por Ivanilda Reis, coordenadora da FASUBRA e membra do MML RJ

Em um País em que menos de 4% de tudo que se arrecada é destinado ao investimento com Políticas Públicas, em que  aumenta a cada dia o número de  famílias que são mantidas financeiramente por mulheres, uma sociedade machista na qual as mulheres recebem até 30% menos que os homens e apenas 5% ocupam cargos de chefia, não há dúvida de que todos os projetos de retirada de direitos atacam com mais intensidade as mulheres trabalhadoras.

Por não existirem políticas públicas que garantam creche públicas suficientes, parte do salário é destinado para este fim. A tripla jornada é uma realidade na vida das mulheres, pois ainda hoje lhe é cobrada a responsabilidade pela educação dos filhos e os afazeres domésticos. Estas mulheres ainda precisam atender a exigência do mundo do trabalho e estudar, se qualificar cada vez mais. 

Diante desta realidade o PLP 257/16- Projeto de Lei de Autoria do Executivo, que faz parte do pacote de ajuste fiscal iniciado pelo governo Dilma no final de 2014, que traz medidas que visam manter o congelamento de juros e amortização da dívida ao sistema financeiro e aumentar a arrecadação da União, atingem diretamente o serviço público e programas sociais, mas ao ser aprovado, trará danos ainda mais nefastos para as mulheres trabalhadoras.

A não realização de concursos públicos como prevê o PLP 257/16, significa na prática mais sucateamento em todos os serviços públicos utilizados pela população. Tornando ainda mais difícil, por exemplo, o atendimento especializado para as mulheres na rede pública. Além de ser mais um limitador para a entrada das mulheres no mercado de trabalho, visto que os concursos são uma forma de superar avaliações machistas e racistas como ter que responder a quesitos de boa aparência ou a investidas de assédio sexual.  

O PLP 257/16 prevê ainda um grande ataque as mulheres com as mudanças na Aposentadoria, acabando com a diferença de tempo de trabalho para a aposentadoria, em relação ao homem e aumentando ainda mais o tempo de permanência no trabalho para que se tenha direito a aposentadoria. Um verdadeiro ataque a um direito conquistado pelas mulheres na luta.

Esse projeto é uma resposta do governo Dilma, com o apoio da oposição burguesa, para os grandes empresários, banqueiros e todos aqueles que se beneficiam da exploração da mão de obra dos trabalhadores. E  prevê, entre outros;

  •            Não concessão de aumento de remunerações dos servidores a qualquer título, ressalvadas as decorrentes de atos derivados de sentença judicial e previstas constitucionalmente;
  •             Elevação de contribuições previdenciárias dos servidores para 14%;
  •          Reforma do regime jurídico dos servidores ativos, inativos, civis e militares para limitar os benefícios, progressões e vantagens;
  •              Vedação da criação de cargos, empregos e funções ou alteração da estrutura de carreiras;
  •              Suspensão da admissão ou contratação de pessoal;
  •             Implementação de programas de Desligamento Voluntário e Licença incentivada de servidores e empregados.
  •              Redução de 10% da despesa mensal com cargos de livre provimento.


Não vamos pagar pela crise! Esta é a única resposta que nós, mulheres, que somos maioria entre o funcionalismo público e também entre os usuários dos serviços públicos, junto com o conjunto de trabalhadores temos que dar nas Ruas. Temos que ocupar as mobilizações convocadas pelo conjunto dos servidores públicos e com nossas bandeiras, protestarmos contra este ataque aos nossos direitos. Só com uma forte mobilização, uma construção de uma greve geral, barraremos este e outros projetos que retiram direitos dos trabalhadores.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Moção pela retirada das punições à Adriana Stella e anulação da Sindicância

O Movimento Mulheres em Luta se solidariza à companheira Adriana e se soma ao manifesto dos trabalhadores da universidade de Campinas




A Assembleia Geral dos Trabalhadores da Unicamp vem manifestar irrestrito apoio e solidariedade à funcionária da Unicamp e diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), e da fasubra Adriana Cristina de Toledo Stella, vítima de assédio moral em seu local de trabalho e de sindicância que determinou sua punição por não se calar e denunciar seu chefe assediador.

Adriana Stella sofreu assédio moral por seu chefe que repetida e sistematicamente a hostilizou, ridicularizou, inferiorizou, e culpabilizou por sua gravidez e sua atuação sindical junto à categoria.

Há exatamente um ano, a Assembleia Geral dos Trabalhadores da Unicamp já aprovou uma moção de apoio e retirada das punições. No mesmo ano, o tema das punições e perseguições aos ativistas foi alvo de debate com a Reitoria na Campanha Salarial. A Universidade assumiu que a prática de assédio moral é constante e assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público para coibir essa prática. O Reitor, chegou a assumir publicamente em reunião realizada junto ao STU que o processo de Adriana foi conduzido de forma irregular e que, portanto, deveria ser considerado como nulo.

Mesmo assim, passado quase um ano do processo que ficou engavetado na Reitoria desde abril de 2015 até o início do ano de 2016, ao início da Campanha Salarial deste ano a Reitoria encaminha ao STU comunicado informando que a sindicalista Adriana receberá as punições. Além de não cumprir o que o Reitor publicamente expressou em reunião gravada e não cumprir o TAC, a Reitoria se utiliza de métodos coercitivos para amedrontar os trabalhadores da Unicamp ao punir uma trabalhadora que denuncia o assédio.

A prática da Reitoria reforça que aqueles que não se calam e lutam contra o assédio e perseguição serão duramente punidos, como forma "exemplar" de calar a voz dos trabalhadores desta Universidade. Em época de Campanha Salarial, a Reitoria reforça ainda mais que irá perseguir aqueles que lutam.

A Assembleia Geral dos Trabalhadores da Unicamp considera grave a perseguição institucional e a tentativa de punição exemplar de uma trabalhadora que ousou não se calar frente ao assédio! Por isso, exige a imediata retirada das punições e anulação da Sindicância.




quinta-feira, 31 de março de 2016

Neste 1º de abril temos a obrigação de desmascarar as mentiras de Dilma, de Temer, de Cunha, Aécio e de todo esse congresso!

Por Aline Costa, do MML- RS

O que a população brasileira necessita é construir um governo socialista dos trabalhadores. Para tanto, é preciso que quem colocou os governantes no poder, os tire de lá. Mas não para pôr seu vice, ou a corja que compõe o congresso nacional. Trocar seis por meia dúzia não é a solução.

Nessa briga pelo poder, quem tem que entrar na disputa é a classe trabalhadora, o povo pobre, a juventude negra das periferias e as mulheres, essencialmente as negras e LGBTs. É sobre essas pessoas que recai o peso de ter que pagar por uma crise engendrada pelos governos em conluio com empresários e banqueiros.

O momento do Governo Dilma é de se defender de um suposto golpe implementado pela oposição de direita que tantas vezes se beneficiou dos acordos e negociatas com esse mesmo governo. Mas quem continua sendo golpeado até hoje são os setores historicamente mais explorados e oprimidos da sociedade.

O genocídio da população negra nos morros e favelas tem aumentado em números exponenciais. Dados do último Mapa da Violência apontam que, entre 2004 e 2014, houve um crescimento de 18,2% de homicídios contra negros, e uma diminuição de 14,6% contra pessoas que não são pretas ou pardas. Junto a isso, a Câmara Federal leva à frente um projeto de lei que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, o que atinge em especial a população negra e o povo pobre das periferias.
Os dados oficiais de feminicídio também demonstram a barbárie da violência machista, que mata cerca de 6 mil mulheres todos os anos e se desdobra em crimes com requintes de maior crueldade quando se trata de mulheres trans.

Para aumentar ainda mais as estatísticas, Dilma vetou o Kit anti-Homofobia, que seria um passo inicial para um trabalho contra a intolerância nas escolas. A Presidente preferiu negociar com a bancada evangélica. A mesma que elabora e aprova projetos definindo conceito de família apenas como união entre homem e mulher.

Muitas organizações de esquerda, que em vários momentos estiveram na luta por conquistas e manutenção de direitos, estão hoje blindando o governo com o argumento de defesa contra um suposto "Golpe". Mas e as Medidas Provisórias do governo Dilma que mexeram com o seguro desemprego exatamente quando setores da direita criam leis para regulamentar a terceirização, formando assim uma combinação explosiva de ataques aos trabalhadores e trabalhadoras, especialmente os que ocupam os postos mais precarizados?

Se é pra falar em golpe, falemos: As mulheres negras são as mais golpeadas, pois estão nas vagas rotativas do mercado de trabalho, ou sendo jogadas para lá e para cá em cooperativas que as exploram, as oprimem e as enrolam. Seguidas pelas LGBTS que, em sua maioria, em se tratando de gays e lésbicas, trabalham invisíveis nos setores de telemarketing, sofrendo assédio moral e sexual e sendo explorados em níveis cada vez mais profundos. No caso das mulheres trans, a grande maioria se prostitui para sobreviver e sofrem todas as formas possíveis de violência física e psicológica diariamente.

Portanto, não dá para defender um governo que não investe no combate à violência contra as mulheres, negras, negros e LGBTs e que não está nem aí para quem é mais atingido com os ataques desferidos, contraditoriamente, por uma presidente mulher. Também não há uma oposição de direita que reflita as necessidades mais básicas desses setores e muito menos que levante bandeiras em defesa dos mesmos. A briga é apenas pelo poder e não para melhorar as condições de vida da população.

A saída é unificar a nossa luta sim! Mas não de quem entra nessa falsa polarização que de uma maneira ou de outra beneficia um desses dois campos.
Há sim uma alternativa e esse é o momento para construí-la!

Mulheres, Negros e LGBTs nas ruas junto com a classe trabalhadora para construir um polo independente de combate a opressão e a exploração!


terça-feira, 29 de março de 2016

Basta de mentiras! Contra Dilma, temer, Cunha e Aécio - Trabalhadoras às ruas no 1º de abril!

Nós mulheres trabalhadoras somos as mais afetadas pelos efeitos da crise econômica e as medidas que os governos vêm tomando para evitar que empresários e banqueiros diminuam seus lucros. Somos aquelas que estão sendo demitidas, que perderam o PIS, seguro desemprego e auxilio saúde, somos aquelas que teremos que trabalhar mais 5 anos, caso a proposta de reforma da previdência da presidente Dilma seja aprovada.

Por isso, não é possível combinar nossas exigências com a defesa de lula, Dilma ou o governo do PT. Pois, foi justamente esse governo, em unidade com a oposição de direita, que aplicou todos esses ataques aos nossos direitos.

Achamos um equivoco que organizações de mulheres, como a Marcha Mundial de Mulheres, faça o chamado ao conjunto das trabalhadoras e jovens para atos como os do dia 18 ou 31, sob a justificativa de um golpe e a defesa da democracia. Como é possível defender a democracia junto com um governo que encaminhou e possibilitou a aprovação da lei Antiterror no congresso? Uma lei que criminaliza os movimentos sociais e tenta impedir a sua manifestação. Como é possível convocar os movimentos sociais para se mobilizarem por essa pauta, se desde as jornadas de 2013 vários jovens respondem a processos sob a acusação de formação de quadrilha porque ousaram criticar o governo democrático do PT?

Dilma é mulher e utilizou bastante esse fato para dizer que teria sensibilidade com as demandas das mulheres, porém não foi o que vimos em seu mandato. Seguiu aplicando apenas R$ 0,26 por cada mulher vítima de violência doméstica, mesmo quando a economia crescia; das 27 casas da mulher brasileira (centros integrados de atendimento as mulheres vítimas de violência) prometidas somente 01 foi inaugurada em 2015; também passou longe de concretizar as 6 mil creches prometidas na campanha eleitoral. Ou seja, mesmo sendo mulher a política e a prioridade do governo seguiu sendo os interesses dos empresários e ricos do país.

Também não temos nenhuma ilusão de que as manifestações do dia 13 ou que os representantes da oposição de direita reflitam nossas pautas. Não damos nenhum credito para esse setor encaminhar qualquer ação, seja de impeachment ou qualquer outra coisa, em nosso nome. Pois são esses governos do PSDB, PMDB, PSB e etc. que estão aplicando os ajustes nos estados e desmantelando os serviços públicos. Além disso, quando convêm esses setores se unem ao governo do PT para nos atacar, como aconteceu no aprofundamento da privatização da Petrobrás e no apoio já declarado pelo PSDB a reforma da previdência.

Frente a isso, nós acreditamos que o movimento organizado de mulheres tem um papel central de mobilizar as trabalhadoras e jovens em torno às pautas de combate a opressão, entendendo que para avançarmos em nossas reivindicações como combate a violência, acesso a creche pública, legalização do aborto; salário igual para trabalho igual, dentre outras, é necessário derrotar o governo e sua política de ajuste fiscal, é necessário impedir que a nossa classe siga pagando a conta dessa crise econômica.

Em todo o país as mulheres vêm dando exemplos categóricos de que estão dispostas a ir para o enfrentamento seja nas ocupações de escolas pelas secundaristas, seja nos atos de rua contra o PL 5069/13, seja nas greves e mobilizações, elas estão sendo protagonistas da resistência e não tem escolhido alvo, pois são atacadas de todos os lados. É PSDB, é PMDB e também o PT.

Defendemos a organização independente dos trabalhadores e a construção de uma manifestação que possa colocar todas as nossas bandeiras nas ruas, sem defender o sujo e tão pouco o mal lavado, ou seja, nem o governo e nem a oposição e esse congresso. Esse polo alternativo vem sendo construído por diversas entidades e organizações de esquerda, a partir do Espaço de Unidade de ação, que chama um ato para o dia 1º de Abril contra as mentiras do governo e da oposição de direita, contra a reforma da previdência e o ajuste fiscal, em defesa do emprego e dos serviços públicos de qualidade. Contra a opressão e a exploração capitalista.

Nós, do Movimento Mulheres em Luta, estaremos nas ruas no dia 1º porque entendemos que a nossa luta é ao lado da classe trabalhadora. Chamamos todas as organizações feministas e entidades de classe a se somarem nessa construção.


Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Campanha Nacional contra a violência à mulher trabalhadora

Chega da violência contra as mulheres!

Chega da violência contra as mulheres!